Le Monde faz matéria sobre Tereza Cristina, a “Madame Desmatamento”

Tereza Cristina madame desmatamentoTereza Cristina, a “Madame Desmatamento, no seu escritório no Ministério da Agricultura em Brasília. 

Os leitores do jornal francês “Le Monde” foram premiados hoje com uma ampla matéria sobre os feitos da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, a quem o jornalista Bruno Meyerfeld conferiu, com rara felicidade, o título de “Mme Déforestation”, ou “Madame Desmatamento”.  Essa matéria apresenta Tereza Cristina como o “rosto respeitável de um governo de loucos”, mas nem por isso menos responsável pelos números estratosféricos de desmatamento que vão marcar o ano de 2020 como um dos piores desde que o acompanhamento foi iniciado para medir a perda anual de florestas na Amazônia brasileira.

tereza cristina le monde

Um número que deverá causar espanto aos leitores franceses é o dos 1.202 km2   de floresta tropical que desapareceram nos primeiros quatro meses de 2020,  o equivalente a mais de 1.400 campos de futebol por dia.  Este valor recorde de desmatamento, ressalta a matéria, ocorreu no meio da estação das chuvas, e se soma aos 10.000 km2 destruídos no ano passado.

Bruno Meyerfield também informa na matéria o apelido de “Musa do Veneno” que Tereza Cristina ganhou enquanto ocupava o posto de líder da famigerada “Frente Parlamentar da Agricultura (FPA), mais conhecida como “bancada ruralista”, onde defendeu com unhas e dentes a aprovação desenfreada de agrotóxicos altamente venenosos, coisa que agora ela faz com incrível celeridade enquanto segura a caneta de ministra da Agricultura.

Um ponto que é marcado na reportagem é a fala de Tereza Cristina no sentido de que ela é ouvida por Jair Bolsonaro, que lhe dá “total liberdade para expressar sua opinião”.  Até onde essa liberdade total vai é sempre uma questão a se medir, mas não há dúvida que Tereza Cristina vem realizando com maestria o papel duplo de fazer avançar os interesses daqueles que se beneficiam com o avanço o processo de desmatamento que, muitas vezes, agem juntos com os produtores de agrotóxicos que são despejados nas áreas que estão perdendo florestas.  Não é por outra razão que Tereza Cristina favorece por um lado a liberação de um número recorde de agrotóxicos banidos na União Europeia e, por outro, se posiciona de forma inequívoca na defesa da “MP da Grilagem de Terras”. 

Por tudo que aparece na matéria do “Le Monde” é que considero um equívoco deixar Tereza Cristina operando tranquilamente no segundo plano que ela escolheu, enquanto toda a atenção é jogada sobre o improbo ministro (ou seria anti-ministro) do Meio Ambiente, Ricardo Salles.  É que objetivamente, Ricardo Salles vem jogando o papel de “boi de piranha” e não de “passador de boiada”, já que é Tereza Cristina quem operacionaliza a ação devastadora do latifúndio agro-exportador sobre nossos ecossistemas naturais.  Mas, felizmente, sempre há um “Le Monde” da vida para nos mostrar isso, já que a mídia corporativa brasileira prefere se omitir em nome de seus próprios interesses.

 

Observatório dos Agrotóxicos divulga lista completa dos 147 agrotóxicos liberados até 01 de Abril de 2020

observatório

Como havia adiantado,  organizei o “Observatório dos Agrotóxicos” para continuar informando a todos os interessados sobre a marcha das aprovações de novos agrotóxicos pelo governo Bolsonaro. Lembro que em 2019, o Ministério da Agricultura (MAPA) atingiu a impressionante marca de 503 agrotóxicos liberados para o mercado brasileiro.

Mas aparentemente a ministra Tereza Cristina está disposta a estabelecer um novo recorde de liberações em 2020, pois com cinco atos publicados até o dia 01 de abril, o MAPA já totaliza 147 “novos” agrotóxicos nos primeiros 92 dias do corrente ano. Isso demonstra que nem a pandemia da COVID-19 está servindo para diminuir a avidez em despejar no mercado brasileiro uma série de produtos “genéricos” de agrotóxicos já disponíveis no mercado. 

Noto ainda que a nova metodologia de avaliação dos riscos sobre a saúde humana e o meio ambiente que está sendo utilizada pelos órgãos responsáveis pelo processo de liberação de agrotóxicos no Brasil (i.e., Anvisa, IBAMA e MAPA) criou uma situação peculiar, pois a maioria dos agrotóxicos aparece como mais potencialmente tóxicos para o meio ambiente do que para a saúde humana, o que modifica os padrões que existiam antes das modificações impostas na forma de classificação dos agrotóxicos pelo governo federal.

Também é importante salientar que se consolida a hegemonia de empresas chinesas no oferecimento das versões genéricos de agrotóxicos que já existem no mercado brasileiro. O detalhe é que esses agrotóxicos “genéricos” abarcam uma quantidade significativa de produtos banidos nos países que os desenvolveram originalmente. Tal fato indica uma articulação entre corporações localizadas nos países centrais e empresas chinesas  para mover a produção dessas substâncias indesejadas nos países centrais para a China que, depois, as comercializa com países produtores de commodities agrícolas como o Brasil e a Argentina.

Quem desejar acessar a base de dados, contendo os 147 agrotóxicos já aprovados em 2020, basta clicar [Aqui! ].

Observatório dos agrotóxicos: governo Bolsonaro libera mais 46 produtos

agrotóxicos chuva

Apesar das evidências existentes de que existe uma ligação direta entre o modelo de agricultura industrial e a ocorrência de pandemias como a causada pela COVID-19, o governo Bolsonaro mantém-se firme na liberação de agrotóxicos para serem usados, em grande maioria, nas grandes extensões de monoculturas de soja, milho e cana-de-açúcar.

Tanto isto é verdade que, por meio do Ato No. 26 de 01 de abril de 2020, foram liberados mais 46 agrotóxicos para uso no Brasil. Mais tarde divulgarei a lista completa desses 46 produtos e a base atualizada dos agrotóxicos já aprovados em 2020 que já alcança um “grande total” de 147 aprovados apenas entre 1 de janeiro e 01 de abril.

Dois detalhes interessantes sobre essa nova lista de aprovações. A primeira é a presença de 17 agrotóxicos de natureza biológica. A segunda é aprovação de várias versões do herbicida 2,4-D  que é fabricado pela multinacional estadunidense Dow Chemical Co.

Por isso é que eu digo que o caos aparente no interior do governo Bolsonaro pode não passar disso mesmo, aparência. É que enquanto os brasileiros estão lutando por suas vidas em meio à pandemia da COVID-19, o Ministério da Agricultura comandado por Tereza Cristina segue firme no seu intento de nos transformar numa imensa banheira tóxica para onde as corporações multinacionais destinam proibidos em seus países-sede.

 

Em meio à pandemia, governo Bolsonaro liberou mais 53 agrotóxicos em março

Pesticide Spraying in Tea Estate in Kerala

Acabo de verificar que nem a pandemia da COVID-19 está servindo para arrefecer o ímpeto do governo Bolsonaro para liberar mais 53 agrotóxicos por meio dos Atos 17 e 22. Com isto, o total de agrotóxicos liberados somente em 2020 chegou a 101, o que somado aos 503 liberados em 2019.   Com essas novas liberações, o governo Bolsonaro totaliza incríveis 604 agrotóxicos liberados em apenas 15 meses de mandato.

Nos próximos dias irei liberar a base completa para o ano de 2020, mas posso adiantar que nos atos 17 e 22 foram liberados consta um “campeão de preferência” que é o Glufosinato de Amônia, um herbicida proibido pela União Europeia.  O caso do Glufosinato de Amônia é ainda mais peculiar quando se verifica que na lista dos 18 produtos liberados pelo Ato 22, este agrotóxico apareceu 9 vezes.

Mais peculiar ainda no caso do Glufosinato de Amônia é notar que a empresa chinesa “Hebei Veyong Bio-Chemical Co., Ltd.” é a principal fornecedora do Glufosinato de Amônia para esta lista de aprovações (sendo que 7 das formulações aprovadas serão fornecidas exclusivamente por essa empresa).

De toda forma, o que se vê é que dentro do caos aparente em que o Brasil está imerso neste momento, a aprovação de agrotóxicos altamente perigosos, e banidos em outras partes do mundo, segue seu curso firme.

 

A marcha do veneno continua: governo Bolsonaro libera mais 16 agrotóxicos

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Inoculado contra as críticas sobre os 503 agrotóxicos liberados apenas em 2019, o Ministério da Agricultura  tornou publicado hoje (02/03)  a liberação de mais 16 agrotóxicos.  A medida foi publicado hoje no Diário Oficial da União (DOU), por meio do Ato nº 13 do Departamento de Sanidade Vegetal e Insumos Agrícolas da Secretaria de Defesa Agropecuária.

A discrepância notada em 2019 entre a liberação de venenos com base química e os de controle biológica continua, pois apenas dos 16 apenas 2 utilizam o uso de inimigos naturais para erradicar organismos que são considerados pragas agrícolas. Mas é preciso lembrar que em ato anterior, o Ato Nº  12, o MAPA havia liberado outros 32 agrotóxicos, totalizando 38 nos primeiros dois meses de 2020.

Ainda não tive tempo de analisar quais substâncias foram liberadas em 2020, mas o MAPA já informou que “todos os defensivos que tiveram o registro publicado nesta segunda-feira já estão registrados e em uso no Brasil como ingredientes ativos de outros agrotóxicos já comercializados”, o que coloca novamente em xeque o argumento inicialmente utilizado pelo governo Bolsonaro para a liberação massiva de agrotóxicos que era a de introduzir produtos mais recentes e com menor toxicidade para a saúde humana e o meio ambiente.

O fim da falácia da modernização como base para a liberação dessa enxurrada de novos venenos é o fato de que pelo menos 4 dos agrotóxicos aprovados estão proibidos pelo menos na União Europeia (i.e., Glufosinato, Sulfentrazona, Diafentiurom e Tiodiocarbe).

Além disso, além da costumeira presença das empresas ligadas à CropLife entre os interessados nessa nova rodada de liberações, pude verificar que dos 16 agrotóxicos relativos ao Ato nº 13 , 11 deles têm como fabricante primário uma empresa localizada na China.  Este fato reforça a relação direta entre Brasil e China no circuito mundial dos agrotóxicos e na grande de circulação de commodities agrícolas. O problema é que as commodities brasileiras valem sempre menos dos que os agrotóxicos chineses, deixando ainda mais evidente quem sai ganhando ou perdendo nessa parceira envenenada.

Como estamos apenas no início de março, o total de 16 agrotóxicos sendo liberados pelo Ato Nº 13 deve ser apenas um pálido prenúncio do que ainda virá ao longo de 2020, especialmente agora que a ministra Tereza Cristina encurtou o período total de avaliação dentro do seu ministério para minguados 60 dias.

 De fato está estabelecido o “libera geral” em termos da entrada de agrotóxicos altamente perigosos no Brasil para alegria do latifúndio agro-exportador e das multinacionais fabricantes de venenos agrícolas. As consequências dessa situação será o inevitável aumento da contaminação de nossos ecossistemas naturais, dos trabalhadores rurais que aplicam essas substâncias altamente perigosas e, por fim, a água e os alimentos que os brasileiros estão ingerindo.

E antes que eu me esqueça do placa geral de agrotóxicos liberados em 14 meses de governo Bolsonaro: o grande total é 551.

A Portaria 43 escancara as portas de entrada para agrotóxicos perigosos no Brasil

agrotóxicos 1Com a Portaria Nº 43, o governo Bolsonaro escancara as portas do mercado brasileiro para agrotóxicos altamente perigosos banidos em outras partes do mundo

O governo Bolsonaro quebrou em 2019 um recorde histórico na aprovação de agrotóxicos no Brasil, muitos deles banidos em outras partes do mundo por serem altamente perigosos para a saúde humana e para o ambiente. Não contente com essa volúpia para aprovar substâncias com alto poder de contaminação, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), sob o comando da ministra Tereza Cristin, a resolveu escancarar de vez as portas que precariamente limitavam a entrada de novos (nem tão novos assim, é preciso que se frise) com a promulgação da Portaria Nº 43 no dia 21 de fevereiro

Por meio da Portaria Nº 43  fica determinado que o tempo limite de análise de agrotóxicos e substâncias afins será de minguados 60 dias, sob pena de aprovação automática, independente do grau de periculosidade oferecido pelo produto aprovado. Como um dos alvos do atual governo tem sido justamente a redução de pessoal disponível para trabalhar nesse tipo de avaliação, os termos da Portaria Nº 43 equivalem a um cheque branco para que as multinacionais que produzem venenos agrícolas dirijam para o Brasil todos os produtos para os quais os mercados estão sendo fechados em outras partes do mundo.

Vejamos por exemplo o caso do Clorpirifós que está tendo o seu futuro colocado em xeque até nos EUA após uma decisão da Corteva (divisão agrícola criada após a  fusão da Dow com a DuPont) de suspender até 2021 a produção de dois defensivos agrícolas com este ingrediente ativo.  Dentre os problemas atribuídos ao Clorpirifós estão o baixo peso no nascimento, QI reduzido e distúrbios de atenção. Esse corolário de doenças que afetam principalmente crianças levou a proibição do Clorpirifós pela União Europeia e em vários estados dos EUA. Mas apesar de toda a maré existente contra o Clorpirifós apenas em 2019 o governo Bolsonaro liberou a incrível quantidade de 14 agrotóxicos contendo este princípio ativo, transformando o Brasil em uma espécie de porto seguro para uma substância que está sendo banida em quase todo o mundo.

Como já apontei anteriormente aqui neste blog, a tendência manifesta do Brasil de se transformar em uma espécie de último refúgio para agrotóxicos banidos em outras partes do mundo faz a alegria das corporações que produzem venenos agrícolas. O fato é que estas empresas poderão estender a vida útil de produtos indesejados em seus países de origem, nem que isto acarrete graves consequências para a população brasileira e o nosso meio ambiente. Mas cada centavo de lucro que essas empresas terão, o Brasil terá de gastar outros tantos com o custeio de serviços de saúde para os trabalhadores agrícolas que estão sendo contaminados pelo contato com essas substãncias.

Por isso é fundamental que a edição da Portaria Nº 43 não seja empurrada para debaixo do tapete sob a excusa de que precisamos nos concentrar na defesa da democracia brasileira que estaria sendo ultrajada pelo presidente Bolsonaro. O fato é que não há mais nada ultrajante para a nossa frágil democracia do que a transformação do Brasil em um porto seguro para agrotóxicos banidos até nos países onde são fabricados.

Crítica à exportação de agrotóxicos altamente tóxicos produzidos na Suíça e na UE para o Brasil

Padrões duplos na proteção da saúde humana e do Ambiente. Protestos contra a Ministra da Agricultura Tereza Cristina durante a Semana Verde em Berlim

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Protesto contra a Ministra da Agricultura do Brasil durante a Semana Verde em Berlim Fonte: Chris Grodotzki / GREENPEACE

Por Von Ulrike Bickel para a Amerika21

Zurique / Berlim. A organização suíça Public Eye acusa o grupo agrícola Syngenta de exportar toneladas do inseticida altamente tóxico profenofós da Suíça para o Brasil, 37 toneladas somente em 2018. Este inseticida, um organofosforado, está proibido em solo suíço por causa de seu perigo para os seres humanos e o meio ambiente desde 2005. Segundo a ecotoxicologista Nathalie Chèvre, da Universidade de Lausanne, o profenofós é uma neurotoxina como Sarin. No Brasil, é um dos agrotóxicos mais comuns na água potável, escreve Public Eye em um relatório de pesquisaO profenofós usado principalmente no cultivo de algodão, milho, beterraba, soja, batata e legumes.

O maior número de agrotóxicos no mundo é usado no Brasil, com aproximadamente 7,3 litros de consumo de agrotóxicos per capta por ano . Além disso, mais de 1.200 novos agrotóxicos foram autorizados pelos governos dos presidentes Michel Temer e Jair Bolsonaro nos últimos três anos .

A Syngenta, líder global em produtos químicos para proteção de culturas, teve mais de US $ 10 bilhões em vendas em 2018 e é a única empresa autorizada a vender agrotóxicos que contêm profenofós no Brasil. Segundo a Public Eye, apenas as vendas da Syngenta devem responder por cerca de um quarto do mercado global da profenofós, que é de cerca de US $ 100 milhões por ano.

Como resultado das revelações sobre as exportações da Syngenta, a conselheira nacional suíça Lisa Mazzone (Verdes) já havia feito campanha pela “proibição de exportação de agrotóxicos proibidos na Suíça” no final de 2017, e contou com o apoio de 41 parlamentares de todos os campos políticos. No entanto, a iniciativa parlamentar foi anulada porque o período de dois anos para seu tratamento havia expirado. O Conselho Federal reconheceu em 2018 que o uso desses agrotóxicos, principalmente nos países em desenvolvimento, poderia causar sérios problemas de saúde ou ambientais, mas considerou uma proibição de exportação “não proporcional”.  O Conselho Federal prefere a adoção de medidas que “restrinjam menos a liberdade econômica”.

Agora, no contexto do “Pacote Ambiental”, o Conselho Federal só quer mudar a regulamentação suíça de agrotóxicos nesta primavera, para que as exportações de pesticidas proibidos na Suíça dependam de consentimento prévio e expresso do país importador. A Syngenta rejeitou esta emenda ao regulamento “porque levaria a uma regulamentação ineficaz e desnecessária que colocaria em risco a atratividade da Suíça como local de produção”.

Paralelamente à Semana Verde em Berlim, cerca de 40 pessoas do Greenpeace, do Centro de Pesquisa e Documentação Chile-América Latina, e a Rede de Informações e Ações Foodfirst se manifestaram contra a ministra da Agricultura do governo de extrema direita do Brasil, Tereza Cristina, que estava presente no evento. Tereza Cristina foi a porta-voz do grupo de deputados de proprietários de terras (a chamada “Bancada Ruralista”) no parlamento brasileiro, e ficou conhecida em todo o país por meio de uma lei que ela havia introduzido para facilitar a aprovação acelerada de agrotóxicos. Isso lhe rendeu o apelido de “musa de venenos agrícolas” ou “rainha do veneno”. Em seu primeiro ano no cargo, Tereza Cristina aprovou recentemente 503 agrotóxicos, muitos deles proibidos na Europa. Na crítica, Tereza Cristina também se destaca porque promove o cultivo de culturas geneticamente modificadas (OGMs), e está comprometida com a legalização de terras ilegalmente apropriadas às custas de pequenos agricultores, povos indígenas e reservas naturais.

No final de novembro de 2019, o Ministério Federal Alemão de Cooperação e Desenvolvimento Econômico assumiu 81,9 milhões de euros em novos compromissos em negócios bilaterais com o Brasil, incluindo 40,4 milhões em projetos do Ministério da Agricultura.

A Pestizid-Action-Netzwerk eV há muito critica o fato da União Europeia aplicar padrões duplos para a proteção da saúde e do meio ambiente. Por exemplo, agrotóxicos altamente perigosos, que há muito são proibidos na Europa, podem continuar sendo exportados para países em desenvolvimento e lá podem causar sérios danos à saúde humana e ao meio ambiente. Muitos agrotóxicos podem ser encontrados em grandes quantidades nos solos e na água em todo o mundo,. Os agrotóxicos são os principais responsáveis ​​pelo dramático declínio da biodiversidade e causam uma série de doenças graves.

Portanto, juntamente com a organização de ajuda católica Misereor, Slow Food Germany e Bioland, em novembro de 2019, o governo alemão pediu a proibição mundial de agrotóxicos altamente perigosos e interrompeu imediatamente a exportação de agrotóxicos proibidos na Alemanha. Alternativas práticas à proteção química das culturas e formas de agricultura mais ecologicamente compatíveis estão disponíveis e devem ser implementadas.

Ontem, em Berlim, 27.000 pessoas foram às ruas pela décima vez na manifestação “Estamos fartos” por uma “reviravolta agrícola”, ou seja. para agricultura amiga dos animais, do ambiente e do clima, em vez de agricultura industrial. O protesto também foi dirigido contra o Acordo da União Europeia com o Mercosul, que, entre outras coisas, reduzirá as tarifas sobre as exportações europeias de agrotóxicos de 14 para 0%, e pede “comércio justo mundial, respeito aos direitos dos agricultores em todo o mundo, e proteção consistente das florestas”.

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Este artigo foi originalmente publicado em alemão pela Amerika21 [Aqui!].