Notícias da Aduenf: Nota pública explica posição da Aduenf sobre greve

uenf sos

NOTA PÚBLICA DA ADUENF A RESPEITO DA GREVE E INÍCIO DAS AULAS

Buscando dirimir especulações e informações inverídicas, a ADUENF vem a público trazer alguns esclarecimentos sobre a presente greve e a perspectiva de um retorno às aulas.

Em 27/09/17, última assembleia em que a greve foi objeto de pauta, os professores por ampla maioria decidiram pela permanência em greve até que todos (i) os salários devidos fossem quitados ou (ii) houvesse a divulgação de um calendário de pagamentos oficial por parte do governo estadual. A assembleia, também por ampla maioria (45 a 15 dos presentes), também apresentou a (iii) exigência do restabelecimento das condições de trabalho no campus, com garantias mínimas de segurança e limpeza para que a comunidade acadêmica possa desenvolver suas atividades normais e dar continuidade a um trabalho de que tem sido reconhecido como de excelência por diversas instâncias avaliadoras.

Nesse ínterim, durante a greve e por meio da CI UENF/REIT no. 086/2017, a Reitoria decretou férias coletivas para o período de 02 a 31 de janeiro de 2018, condição em que atualmente professores, técnicos e alunos formal e juridicamente se encontram, independentemente da greve dos docentes.

No presente momento, apesar do recente pagamento do 13o salário do ano de 2016 e do salário do mês de novembro de 2017, os professores da UENF ainda aguardam o pagamento do salário de dezembro e do 13o de 2017, não se configurando, portanto, o restabelecimento da normalidade no pagamento de salários.

Caso se confirme a promessa do governo estadual de pagamento do salário de dezembro e do décimo terceiro de 2017 nos próximos dias, o comando de greve da ADUENF convocará uma nova assembleia logo após o fim das férias coletivas para que se decida quanto ao retorno das aulas.

Diversamente da Reitoria, a diretoria da ADUENF mantém sua posição crítica em relação à redação final da PEC 47 e os repasses escalonados nela previstos, que, ao menos no curto prazo, não serão suficientes para reverter a condição de penúria na qual se encontra o campus, com segurança, limpeza e manutenção precárias e que colocam em risco a segurança e a integridade física de professores, técnicos e alunos. Continuará vigilante em relação aos problemas da vida no Campus e aguardará o efetivo repasse dos duodécimos constitucionais, denunciando publicamente seu eventual descumprimento.

A Diretoria da ADUENF reafirma seu compromisso democrático com a verdade e com a decisão coletiva tomada em assembleia por seus associados, permanecendo na luta para que seus direitos trabalhistas sejam respeitados. Persevera também na luta para que a Universidade possa o quanto antes dar continuidade à sua missão de promover ensino, pesquisa e extensão de excelência e o desenvolvimento econômico, social e humano no Norte Fluminense.

COMANDO DE GREVE

Campos dos Goytacazes, 12 de Janeiro de 2018.

 

Edital do IFF exclui Engenharia Metalúrgica de vaga de concurso e causa estranheza

Resultado de imagem para engenharia metalúrgica

O Edital No. 235 de 28 de Dezembro de 2017 para preenchimento de vagas de Professor do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico no Instituto Federal Fluminense trouxe uma inovação nos requisitos para ingresso dos candidatos para a vaga de Engenharia que causou estranheza entre potenciais candidatos [1].

É que, ao contrário de editais anteriores, foi excluída a formação de Engenharia Metalúrgica que impedirá que profissionais formados pela Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) de concorrem a esta vaga específica. 

Uma hipótese que já foi levantada para explicar esta estranha mudança seria um favorecimento a profissionais recém formados em instituições privadas que atuam no município de Campos dos Goytacazes em detrimento da ampla concorrência com profissionais experientes e altamente qualificados que têm sido formados pela Uenf ao longo de quase duas décadas.

Como as inscrições só começam em março, há ainda a possibilidade de que a reitoria da Uenf faça algum tipo de sinalização para a do IFF já que ambas direções possuem vários projetos comuns em andamento, a começar pelo já tradicional Congresso Fluminense de Iniciação Científica e Tecnológica (Confict).

Resta saber agora se a reitoria da Uenf vai defender o direito de seus egressos de participarem da seleção para esta e outras vagas e se a o IFF vai corrigir algo que pode ter sido apenas um engano de preenchimento de ementa.  Mas que está estranho, isto está.


[1] http://cdd.iff.edu.br/documentos/editais/reitoria/2017/dezembro/edital-8

Um réquiem para Juares Ogliari

Começo o ano lamentando a perda do meu ex-aluno Juares Ogliari que foi brutalmente assassinado em sua casa na cidade de Pinhalzinho (SC) [1].  Eu tive a oportunidade de tê-lo como estudante na disciplina de Metodologia da Pesquisa no Programa de Pós-Graduação em Políticas Sociais da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), onde ele como agrônomo de formação sofria para acompanhar o ritmo de uma turma multidisciplinar com formação majoritariamente da áreas de Ciências Humanas.

juarez

As evidentes dificuldades colocadas por essa saída de sua área de conforto para aumentar seus conhecimentos em conduzir pesquisa cientifica foram resolvidas pelo Juares com muito esforço e elegância. Com seu sotaque carregado do oeste catarinense ele sempre aparecia para compartilhar um gesto de reverência que eu nem me sempre sentia merecedor, e jamais para reclamar do excesso de matéria ou das múltiplas formas de avaliação que eu impunha.

Depois de concluir o seu doutorado em Produção Vegetal na própria Uenf, tive a oportunidade de encontrá-lo umas poucas vezes, sempre recebendo dele a mesma reverência e fineza de trato. 

A morte do Juares Ogliari certamente será uma enorme perda familiar dadas as circunstâncias em que ocorreu. Mas essa perda certamente se estenderá a seus colegas de trabalho do Instituto Federal Catarinense e do Instituto Federal Fluminense, seus estudantes e todos aqueles com quem ele generosamente compartilhava o conhecimento que acumulou graças a um esforço pessoal colossal.

Que ele seja lembrado como o ser humano generoso e solidário que sempre foi.

Rest in Peace, Juares Ogliari.


[1] https://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/universitario-confessa-matar-tio-e-ferir-avo-de-86-anos-em-festa-de-familia-no-oeste-diz-policia.ghtml

Suicídio é Desistir. Greve de Fome é Resistir

trip-262-policiais-header

Foto: Colagem com fotos Lambert/Getty Images e O Globo

Por Ruben Rosenthal*

Não a conhecia. O nome dela era Lígia Maria Passinat, professora estadual aposentada. Morava em São Fidélis, estado do Rio de Janeiro. Estava com câncer, e no começo de dezembro, em desespero, desistiu de resistir e ateou fogo ao próprio corpo. Estava com os proventos atrasados há vários meses, da mesma forma que boa parte dos funcionários públicos ativos e aposentados do estado. A notícia foi publicada apenas nos blogues da resistência ao golpe.

Vários outros suicídios de funcionários públicos e aposentados já teriam ocorrido nos últimos meses, passando despercebidos da população. Quantas outras mortes resultaram da falta de acesso a medicamentos e tratamento nos hospitais públicos, bem como da violência nas ruas, com o agravamento da crise econômica? Incluam-se ainda os despejos, corte de serviços básicos por falta de pagamento, endividamento, e inúmeras outras situações degradantes, que só quem está passando por elas é que pode descrever o pesadelo. Será necessário esperar por uma pesquisa em universidade estadual, se UERJ, UENF e UEZO não forem privatizadas antes, para se descobrir qual foi o saldo nefasto da política econômica do atual governo federal?

A ordem de comando vem de Brasília, enquanto nos governos estaduais estão os apoiadores, seja por fraqueza ou conivência. O ministro da fazenda manteve-se inflexível e insensível ao drama que os fluminenses atravessaram ao longo de 2017. Está sendo o Rio um laboratório para as experiências do ministro Meirelles, no intuito de determinar o limite da degradação econômica e social que o trabalhador brasileiro pode suportar antes de se rebelar? Os suicídios entram no relatório do experimento como danos colaterais?

Qual estado será a próxima bola da vez? A dívida dos estados com a União só faz crescer, apesar das dezenas de bilhões de reais que já foram pagos de amortização (J.C. Assis, GGN), como nos antigos contratos da Caixa Econômica, em que o mutuário, por mais que pagasse as prestações, continuava a dever mais que o preço do imóvel novo. Nós, cidadãos do Rio e do país, somos reféns das políticas de destruição da infraestrutura estatal de atendimento à saúde, educação, segurança e do patrimônio científico e cultural da nação. Tudo em prol de uma privatização que atende principalmente aos interesses do capital internacional. O empresário nacional se satisfaz com os ganhos a obter com as reformas econômicas encaminhadas por Meirelles. O papel que está sendo reservado ao país na economia global é o de ser celeiro agrícola do mundo e fornecedor de outras commodities, com o petróleo e minérios.

Alguém será responsabilizado criminalmente pelas decisões e omissões que resultaram em sofrimento e mortes no Rio de Janeiro? Bastariam as assinaturas do ministro e do Secretáriode Fazenda do Estado, Gustavo Barbosa, para garantir a entrada de recursos para pagamento de salários atrasados e aliviar os aspectos mais agudos da crise na saúde pública. Ao contrário, a opção foi de liberar verbas bilionárias para garantir a permanência de Temer na presidência  da república e a aprovação das reformas trabalhista e da previdência, em detrimento da massa de assalariados.

A justiça, cada vez mais cega, deveria ter impedido, no mínimo, o corte no fornecimento de luz e água devido às inadimplências, bem como não ter permitido que a crise no pagamento dos salários se arrastasse por tanto tempo. Caberia agora obrigar o Secretário Barbosa a pagar juros e correção monetária pelos atrasos. O sentimento atual dos servidores e aposentados é um misto de insatisfação, revolta e impotência pela situação de humilhação que está sendo imposta, e da incapacidade de se fazer reverter este quadro.

Os sindicatos estaduais não conseguiram se opor às condições impostas pelo ministro para que o Estado obtivesse empréstimo para pagar os salários atrasados. A atuação dos mesmos tem se pautado agora no apoio emergencial, oferecendo cestas básicas, empréstimos e apoio psicológico, sem dúvida muito necessários, mas a capacidade de combate está amortecida.

Pode ser que com a assinatura do empréstimo do Banco BNP Paribas, o pagamento dos salários atrasados seja plenamente efetivado, vindo a aliviar as tensões e, com isto, diminuir os protestos. Ou talvez não, pois mais surpresas desagradáveis podem vir em 2018. A questão da dívida pública continuará premente, pelo dreno infindável dos recursos financeiros que poderiam resolver a questão da crise na saúde.

Resta a esperança que nossos representantes eleitos façam mais que o uso da vibrante oratória, que contra uma maioria constituída principalmente por interesses escusos, pouco ou nenhum efeito surte. Estes representantes precisam liderar a resistência da população do Rio à política de desmanches ordenada por Brasília.

Em primeiro lugar, não podemos esquecer de Lígia Maria Passinat e daqueles que não conseguiram resistir às provações e privações. Para os que acreditam na imortalidade da alma, estendam suas preces neste final/início de ano para o repouso dos que viveram seus últimos momentos em tormento. Mas seria imperdoável que estas mortes fossem em vão; precisam abastecer o combustível da reação. Alguma forma eloquente de homenagem e denúncia deveria ser organizada pelos nossos parlamentares. E, a partir daí, eles precisariam adotar medidas mais efetivas de protesto para mobilizar a população anestesiada.

Uma velha forma de luta, que a História já comprovou ter um imenso potencial mobilizador, capaz de colocar o opressor na defensiva, é a greve de fome. Os parlamentares representantes do Rio, incluindo deputados estaduais, federais e senadores, precisariam deixar suas respectivas zonas de conforto e entrar em greve de fome, com uma pauta objetiva, que deveria minimamente incluir: regularização do pagamento dos funcionários públicos e aposentados, verbas emergenciais para a saúde, auditoria e renegociação da dívida pública do estado do Rio com a União. Como esta última reinvindicação é de interesse também dos outros estados, os governadores e parlamentares que não forem coniventes com a politica do governo Temer, terão interesse em apoiá-la. O movimento poderá, então, tornar-se nacional.

Trata-se de um movimento que deve ser necessariamente supra-partidário. O local para o protesto pode ser o gabinete do parlamentar ou, melhor ainda, um salão comunal, onde poderão ocorrer adesões, sejam de mais parlamentares, de personalidades com conhecido envolvimento nas causas populares, de servidores públicos ou mesmo do cidadão que queira protestar contra as péssimas condições da saúde no estado. Se o protesto se iniciasse com o cidadão comum haveria o risco de inanição antes da notícia da greve de fome conseguir furar o bloqueio da imprensa golpista. O fundamental para aqueles que quiserem aderir à greve de fome é dispor de boa saúde, devendo haver no local infraestrutura adequada e acompanhamento médico permanente.

Com a greve e a mobilização que ela tem o potencial de trazer, se for adequadamente encaminhada, a corda vai esticar até o limite de ruptura, dando um cheque-mate no governo. Fora desta opção de resistência e luta, a alternativa seria ficar esperando por 2018, na expectativaincerta de se conseguir eleger um presidente comprometido com as causas populares. Mas, até lá, danos irreversíveis ao Rio e ao país já terão ocorrido, além de mais mortes que poderiam ser evitadas. Estamos atravessando um momento difícil da História do país que requer decisões difíceis.

Alguns cidadãos resolveram não esperar pela iniciativa de parlamentares ou personalidades, e estão tentando organizar um movimento coletivo de greve de fome, com início provável a partir de 10 de janeiro de 2018, defronte ao TRF-4, em Porto Alegre. A primeira demanda que consta da pauta é a absolvição de Lula, com o reconhecimento de sua honradez pelos juízes. São incluídas mais sete demandas, que, se alcançadas, representariam a completa redenção social do Brasil. Talvez os parlamentares da oposição que não sejam do PT hesitem em aderir a um protesto em prol de Lula. Mas o que está em questão não é Lula, o Homem, e sim Lula, o Mito que ele representa para um povo que precisa resgatar a dignidade e que acredita nele, queiram ou não seus detratores e os que não simpatizem com ele ou com o PT.

Sobre o recurso à greve de fome, vale recordar alguns exemplos da História contemporânea.  Ghandi dobrou com sua força de vontade o poder imperial da Inglaterra, então potência ocupante do subcontinente indiano. As sufragistas desafiaram o poder constituído do Reino Unido há cerca de cem anos, na luta pelo direito de voto nas eleições para o parlamento. Derrotas também ocorreram. Embora o uso da greve de fome seja um recurso legítimo e extremo a que uma pessoa pode recorrer na denúncia de situações de injustiça a que esteja sendo submetida, esta forma de protesto assume um nível de grandeza que transcende o ego, as falhas e fraquezas humanas quando é realizada em prol de terceiros, beirando o mítico, como no caso de Ghandi. E quando realizada por um coletivo de indivíduos, cada qual fazendo uso de seu livre arbítrio, o poder transformador aumenta de forma exponencial.

*Ruben Rosenthal é professor aposentado da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf)

FONTE: https://jornalggn.com.br/noticia/suicidio-e-desistir-greve-de-fome-e-resistir-por-ruben-rosenthal

ADUENF lança vídeo para promover defesa da UENF

uenf sos

A Associação de Docentes da Universidade Estadual do Norte Fluminense (ADUENF) fez hoje o lançamento público de um vídeo de divulgação para promover e ampliar a defesa da instituição que hoje se encontra sob forte ataque do (des) governo Pezão. Com esse vídeo, a ADUENF sinaliza a disposição de continuar avançando sua agenda de defesa incondicional do caráter público e gratuito da Uenf.

Com este tipo de material de divulgação a ADUENF procura ainda suprir a conhecida capacidade das diferentes administrações que ocuparam a reitoria da Uenf a partir de 1999 de fazer a devida publicização das grandes realizações alcançadas ao longo de seus 24 anos de existência.

E que em 2018 possamos todos estar unidos na defesa do patrimônio público que a Uenf efetivamente é.

Com PEC 47 parcial aprovada, reitorias prometem paraíso para 2020. Será que aguentamos até lá?

pec2

A PEC 47 que foi aprovada no dia de ontem já foi publicada na edição do Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro (DOERJ) desta 6a. feira (22/12). Mesmo antes de sua publicação, as reitorias da Uenf e da Uerj já se apressaram a apontar que a partir de agora pelo menos 25% do custeio das duas instituições estará garantido, visto que o pagamento de salários de seus servidores continuará a cargo da Secretaria Estadual de Fazenda e Planejamento (Sefaz).

Primeiro que se este fato fosse verdade, isto estaria mais para praga do que para benção. É que observarmos os abusos que foram cometidos pelo (des) governo Pezão na área de salários e outros direitos trabalhistas dos servidores, alegar que o mínimo será usado exclusivamente com o custeio das universidades é meio como jogar a família inteira num lago cheio de crocodilos famintos.

Mas o problema é que se olharmos o texto aprovado, inclusive com o voto da base governista na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, não será encontrada nenhuma indicação de que o uso dos 25% se refere apenas às despesas de custeio (ver texto final da PEC logo abaixo).

pec 47 publicada

O fato é que não há no texto final da PEC 47 qualquer menção ao uso exclusivo dos recursos disponibilizados para despesas com custeio. Assim, como as folhas salariais precisam ser honradas mensalmente, é bem provável que o impasse entre as reitorias e a Sefaz comece logo no mês de janeiro. Obviamente, as reitorias das universidades estaduais poderão até jogar uma roleta russa e tentar fazer apenas o pagamento de despesas que não incluam salários e direitos atrasados, mas esta seria uma jogada arriscada. 

Agora,  um problema fundamental com o texto final da PEC 47 é que tudo está atrelado à dotação aprovada pela Alerj, sem que haja a separação de, por exemplo, uma porção do recolhimento do ICMS como foi feito no caso das universidades paulistas. Assim, bastaria a Sefaz cortar o orçamento das universidades estaduais pela metade em 2019 para que o sufoco que se avizinha em 2018 seja repetido. É que sem qualquer lastro orçamentário específico, essa ferramenta de asfixia poderá ser usada livremente pelo (des) governo Pezão.

Diante desse cenário, em minha modesta opinião, os servidores das universidades estaduais terão que estar de prontidão para pressionar as reitorias para usem o mínimo de 25% que será repassado pelo (des) governo Pezão para aliviar e não agravar a crise financeira que vivemos em 2016 e 2017. Do contrário, a PEC 47 se mostrará aquilo que já alertei que poderia ser: um cavalo de Tróia.  Resta saber se as associações de docentes e o Sintuperj (que representa os interesses dos servidores das universidades estaduais) vão estar à altura do desafio que se colocou no horizonte no momento em que se aceitou a implantação incremental da PEC 47 e, pior, sem o devido lastro financeiro que impeça expedições punitivas do (des) governo Pezão.

Diante deste cenário é que fica dúvida sobre a capacidade de aguentarmos esperar pela chegada do paraíso prometido pelas reitorias até 2020. Bom, que venha 2018 e que estejamos bem preparados para defender os nossos direitos. Do contrário, o destino que nos aguarda não será nada glorioso.

PEC 47 parcial será derrota histórica para as universidades estaduais

uenf 1

 

Nesta próxima semana será votada a chamada PEC 47 que deveria assegurar nossa sobrevivência, mas que poderá se transformar na pá de cal que faltava para essa jovem instituição ser desmantelada a partir da imposição de uma maior asfixia financeira.

É que seguindo uma proposta fabricada pela base do (des) governo Pezão na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, a proposta que será votada não é a que foi discutida e apoiada pela Associação de Docentes da Universidade Estadual do Norte Fluminense (ADUENF), mas uma que imporá um duro cerco financeiro às universidades estaduais em 2018 e 2019.

O fato é que a versão da PEC 47 parcial deixará o (des) governo Pezão com a obrigação de distribuir um “mínimo de 33%” para ordenação direta em 2018 e um “mínimo de 66%” em 2019, para apenas prever a entrega de 100% em 2020.

Assim, já que o orçamento anual da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf)  é consumido por algo em torno de 70% com o pagamento de salários, em 2018 vão faltar algo em torno de 37% se a PEC 47 parcial for aprovada. Em termos práticos, o (des) governo Pezão poderá nos pagar apenas 4 ou 5 salários se assim o desejar!

Mas a coisa poderá piorar ainda mais se as reitorias decidirem ser “espertas” e usar o mínimo de 33% só com o custeio. Aí a possibilidade de que o (des) governo Pezão dê um calote generalizado nos salários de professores e servidores será ainda maior.

Um aspecto particularmente notável é que essa versão parcial da PEC 47 e seus possíveis efeitos não motivou a convocação de uma reunião extraordinária dos conselhos universitários das três universidades estaduais (Uenf, Uerj e Uezo) ! É como se os reitores chamassem para si a aceitação disso que poderá ser a chancela parlamentar para a não entrega dos recursos alocados pela própria Alerj para as universidades!

Por essas e outras é que tenho defendido na diretoria da ADUENF que nosso sindicato não chancele essa versão parcial da PEC 47. É que está mais do que claro que em 2018 a ADUENF terá que seguir resistindo ao processo de desmonte que está sendo aplicado pelo (des) governo Pezão e, muito provavelmente, terá que lutar internamente pela priorização do uso do mínimo de 33% para o pagamento de nossos salários.

Finalmente, esse golpe da base do (des) governo Pezão na PEC 47 tem que ser energicamente denunciado e não celebrado como querem alguns. Se não denunciarmos essa manobra vai ficar difícil explicar para a população e para que nos apoia o porquê da manutenção da posição de enfrentamento que teremos de adotar para impedir a imediata privatização da Uenf que é o que essa PEC 47 parcial efetivamente significa.

PEC 47 parcial: Deputado Bruno Dauaire dá informação pela metade

O jovem deputado Bruno Dauaire (PR) usou a sua página oficial no Facebook para celebrar a possível aprovação da PEC 47 que deveria trazer algum alívio para a grave crise financeira em que se encontram as universidades estaduais, clamando para si a primazia da proposição da mesma (ver figura abaixo).

dauiaire pec 47

O que Bruno Dauaire “esqueceu” de informar aos seus seguidores no Facebook é que a versão que será aprovada é a PEC 47 parcial engendrada pelos deputados que apoiam o (des) governador Luiz Fernando Pezão, a qual em vez de resolver, deverá agravar os problemas já vivenciados pela Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) da qual se diz um defensor.

Como já o informei pessoalmente da posição contrária da Associação de Docentes da Uenf (Aduenf) a aceitar que em 2018 o (des) governo Pezão seja obrigado a repassar apenas um “mínimo de 33%” do orçamento aprovado pela Alerj para a Uenf, ele não pode se fazer de desentendido acerca do fato.  Nisso chega às beiras da enganação pura ele usar uma fotografia com uma imagem da Aduenf, pois ele sabe que a nossa associação não concorda com a PEC 47 sendo implantada de forma parcial.

A questão é que ao apresentar algo como sendo seu e, o pior, como uma vitória, o que o jovem deputado sanjoanense faz é jogar água no moinho da destruição da Uenf e das demais universidades estaduais do Rio de Janeiro.

Diante disso, não tenho mais notar a fazer do que constatar que com uma oposição como essa, o (des) governo Pezão nem precisa de apoio da sua base dentro da Alerj. Já no caso da Uenf pode-se dizer que com amigos como esse, nem precisamos de inimigos.

Notícias da Aduenf: ADUENF apresenta reservas à implantação parcial da PEC 47

 

A diretoria da ADUENF, por meio de sua presidente e tesoureiro,  apresenta no vídeo abaixo uma série de reservas à proposta de implantação parcial dos duodécimos para as universidades estaduais (33%, 66% e 100%) entre 2018 e 2020 por meio de um novo texto para a PEC 47.

A avaliação é que na formulação alterada pela Alerj, a PEC 47 dará uma chancela parlamentar ao processo de asfixia financeira que está imposto pelo governo Pezão na medida que só seria obrigatório o repasse de um mínimo de 33% do orçamento aprovado para a UENF funcionar em 2018.

A posição da ADUENF é clara: a PEC 47 só será eficaz para resolver a grave crise financeira imposta às universidades estaduais se constar a obrigatoriedade do repasse de 100% do orçamento definido pela Alerj.

FONTE: http://aduenf.blogspot.com.br/2017/12/aduenf-apresenta-reservas-implantacao.html

Uma eulogia para Flávio Miguens

miguens

A morte é para a maioria das pessoas é um tabu, ainda que exista quem acredite que haverá um pós vida após o encerramento da passagem de cada indivíduo pela Terra.  Por isso, é sempre difícil falar da morte de alguém com que se conviveu por algum tempo, especialmente se quem morreu deixou algum tipo de traço marcante nas vidas dos que seguem vivos.

Certamente esse é o caso do professor Flávio Costa Miguens, uns dos fundadores da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), que faleceu neste final de semana após mais de uma década de resistência contra o câncer. Miguens era daquele tipo de pessoa que nunca aceitou ser ou viver pela metade, e que deu sempre o seu máximo para viver da forma que escolheu viver.  Foi assim enquanto chefe de laboratório, diretor de centro, ou simplesmente participando das assembleias da Aduenf da qual foi o primeiro presidente.

Apesar de não me incluir no círculo íntimo de amigos dele; conheci, convivi e discordei muito de Flávio Miguens nos diferentes embates que ocorreram sobre o melhor caminho para consolidar a implantação da Uenf  e que aconteceram desde que aqui cheguei no início de 1998.  E até por isso que ele era um daqueles personagens com que era bom se defrontar, pois Miguens sempre trazia uma forte carga de crítica, mas também de humor cáustico, aos enfrentamentos dos quais escolhia participar. Com ele não havia nada pela metade, fosse no amor ou na guerra. E isso nos dias atuais não é pouca coisa.

Além disso, sempre considerei que ele sempre ofereceu a melhor face de si quando se tornou pai e optou por um modelo de criação em que não apenas exigia o máximo do se filho, mas tentava oferecer a mesma quantia do que havia exigido em retorno. Nisso, falei publicamente uma vez que ao olhar para seu filho André era possível ver nele expressas todas as grandes qualidades que Flávio Miguens poderia nos oferecer como ser humano. Imperfeito como todos nós, mas, sobretudo, um apaixonado pela vida e pelos que ele amava.

No plano da Uenf, a partida de Flávio Miguens não poderia vir em pior momento já que nos ressentimos de um longo inverno de abuso e desrespeito por parte do governo Pezão. Isto sem falar no fato de que também perdemos o professor Pedro Lyra que faleceu em consequências de um infarto. Não foi por outra coisa que Miguens participou ativamente da quase todas as assembleias que ocorreram ao longo deste semestre, muitas vezes se colocando em posições contrárias àquelas que eu defendi. Mas invariavelmente após as assembleias serem encerradas, ainda arrumávamos tempo para um dedo de prosa amigável, uma tônica na nossa interação nesses quase 20 anos de convívio.

Lamentavelmente, Flávio Miguens é outro servidor público do Rio de Janeiro que morre com vários salários por receber. Essa situação é uma desonra a mais que recairá sobre o (des) governo Pezão e seus apoiadores. É que pessoas como Flávio Miguens que deram boa parte de sua vida para construir instituições públicas não merecerem o tipo de tratamento  que receberam por parte um (des) governo tão incompetente e tão inimigo dos servidores e da população que dependem mais dos serviços públicos.

Mas como um colega já escreveu na lista privada que os professores da Uenf usam para se comunicar que a forma de tratamento dispensado a Flávio Miguens pelo (des) governo Pezão seja um incentivo a mais para que continuemos lutando para fortalecer cada vez mais a defesa da Uenf. É que para Flávio Miguens, a Uenf e as utopias que ela incorpora eram extremamente importantes. Por isso, nada melhor para honrar as melhores qualidades e sonhos de Miguens do que evitar a destruição da universidade que ele ajudou a dar os primeiros passos.

Descanse em paz Flávio Miguens!