Com Tereza Cristina é assim: mais agrotóxicos, menos carne na dieta do brasileiro

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A ministra da Agricultura, Tereza Cristina (DEM/MS), é responsável por uma curiosa dinâmica na dieta alimentar dos brasileiros. Por um lado, sob seu comando, os brasileiros viram um recorde histórico de aprovações de novos agrotóxicos com um total de 567 produtos sendo liberados em menos de 11 meses. Por outro, vivemos agora uma profunda carestia nos preços da carne bovina que tem tudo para se estender para outros produtos de origem animal, já que os consumidores estão sendo empurrados para o consumo de ovos, frangos e porcos.

O fato inescapável é que Tereza Cristina sintetiza bem o que é o latifúndio agro-exportador brasileiro, pois além de ser engenheira agrônoma formada pela Universidade Federal de Viçosa, ela cresceu na política defendendo posições ultra-conservadoras, entre as quais se destacam a defesa de terras a estrangeiros, a flexibilização das regras de liberação de agrotóxicos, e o endurecimento ao tratamento dado aos povos indígenas que tiveram suas terras tomadas pelo avanço do latifúndio.

Depois de se tornar ministra, Tereza Cristina já ofereceu exemplos bastante didáticos de que o presidente Jair Bolsonaro não poderia escolhido pessoa melhor para levar adiante a sua pauta de destruição ambiental e de submissão contínua às demandas infinitas dos setores mais atrasados da agricultura nacional. 

Mas é agora com a crise de carestia nos preços da carne que a ministra da Agricultura está deixando bastante explícita sua posição de completo desprezo pelas necessidades da maioria da população brasileira de poder consumir proteína animal a preços minimamente acessíveis.  Assim, quando perguntada sobre a situação causada pela elevação dos preços da carne bovina, Tereza Cristina não apenas negou a possibilidade dos preços baixarem, afirmando que a carne bovina estava “muito barata“, mas também de forma jocosa indicou a possibilidade do consumo de frango quem não puder comprar carne bovina.

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Com a carne bovina a preços nada módicos, o brasileiro vai ter que dizer adeus ao churrasco. Enquanto isso, os chineses estão saboreando a carne bovina brasileira sem sofrimento

A verdade é que estamos sendo onerados porque o governo Bolsonaro se nega a proteger os consumidores brasileiros, focando sua ação na venda para exportação. Por isso, é que a carne bovina estão tão cara neste momento, pois para garantir o fluxo de moedas fortes, o mercado interno está sendo totalmente desprotegido. 

 

Com mais 57 agrotóxicos liberados, governo Bolsonaro quebra recorde histórico e transforma o Brasil em uma piscina envenenada

Man spraying toxic pesticides or insecticides on fruit growing plantation. Natural light on hard sunny day. Blue sky with clouds in background.Com mais 57 agrotóxicos liberados, governo Bolsonaro quebra recorde histórico e transforma o Brasil em uma piscina de agrotóxicos banidos em outras partes do mundo

Se há uma área onde não se pode questionar a eficiência e a coerência do governo Bolsonaro essa é a da liberação de agrotóxicos. É que no dia de hoje, com a publicação do Ato No. 82 que liberou mais 57 agrotóxicos, o total para 2019 é de 467. Com isso,  a ministra Tereza Cristina, a “Musa do Veneno”, consegue tornar o Brasil uma espécie de bacia das almas para produtos banidos em outras partes do mundo.

Como já é de praxe, vou atualizar a base que construí ao longo de 2019 com as principais características desses “novos” agrotóxicos e vou postar assim que tiver todos os dados preenchidos, o que normalmente leva algum tempo para evitar erros de preenchimento.

Mas de cara é possível notar que a China continua sendo a principal fornecedora dos produtos que foram liberados no dia de hoje, com mais de 50% dos produtos aprovados vindos de industrias chinesas. Esse fato mostra quão integrado e dependente o agronegócio brasileira se tornou da China que, por um lado, fornece a maioria dos venenos agrícolas que estão sendo consumidos no Brasil e, por outro, se transformou objetivamente no principal mercado das commodities agrícolas brasileiras.  O problema é que neste intercâmbio comercial, nós acabamos ficando com a “parte podre” do processo, pois acumulamos o envenenamento maior de nossos solos e águas, bem como a ampliação do desmatamento e da degradação de nossos biomas florestais, a começar pela Amazônia.

Um aspecto que ainda deverá ser analisado é a negligência óbvia sobre a saúde dos trabalhadores rurais e de todos que entrem em contato direto e indireto com esse número aumentado de substâncias altamente tóxicas que estão sendo colocadas no mercado brasileiro. E há que se frisar que isto ocorre para atender as necessidades dos grandes latifundiários que hoje controlam a exportação das commodities onde está fortemente concentrado o uso dessas substâncias.

Os problemas causados pela contaminação ambiental e humana decorrente da transformação do Brasil em uma espécie de piscina tóxica deverão ser sentidos nas próximos anos e décadas, visto que muitos dos produtos que estão sendo liberados ou possuem alta persistência ou geram metabólitos ainda mais tóxicos do que o produto ativo original quando são rapidamente degradados no ambiente.

Enquanto isso, os vendedores de veneno, principalmente os baseados na China, agradecem a esse ritmo desenfreado de aprovações. Mas como toda alegria pode acabar, os próximos meses deverão trazer repercussões econômicos de países que prezam minimamente pela saúde de suas populações.  A verdade inescapável é que caminhamos para um processo de isolamento sanitário por causa do nível de resíduos de agrotóxicos perigosos em que o modelo agrícola agroexportador brasileiro está baseado. Simples assim!

Nota do Observatório do Clima sobre o fim do zoneamento da cana

Governo joga etanol brasileiro na lama ao revogar zoneamento da cana

cana

Em nova ação de desmonte ambiental para atender aos lobbies paroquiais mais atrasados, o governo Bolsonaro revogou nesta quarta-feira (6) o decreto 6.961/2009, que há uma década protege a Amazônia e o entorno do Pantanal da expansão da cana-de-açúcar.

O zoneamento da cana, formalmente defendido até mesmo pela Unica, a união da indústria do setor, era o principal diferencial ambiental do biocombustível brasileiro. Foi esse decreto que impediu que as exportações de etanol do país sofressem restrições internacionais como as impostas ao biodiesel da Indonésia, ligado ao desmatamento.

A revogação desta quarta-feira, assinada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, e pela ministra da Agricultura, Tereza Cristina, é publicada no mesmo dia da Conferência Brasileira sobre Mudança do Clima, em que o Observatório do Clima lança novos dados mostrando o papel fundamental que os biocombustíveis tiveram em evitar uma forte alta nas emissões brasileiras de carbono em 2018.

Com seu ato, os dois ministros, tidos como a “ala razoável” do governo, expõem dois biomas frágeis à expansão predatória e economicamente injustificável da cana e jogam na lama a imagem internacional de sustentabilidade que o etanol brasileiro construiu a duras penas.

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Esta nota foi originalmente publicada pelo Observatório do Clima [Aqui!].

Chuva de agrotóxicos no Brasil: total liberado pelo governo Bolsonaro chega a 410

Bolsonaro e Tereza Cristina liberam mais agrotóxicos; total alcança 410 em 2019

chuva

Lista de liberações publicada no Diário Oficial desta quinta (3) traz 57 novos registros, incluindo velhos conhecidos cancerígenos como Glifosato e 2,4-D

da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida

O esforço do Ministério da Agricultura em inundar o mercado brasileiro com mais agrotóxicos segue a todo vapor. Nesta quinta-feira (3), o Diário Oficial publicou o registro de mais 57 agrotóxicos, totalizando 410 registros somente em 2019. O número já ultrapassa o total de todos os anos anteriores, exceto 2018, quando o número foi de 450.

Contrariando o argumento do Ministério d Agricultura de que os novos registros seriam de substâncias menos nocivas, a lista de hoje traz velhos conhecidos tóxicos do mercado brasileiro. Glifosato, glufosinato, atrazina, 2,4-D, mancozebe, clorpirifós, fipronil e diurom são alguns dos princípios ativos já registrados há anos no Brasil e que compõe a lista.

A novidade desta publicação é o uso da nova classificação feita pela Anvisa em agosto. Pela nova regra, diversos agrotóxicos que eram considerados extremamente e altamente tóxicos por causar cegueira e corrosão da pele se tornaram “improváveis de causar danos agudos”. Um exemplo é o Piriproxifem, que antes da mudança era classificado como “Extremamente Tóxico”, e agora aparece em uma mistura com Dinotefuram classificado como “Improvável de Causar Dano Agudo”.

Veja a lista atualizada com todas as liberações deste ano: Registros 2019 – atualizada 03-10

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Este texto foi originalmente publicado pela Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida [Aqui!].

MP gaúcho quer suspensão de agrotóxico que levou ao extermínio de abelhas

Proibido na Europa justamente por ser letal aos polinizadores, o fipronil obteve três novos registros junto ao governo Bolsonaro

 

abelha-mortaEntre outubro passado e março deste ano foram mortas 400 milhões de abelhas em 32 municípios gaúchos

Por Cida Oliveira para a Rede Brasil Atual

São Paulo – A Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente de Porto Alegre pediu nesta quarta-feira (14) que o governo do Rio Grande do Sul suspenda o fipronil do Cadastro Estadual de Registro de Agrotóxicos. O ofício enviado à Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luis Roessler (Fepam) e às secretarias da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural e de Meio Ambiente e Infraestrutura é desdobramento do inquérito civil instaurado para apurar as causas do extermínio de abelhas no estado.

Entre outubro passado e março deste ano foram exterminadas 400 milhões em colmeias de 32 municípios gaúchos.  De acordo com o promotor de Justiça Alexandre Saltz, do Ministério Público do Rio Grande do Sul, “a necessidade é de prevenir novos danos ambientais irrecuperáveis derivados da aplicação do produto”.

Não bastasse a crueldade contra os insetos, o extermínio põe em risco a produção de alimentos. Segundo a organização Bee or not to Be?, idealizada pelo professor titular aposentado da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto Lionel Segui Gonçalves, as abelhas são os maiores polinizadores do planeta. Atuam diretamente na reprodução de mais de 85% das plantas com flores das matas, florestas e áreas verdes, conferindo importante equilíbrio aos ecossistemas. E de mais de 70% das culturas agrícolas, garantindo a ampliação da produtividade no campo e a melhoria na qualidade de frutos e sementes. Na busca por alimento, coletam também o pólen produzido pelo órgão masculino da flor e o carregam para a parte feminina. É nesse processo de polinização que a planta se reproduz.

Banido

O fipronil que está na mira do MP gaúcho foi banido da União Europeia em 2017. Pesquisas realizadas pela Universidade de Exeter, no Reino Unido, constataram que a substância matou milhares de abelhas na França entre 1994 e 1998. E que as mortes ocorreram logo que o produto foi lançado.

A devastação de colmeias inteiras de apicultores gaúchos, porém, não parece preocupar o Ministério da Agricultura do governo de Jair Bolsonaro (PSL). Desde o início da gestão foi concedido registro – que permite a produção e venda – para mais 290 produtos. Desse total, dois são para a substância pura e outros dois para misturas com o acetamiprido, da classe dos neonicotinoides.

Das novas liberações, pelo menos 21 são nocivas às abelhas. São 12 da classe dos neonicotinoides, três da fenilpirazol e seis sulfoxaminas. “Os piores são o fipronil, do segunda classe, e o sulfoxaflor, da terceira, estes todos produzidos pela Dow Chemical. Aparentemente são mais perigosos que os neonicotinoides. Embora não haja mocinhos nessa película, é bom lembrar que alguns neonicotinoides estão liberados na União Europeia, enquanto os dois outros grupos estão proibidos. O fipronil está praticamente banido até nos Estados Unidos, onde é usado apenas em casos extremos”, avalia o professor e pesquisador da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) Marcos Pedlowski, que monitora as liberações de agrotóxicos.

Seja como for, a classe dos neonicotinoides está diretamente associado ao extermínio de abelhas em todo o mundo. Estudo financiado por 28 países da União Europeia concluiu que tais inseticidas representam grande risco para diferentes tipos de abelhas. Tanto que esses países proibiram o imidaclopride e a clotianidina, da Bayer, que comprou a Monsanto, e o tiametoxam, da Syngenta. Porém, coerente com a via de sentido contrário que escolheu para trafegar, o Brasil deu sinal verde também para seis pedidos para fabricar imidaclopride e dois para tiametoxam.

Com sequela

No último dia 6, a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina (DEM-MS), a “musa do veneno”, juntou o diretor da Anvisa, Renato Porto, e a diretora do Ibama, Carolina Mariani, entre outros, para tentar explicar à imprensa as principais questões envolvendo os agrotóxicos no país.

Os gestores foram enfáticos na defesa da tese de que o Brasil aparece na 44ª posição em um ranking do Fundo das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) sobre uso de defensivos agrícolas. E não na primeira. Na perspectiva adotada pelo governo, o consumo foi de 4,31 quilos de agrotóxicos por hectare cultivado em 2016. E que entre os países europeus que utilizam mais defensivos que o Brasil aparecem a Holanda (9,38 kg/ha), Bélgica (6,89 kg/ha), Itália (6,66 kg/ha), Montenegro (6,43 kg/ha), Irlanda (5,78 kg/ha), Portugal (5,63 kg/ha), Suíça (5,07 kg/ha) e Eslovênia (4,86 kg/ha).

Uma tese contestada pela pesquisadora Larissa Mies Bombardi, do Departamento de Geografia da USP. Conforme explicou no final de junho à Agência Pública, quando se divide o consumo brasileiro de agrotóxico pela área plantada há diluição desse volume gigantesco. Isso porque é considerada área cultivada regiões como pastos, que são terras improdutivas. “Uma conta faz com que o Brasil fique lá embaixo no ranking”.

O esforço da equipe da musa do veneno veio da pressão dos próprios ruralistas diante da repercussão negativa de uma paródia apresentada no programa Zorra, na noite de 3 de agosto. Na esquete em formato de desenho animado, o ruralista pulveriza agrotóxico na goiaba em um sítio em que os agrotóxicos e os transgênicos alteraram profundamente a vida e a saúde das pessoas. A inconsequente – e prevista – farra dos agrotóxicos no governo Bolsonaro foi criticada em horário nobre, pouco depois da venda de imagem pop do agro.

Confira a crítica aos agrotóxicos em O Sítio do Pica Pau com Sequela:

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A modernidade envenenada de Tereza Cristina, a musa do veneno do governo Bolsonaro

Ricardo-Salles-e-Tereza-Cristina-1024x585Os ministros Ricardo Salles e Tereza Cristina são os principais responsáveis pelo sucesso da desconstrução das políticas ambientais no Brasil: o primeiro permite o avanço explosivo do desmatamento na Amazônia e a segunda acelera a aprovação de venenos agrícolas, muitos deles banidos em outras partes do mundo.

Indubitavelmente o governo Bolsonaro acumula muitas vitórias na implantação de sua pauta anti-ambiental, a maioria delas capitaneada pelo anti-ministro do Meio Ambiente, o improbo Ricardo Salles, e a pela ministra da Agricultura e “musa do veneno” Tereza Cristina (DEM/MS).

Graças à ação célere da dupla, o Brasil hoje vê-se imerso em uma disparada nas taxas de desmatamento na Amazônia e na aprovação “fast track” de venenos agrícolas que estão transformando o Brasil numa espécie de Chernobyl dos agrotóxicos, já que somente nos primeiros 7 meses de 2019 foram aprovadas 290 agrotóxicos para comercialização em diferentes partes do território nacional.

Hoje, a jornalista Lorena Rodrigues do “ESTADÃO” nos brinda com uma matéria em que Tereza Cristina faz uma espécie de celebração do seu sucesso como aprovadora mór de venenos agrícolas. Um detalhe para lá de instigante é o fato de que Tereza Cristina equipara a aprovação recorde de agrotóxicos altamente tóxicos para o ambiente e para a saúde humana como uma espécie de chegada à modernidade na agricultura brasileira.

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Ainda segundo o relato de Lorena Rodrigues, Tereza Cristina teria alegado que “os produtos autorizados atualmente têm menos toxicidade e são melhores para o País”. Faltou à ministra dizer que para conseguir o feito de ter produtos aprovados sob a égide de serem menos tóxicos, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) mudou repentinamente seu sistema de classificação de graus de toxicidade, o que fez que dos 600 produtos anteriormente classificados como os mais tóxicos, tenham sobrado meros 98. Assim, convenhamos, até eu conseguiria o feito que Tereza Cristina está clamando ser seu.

Como examinei os 290 produtos aprovados pelo governo Bolsonaro e verifiquei o grau de toxicidade ambiental e humana, só posso concluir que a ministra e dublê de musa do veneno padece do desconhecimento do que anda aprovando ou é simplesmente cínica. A verdade é que os produtos que foram autorizados não são nem mais modernos do que os existentes no mercado e, tampouco, são menos tóxicos. Entre os agrotóxicos temos o Acefato e a Ametrina,  banidos pela União Europeia por causarem graves danos à saúde humana e ao meio ambiente. Só essas duas substancias tornam no mínimo falaciosa a declaração de Tereza Cristina de que “O Brasil não utiliza defensivos banidos lá fora, não é bem assim. Tem pesticidas que são usados aqui e não na Europa porque eles não têm a mesma cultura. O Brasil não utiliza nada que não pode ser usado“. O fato é que o Brasil utiliza sim substâncias banidas não apenas na União Europeia, mas também na China como é o caso do Paraquate

Um momento de sinceridade (talvez o único) que Tereza Cristina demonstrou foi de reconhecer a preocupação em não “assustar o consumidor estrangeiro”.  Mas, neste caso, o exemplo do alerta russo sobre o excesso de glifosato na soja brasileira e o boicote promovido pelo CEO da rede sueca Paradiset, Johannes Cullberg, indicam que o temor de Tereza Cristina é tardio, e que evidentemente cresce a sombra de que brevemente boa parte da produção agrícola brasileira seja impedida de entrar nos principais mercados mundiais. Seja por excesso de agrotóxicos banidos internacionalmente e aprovados pelo governo Bolsonaro sob a batuta de Tereza Cristina, seja pelo aumento explosivo das taxas de desmatamento na Amazônia.

Quando o isolamento sanitário acontecer e o Brasil ficar impedido de vender o grosso da sua produção agrícola, vamos ver como se comportarão Ricardo Salles e Tereza Cristina para explicar para o presidente Jair Bolsonaro (também autointitulado como “Johnny Bravo” que focinho de porco não é tomada.  A ver!

Sulfoxaflor,fipronil, acefato e malationa são as “estrelas” do último pacote letal do governo Bolsonaro

agrotóxicos 1Com 290 agrotóxicos aprovados apenas em 7 meses, governo Bolsonaro se torna o mais pró-veneno da história.

Por estar atarefado demorei um pouco mais para introduzir na base de dados que comecei a construir em janeiro para documentar o avanço da liberação de agrotóxicos pelo governo Bolsonaro, mas hoje finalmente consegui concluir a tarefa de juntar os 51 agrotóxicos liberados no dia 18 de junho e publicados no Diário Oficial da União apenas no dia 22 de julho de 2019.

E os dados mostram que as abelhas que polinizam os campos brasileiros estão agora sob um risco ainda maior, pois apenas do composto Sulfoxaflor foram aprovados 6 produtos, todos produzidas pela multinacional estadunidense Dow Chemical Company. Mas se ainda sobrar abelhas depois do envenenamento por Sulfoxaflor, as sobreviventes ainda terão de se defrontar com um produto que contém outro inimigo poderoso, o Fipronil, esse fabricado pela brasileira Iharabras S.A. Indústrias Químicas.

abelhas-mortas2Uso de agrotóxicos como o Sulfoxaflor e o Fipronil estão sendo associados ao extermínio de quase 1 bilhão de abelhas no Brasil apenas em 2019.

Mas para os humanos também sobraram produtos como o Acefato que é banido pela União Europeia por suas conhecidas relações com a infertilidade, danos genéticos e, é claro, o câncer.  De quebra, ainda foram aprovadas formulações contendo a Ametrina e a Atrazina, produtos ativos também banidos pela União Europeia, e que também têm sido associados a enfermidades graves em seres humanos.

Outro produto aprovado que embora ainda seja vendido legalmente na União Europeia foi a Malationa, um inseticida e acaracida organofosforado, que é conhecida por causar danos irreversíveis na vida aquática. 

A nova lista de aprovações traz 14 produtos que são totalmente ou parcialmente compostas por princípios ativos banidos pela União Europeia, elevando o total dentro das 290 substâncias liberadas pelo governo Bolsonaro com essa “peculiaridade” para 95 (o equivalente 33% do total). Tal fato quando conhecido pelos importadores europeus tenderá a aumentar a pressão sobre as commodities agrícolas brasileiras, dado o exemplo já conhecido da rede sueca Paradiset que baniu todos os produtos não orgânicos brasileiros quando o total de agrotóxicos aprovados pelo governo Bolsonaro era ainda menor. 

De toda forma, essa marcha do veneno que não perdoa nem abelhas ou humanos é um sinal de completo atraso de mentalidade dos ruralistas que hoje efetivamente controlam o Ministério da Agricultura sob o comando da “princesa do veneno” Tereza Cristina (DEM/ES). Reagir a essa tsunami de venenos agrícolas está se tornando cada vez mais um das questões centrais da democracia brasileira. Afinal, a maioria dos brasileiros e de nossos ecossistemas naturais não podem ser sacrificados em nome do aumento da taxa de lucros de uma minoria que está pouco se lixando para as consequências de um modelo agrícola totalmente ancorado no veneno e no desmatamento.

Quem tiver interesse em conhecer todos os agrotóxicos aprovados pelo governo Bolsonaro, basta clicar [Aqui!].