Anthony Garotinho e sua coleção pessoal de “Inspetores Javert”

Quem me conhece minimamente sabe que não estou nem próximo política ou pessoalmente de Anthony Garotinho.  Aliás, ao longo dos anos tive embates com ele ou sua esposa, a ex-governadora Rosinha Garotinho, por questões relacionadas ao financiamento da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), as quais geraram uma série de querelas. Entretanto, tendo negociado diretamente com Anthony Garotinho sobre questões pertinentes à minha condição de diretor da Associação de Docentes da Uenf (Aduenf) pude perceber que ele é um político capaz de pensar com agilidade e negociar questões com as quais, em princípio, ele tem posição totalmente antagônicas. E, mais, os acordos foram mais cumpridos do que descumpridos, o que em se tratando de política brasileira, não é pouca coisa.

Por isso, vejo com alguma curiosidade toda sorte de ataques pessoais vindos de pessoas que em mais de uma coisa se beneficiaram do peso político de Anthony Garotinho, tendo ocupado cargos no executivo ou no legislativo apenas e simplesmente porque haviam sido ungidos por ele.  O mais curioso é que ao longo dos anos vi vários personagens se aproximarem e se afastarem de Anthony Garotinho sem o menor pudor, mesmo após terem sido duramente atacados por ele ou tendo duramente atacado a ele.  Na imensa maioria dos casos, esses que podem ser chamados de “ex-amigos” não se afastaram de Anthony Garotinho para terem vidas mais probas ou para se encaminharem para um espaço mais à esquerda dele.

Nada disso, o que esse grupo numeroso de ex-amigos transformados em inimigos figadais tem feito é abraçar políticos de direita e a se envolverem em situações nada lustrosas do ponto de vista da apropriação da coisa pública. Como resultado, esses ex-amigos acabam se transformando em ressentidos profissionais atribuindo a Anthony Garotinho as piores patologias, sejam elas morais ou de natureza psicológica. O interessante é que nunca ouvi deles menções ou mesmo entrega de provas documentais que corroborem os ataques que fazem. É como que se as palavras desses ressentidos tivesse valor por elas mesmas.  Em suma, cometem atos tão ou mais graves dos quais se ressentem de ter sido supostas vítimas pelas mãos de Anthony Garotinho

Mas o que realmente me interessa nesse ciclo de “amor e ódio a Garotinho” é que esses ‘ex-amigos” fazem o jogo óbvio de contribuir para disseminar o ódio e a intransigência de classe, colocando na imagem de Anthony Garotinho o papel de manipulador dos mais pobres para fins eleitorais com o objetivo explícito de demonizar as políticas sociais aos quais ele se associou na maior parte de sua vida política. O que nenhum deles diz é que saindo da área de influência do ex-governador, as práticas que eles ostentam não são nada melhores e, não raro, piores. E, sim, muitos são flagrados usando táticas iguais ou ainda piores para arrebanhar votos, ainda que sem sofrer a mesma sanha investigativa dos órgãos de controle.

Guardadas as devidas proporções, esses personagens paroquiais cabem perfeitamente no personagem Inspetor Javert  do romance “Os miseráveis” do escritor francês Victor Hugo. Aliás, a única diferença parece ser mesmo que Javert se suicidou pulando no Sena. Já os Javert locais vão ter mesmo que usar o velho e castigado Paraíba do Sul caso queiram encerrar prematuramente sua existência terrena. Mas no tocante ao ressentimento, nisso os Javert campistas são insuperáveis. 

 

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