Observatório dos Agrotóxicos: com mais 28 agrotóxicos liberados, a tsunami tóxica do governo Bolsonaro avança

tsunami toxica

Apesar da saída (silenciosa é preciso que se diga) da ministra Teresa Cristina, a tsunami de liberações de agrotóxicos continua ocorrendo no Ministério da Agricultura, para completa alegria do latifúndio agro-exportador cujo modelo de agricultura é fortemente dependente do uso de agrotóxicos, muitos deles banidos em outras partes do mundo por serem extremamente perigosos para o ambiente e os seres humanos.

Assim, no dia de hoje o Diário Oficial da União traz a liberação de mais 28 agrotóxicos, o que resulta em “um grande total” de 1.688 agrotóxicos liberados em 1.203 dias de (des) governo, ou seja, uma média diária de 1,56, o que representa um número efetivamente espantoso, especialmente se levarmos em conta que este total representa 50% de tudo o que está disponível no mercado brasileiro de venenos agrícolas.

O Ato No. 18 é um museu de velhas novidades tóxicas

Uma primeira análise dos 28 agrotóxicos liberados pelo Ato No. 18 de 14 de abril de 2022 mostra a presença da mesma proporção de produtos proibidos na União Europeia (em torno de 30%), e a presença de velhos conhecidos como os herbicidas Glifosato e Dicamba e os inseticidas Imidacloprido e Fipronil, estes dois últimos considerados como ameaças expressivas às populações de abelhas, tendo sido por isso banidos na União Europeia. Mas a lista dos chamados “proibidões”  não para por ai, o que apenas reforça que o discurso da ministra Tereza Cristina de que essa tsunami de aprovações resultaria em produtos mais novos e seguros não passava de propaganda enganosa.

Agrotóxicos com uso preferencial nas commodities agrícolas de exportação

Observatório dos Agrotóxicos: a tsunami de agrotóxicos do governo Bolsonaro  não para e mais 25 produtos foram liberados hoje |

Outro aspecto que salta aos olhos é que a imensa maioria dos agrotóxicos aprovados estão voltados para uso em monoculturas voltadas para exportação, tais como soja, algodão e milho.  Essa característica é dominante no destino dado à maioria dos agrotóxicos comercializados no Brasil, o que desmente o discurso de que a forte dependência em venenos agrícolas seria uma necessidade para impedir que a fome reinante no mundo (e no Brasil) não aumente.

O fato é que as commodities agrícolas produzidas com o amplo uso de venenos agrícolas não tem muito a ver com o combate à fome, já que se destinam a servir como ração animal na União Europeia e na China, de modo a garantir um padrão de consumo de alimentos centrado no uso excessivo de proteínas animais.  Enquanto isso, os brasileiros experimentam preços caríssimos nos itens de sua dieta básica, enquanto são expostos a grandes quantidades de resíduos de agrotóxicos em sua alimentação e até na água de torneira.

A dependência da indústria chinesa de venenos agrícolas como outra marca persistente

Uma rápida análise da lista de 28 agrotóxicos liberados pelo Ato No. 18 mostrará que 64% dos agrotóxicos liberados têm seus ingredientes técnicos produzidos por empresas chinesas, o que evidencia um forte grau de dependência do principal parceiro comercial brasileiro. O problema é que enquanto o Brasil vende commodities agrícolas, a China está vendendo produtos relativamente mais caros, o que reforça um padrão de trocas desiguais, o qual torna os supostos feitos comerciais do agronegócio uma espécie de tigre de papel, dado que além de requer subsídios governamentais para produzir, o setor ainda causa desmatamento e poluição ambiental.

Para o Brasil esse é um verdadeiro jogo de soma zero, pois para os latifundiários e as corporações produtoras de agrotóxicos ganharem, todos os demais brasileiros têm que perder.

Acesso às bases de dados

Como sempre ocorre, o “Observatório dos Agrotóxicos” do Blog do Pedlowski está disponibilizando duas planilhas de dados que contém a lista de agrotóxicos liberados pelo Aro No. 18 [Aqui!], e outra que traz todos os 1.688 liberados pelo governo Bolsonaro [Aqui! ].

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