Reunidos em assembleia, professores da Uenf aprovam atividades de resistência e pedido de impeachment do (des) governador Pezão

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Reunidos em assembleia na tarde desta 4a. feira, os professores da Universidade Estadual do Norte Fluminense avaliaram e aprovaram uma série de atividades para avançar o processo de luta contra o ataque que vem sendo realizado contra as universidades estaduais pelo (des) governo Pezão.

Uma das decisões se refere à realização de uma atividade que permitirá a que a população do Norte e Noroeste Fluminense, em especial a da cidade de Campos dos Goytacazes, possa ver de perto os projetos de pesquisa e extensão que estão sendo realizados na Uenf.

Os professores também decidiram que irão participar dos atos que estão sendo convocados pelo MUSPE para derrubar o pacote de maldades do (des) governo Pezão que inclui a privatização da CEDAE e a redução de salários.

A principal decisão política da assembleia foi a aprovação da preparação do pedido de impeachment do (des) governador Luiz Fernando Pezão por causa dos seus atos destrutivos contra a Uenf e as universidades estaduais.

Finalmente, os professores também decidiram manter o estado de greve como uma sinalização da sua disposição de lutar contra o projeto de desmanche das universidades estaduais pelo (des) governo Pezão.

Após a tomada dessas decisões, várias comissões foram formadas para implementar as decisões aprovadas na assembleia.

A Uenf resiste!

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Dificuldades financeiras obrigam Uenf a postergar início de aulas para Março

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Em reunião extraordinária realizada na tarde desta 3a. feira (31/01), o Conselho Universitário (CONSUNI) da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) decidiu tomar uma medida altamente responsável e postergou o início do segundo semestre letivo de 2016 para o dia 06 de Março. Neste dia também deverão ser iniciadas as aulas referentes ao primeiro semestre letivo de 2017.

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Essa decisão inédita foi causada pela total falta verbas de custeio que hoje deixam a Uenf sem quaisquer condições de iniciar suas atividades acadêmicas.  Uma comissão especial do CONSUNI foi criada para organizar o esforço inédito que será a realização simultânea de dois semestres letivo, e impedir quaisquer prejuízos aos estudantes da Uenf.

Há que se lembrar que a Uenf não recebe verbas de custeio desde o longínquo mês de Outubro de 2015 e, por causa disso, a instituição esteja hoje desprovida de serviços de segurança e jardinagem, e corre o risco de ficar também sem os de limpeza.

Tudo isso é fruto de uma política deliberada de falência programada que o (des) governo está aplicando às três universidades estaduais do Rio de Janeiro (Uenf, Uerj e Uezo).

Essa decisão, porém, só posterga o problema, e continua sendo essencial que as atividades de resistência que já estão sendo realizadas sejam fortalecidas e apoiadas não apenas pela comunidade universitária da Uenf, mas também pela sociedade fluminense, em especial a população das regiões Norte e Noroeste que são aquelas que mais dependem do bom funcionamento da Universidade do Terceiro Milênio.

Agora é importante que todos se lembrem da responsabilidade do (des) governador Luiz Fernando Pezão na condição para lá de precária em que a Uenf e as suas co-irmãs foram colocadas.

Para participar do processo de defesa da Uenf, um caminho é difundir a existência da comunidade virtual criada na rede social Facebook para divulgar a situação em que a universidade se encontra (Aqui!)

Quem cuidará da segurança para que a Uenf possa continuar funcionando?

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As diversas unidades da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), a começar pelo campus Leonel Brizola em Campos dos Goytacazes, estão basicamente deixadas à mercê do imponderável quando a coisa se trata de proteger sua comunidade e sua infraestrutura física.

A coisa começou a azedar no segundo semestre de 2016 quando cansados de trabalhar sem receber os segurança patrimoniais que ainda garantiam um mínimo de controle dentro da Uenf resolveram, corretamente diga-se de passagem, abandonar seus postos.

Além disso, os policiais militares ligados ao programa de complemento salarial conhecido como Programa Estadual de Integração na Segurança (PROEIS) que atuavam dentro do campus Leonel Brizola foram retirados pela própria Polícia Militar em função da falta do repasse financeiro devido pelo “bico oficial” que eles prestavam à Uenf.

Desde então, e lá se vai mais de meio ano, a Uenf funciona com o apoio de visitas ocasionais de rádio patrulhas e de policiais militares colocados em pontos estratégicos do lado externo do campus Leonel Brizola.

Em suma, as pessoas que trabalham e estudam na Uenf vem vivendo uma situação que beira o caos, visto que dada a grave crise social e econômico que o Brasil atravessa, o nível de violência vem aumentando sensivelmente. E as cidades do Norte/Noroeste Fluminense onde a Uenf atua não são exceção.

Felizmente até agora tivemos “apenas” alguns de atos de vandalismo e o roubo de 10 trinca ferros que estavam hospedados numa unidades experimentais do Laboratório de Ciências Ambientais (LCA) no campus Leonel Brizola. Assim, apesar de lamentáveis, essas ocorrências não implicaram em atos de violência contra pessoas. Isso até agora, pelo menos.

Essa situação gerou  e está gerando um compreensível estado de apreensão na comunidade uenfiana, especialmente para os que precisam estar no interior da universidade no período noturno, como é o caso dos professores e dos alunos dos cursos de licenciatura.

O interessante nisso tudo é que a Uenf é sempre prioridade nos discursos dos políticos, mas quando uma coisa drástica como essa ninguém aparece para oferecer soluções.  Até parece que a universidade não é uma das principais ferramentas de desenvolvimento que o interior norte do estado do Rio de Janeiro possui. Aliás, o que dizer da importância econômica, cultural e social da Uenf para a cidade de Campos dos Goytacazes?  

Mas passado quase um mês do início de seu mandato, o jovem prefeito de Campos, Rafael Diniz, ainda não deu qualquer passo no sentido de estabelecer algum tipo de apoio da Guarda Civil Municipal na Uenf.   E certamente não foi por falta de conhecimento da grave financeira que o (des) governo Pezão vem impondo à universidade.

Nesse sentido, é interessante lembrar que na visita realizada ao campus Leonel Brizola, pelo então eleito prefeito de Campos,  Rafael Diniz declarou que “cuidar da UENF é um dever de todo cidadão campista. Vocês acabam de demonstrar aqui que há uma infinidade de projetos prontos para serem colocados em prática. Só falta mesmo vontade política. Quero estar presente na UENF e a UENF vai estar presente no nosso governo. Quero vocês dentro da Prefeitura” (Aqui!).

Bom, prefeito Rafael Diniz, que tal começar a cuidar da Uenf, começando pelo problema da segurança? É que sem ela, vai ser difícil a universidade voltar a um mínimo de normalidade. 

Vamos lá prefeito, a Uenf conta com o senhor, e espera que a ajuda não venha apenas depois que alguma coisa muito grave acontecer!

Reitoria posterga reinício de aulas e convoca reuniões para discutir situação da Uenf

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Colocada sob condições de extrema precariedade pelo (des) governo do Rio de Janeiro, a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) terá o reinício de suas aulas postergado, em princípio pelo menos, para o dia 06 de Fevereiro de 2016, conforme carta assinada pelo reitor Luís Passoni e publicada no final da tarde desta 3a. feira (2r/01) na página oficial da instituição

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Além disso, haverá uma reunião extraordinária do Colegiado Acadêmico (Colac) no dia 30 de Janeiro e uma sessão do Conselho Universitário (Consuni), aberto à comunidade universitária, no dia 31 de Janeiro para discutir a situação em que a Uenf foi colocada pelo (des) governo Pezão.

Pessoalmente considero a decisão de postergar o reinício das aulas acertado, visto a total falta de serviços essenciais no interior do campus Leonel Brizola neste momento, fruto da sabotagem financeira imposta pelo (des) governo Pezão.

Mas espero que as reuniões que serão realizadas, especialmente a do Consuni, sirvam para ampliar o processo de resistência que já está ocorrendo nas redes sociais. A Uenf é importante demais para ser relegada à precária condição em que foi colocada pelo (des) governo Pezão sob a batuta concordada do secretário Gustavo Tutuca.

Superaumentos para barcas e trens e falência programada das universidades estaduais: entenda o modus operandi do (des) governo Pezão

Os jornais “EXTRA” e “O GLOBO” fizeram nesta terça-feira (24/01) uma dobradinha que ajuda até o mais ingênuo dos habitantes do Rio de Janeiro a entenderem o modus operandi do (des) governo Pezão: enquanto uma mão coloca tudo nos cofres das corporações, a outra tira tudo do serviço público que é deixado à mingua para eventual privatização.

Primeiro, comecemos com a capa do jornal “EXTRA” que nos informa que o (des) governo Pezão vai conceder parrudos aumentos de 21% e 13% de aumento nas tarifas de barcas e trens, respectivamente, sob a alegação de que as empresas concessionárias “estão mal das pernas”.

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Não custar lembrar que tanta a “Barcas S/A” e a “SuperVia” não apenas são duas das beneficiárias da farra fiscal promovida pelos (des) governos de Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão, mas também possuem outros mimos que são bancados com o dinheiro do contribuinte. Agora, sob a alegação de baixas margens de lucro, o (des) governo Pezão dá esses superaumentos.  Melhor faria se examinasse com lupa os livros contábeis e as práticas operacionais destas duas empresas que possuem a fama de serem péssimas prestados de serviços. Mas não, em vez de fiscalizar, o (des) governo Pezão continua tratando as duas empresas de forma generosa, muy generosa.

Agora, vamos à matéria do “O GLOBO”, assinada pelo jornalista Rafael Galdo, para vermos que no caso das universidades estaduais tudo o que não há por parte do (des) governo Pezão é generosidade. Aliás, o que a matéria mostra claramente é que está ocorrendo uma espécie de falência programada das universidades, já que o (des) governo Pezão deve hoje em torno de R$ 402 milhões à Uenf, Uerj e Uezo (Aqui!). 

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As consequências desta falência programada são abordadas com clareza na matéria do ‘O GLOBO” , entre elas a ameaça de que as universidades não possam sequer iniciar seus semestres letivos por absoluta falta de recursos.

Na verdade, o que é revelado com clareza nesta diferença de tratamento dispensada pelo (des) governo Pezão a concessionárias e universidades estaduais é o modus operandi do (des) governo Pezão. E esse modus operandi é claramente de uma receita ultraneoliberal que coloca todas as energias em fortalecer as corporações privadas em detrimento de investimentos em áreas estratégicas como é o caso do ensino superior público e, por consequência, no desenvolvimento científico e tecnológico de médio e longo prazo do Rio de Janeiro.

É essa forma de distribuir recursos públicos que precisa ser denunciada de maneira firme e sem rodeios. É que, como mostra um artigo do jornalista Herton Escobar que acaba de ser publicado pela revista Science  (Aqui!), o risco que corremos no Rio de Janeiro é de perder grupos de pesquisas inteiros em função da evasão de cérebros cansados das incertezas geradas pela receita ultraneoliberal do (des) governo Pezão.

Assim, não basta resistir, há que se partir para a ofensiva contra a falência programada das nossas universidades estaduais, patrimônio da população do Rio de Janeiro.

Movimento de defesa da Uenf e suas razões estratégicas

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Abaixo posto um vídeo que foi criado para fortalecer o movimento em defesa da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) que, como as outras universidades estaduais fluminenses (Uerj e Uezo), se encontra sob um ataque avassalador por parte do (des) governo comandado por Luiz Fernando Pezão.

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Este vídeo não existe

Mas o mais importante do conteúdo desse vídeo não é denunciar a condição precária que foi criada dentro das universidades estaduais para, muito provavelmente, depois privatizá-las sob a alegação de que o estado não possui condições financeiras de financiar suas atividades de ensino, pesquisa e extensão.

Para mim o elemento mais importante que este vídeo traz é realçar as contribuições essenciais que universidades públicas trazem não apenas no plano material com suas pesquisas que podem dinamizar a vida econômica, mas sim no plano da transformação das pessoas que por elas passam.

Assim, o crime que está sendo cometido contra a Uenf e contra suas co-irmãs Uerj e Uerj é de inviabilizar a existência de espaços públicos fundamentais não apenas para gerir novos processos produtivos, mas também de modelagem da capacidade crítica e criativa de que precisamos para alçar o Rio de Janeiro, e o Brasil por consequência, do profundo atraso social em que ainda se encontra em pleno Terceiro Milênio.

Por essas razões é que vamos resistir e defender a existência da Uenf, da Uerj e da Uezo. O (des) governo Pezão passará e as nossas universidades ficarão e cumprirão o seu destino manifesto.

Para quem quiser saber mais sobre o movimento de defesa da Uenf, basta clicar  (Aqui!)

Reitores das Ifes do RJ manifestam apoio às universidades estaduais

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Reitores das Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes) do Rio de Janeiro redigiram um texto em solidariedade a dirigentes e comunidades acadêmicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) e da Fundação Centro Universitário Estadual da Zona Oeste (UEZO). Estas instituições enfrentam uma grave crise pela falta de repasses financeiros por parte do governo do Estado, o que prejudica suas atividades de ensino, pesquisa e extensão. Por conta disso, os dirigentes das Ifes sediadas no Rio — entre eles a reitora da UFRRJ, professora Ana Maria Dantas — posicionaram-se em favor das estaduais, conclamando o governo “a uma efetiva ação de preservação desse patrimônio incalculável por elas representado, cumprindo o seu papel de provedor, com a responsabilidade que lhe foi confiada pela população”.

Leia, abaixo, o documento na íntegra.

Em defesa das universidades estaduais do Rio de Janeiro

Os Reitores das Instituições Públicas Federais de Ensino do Rio de Janeiro vêm a público externar a sua solidariedade aos dirigentes e à toda a comunidade acadêmica da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ, da Universidade Estadual do Norte Fluminense – UENF e da Fundação Centro Universitário Estadual da Zona Oeste – UEZO, em face à grave crise por que essas prestigiadas instituições vêm passando. A UERJ, com seus mais de sessenta anos de história, e a UENF, em quase 25 anos de funcionamento, têm propiciado uma contribuição relevante ao desenvolvimento da educação, com destaques nas diferentes áreas de conhecimento, o que as coloca em situação privilegiada no contexto das Universidades Públicas de nosso país. A UEZO, com uma história bem mais recente, tem oferecido à sociedade uma importante contribuição, sobretudo na área de formação tecnológica, em nível de graduação e pós-graduação, numa perspectiva de inserção regional em uma das áreas mais populosas da cidade do Rio de Janeiro.

A formação de profissionais altamente qualificados, a produção de pesquisa de ponta e a relevância de projetos de extensão realizados ao longo da história dessas Instituições encontram-se fortemente ameaçadas pela ausência de repasses financeiros por parte do Governo do Estado do Rio de Janeiro.

Educação, Ciência, Tecnologia e Inovação são estratégicos para o crescimento, desenvolvimento e soberania de uma Nação, o que significa que os investimentos públicos nessas áreas devem ser considerados prioritários, inclusive por permitir que a produção do conhecimento encaminhada à resolução de problemas econômicos e sociais seja um importante contributo à busca de soluções justas, em bases sustentáveis, para os graves problemas que se apresentam em nosso país.

Defender as Universidades Estaduais do Rio de Janeiro é defender os princípios fundamentais da nossa Carta Magna; é defender a história de milhares de jovens que se graduaram nessas Instituições e hoje contribuem para o progresso da Nação; é defender a dignidade de seus profissionais – professores e servidores técnicos – que oferecem à sociedade uma atuação pautada na dedicação e na qualidade do trabalho realizado e que, como tal, fazem jus à contrapartida que compete ao governo do Estado do Rio de Janeiro, através do pagamento da integralidade de seus salários. É defender os atuais estudantes que ingressaram nessas universidades em busca de uma formação que lhes permita atuar como profissionais e cidadãos e cuja materialidade depende dos investimentos financeiros em pessoal e em infraestrutura.

Com base nessas assertivas é que nos posicionamos em solidariedade às comunidades da UERJ, UENF e UEZO e conclamamos o governo do Estado do Rio de Janeiro a uma efetiva ação de preservação desse patrimônio incalculável por elas representado, cumprindo o seu papel de provedor, com a responsabilidade que lhe foi confiada pela população.

Estado do Rio de Janeiro, 19 de janeiro de 2017.

Ana Maria Dantas Soares – Reitora da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)

Carlos Henrique Figueiredo Alves – Diretor Geral do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (CEFET-RJ)

Jefferson Manhães de Azevedo – Reitor do Instituto Federal Fluminense (IFF)

Luiz Pedro San Gil Jutuca – Reitor da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO)

Oscar Halac – Reitor do Colégio Pedro II

Paulo Roberto de Assis Passos – Reitor do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ)

Roberto Leher – Reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Sidney Luiz de Matos Mello – Reitor da Universidade Federal Fluminense (UFF)

Luta contra o fechamento da Uenf está nas redes sociais

A situação catastrófica em que as universidades estaduais do Rio de Janeiro foram colocadas pelo (des) governo Pezão está provocando uma série de reações políticas que vão desde a manifestação das sociedade científicas até a criação de comunidades públicas em redes sociais. 

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Um caso exemplar é o da comunidade criada na rede Facebook que se intitula “UENF-Resiste Comunidade Acadêmica e Sociedade“. Esta comunidade é uma das muitas ferramentas que estão sendo utilizadas para fortalecer o movimento  em defesa  da a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf).

Uma das formas para colaborar com a comunidade é oferecer depoimentos  sobre a importância que  tem para o desenvolvimento científico e tecnológico do Rio de Janeiro, mais especificamente para as regiões Norte e Noroeste.

Desta forma, creio que seria interessante que quem puder e tiver interesse acesse a página oficial e deixe lá um relato sobre porque a universidade deve ser apoiada e defendida num momento tão crítico de sua jovem e vitoriosa trajetória.

Os interessados em conhecer a comunidade e deixar um depoimento, basta clicar (Aqui!)

 

SBPC e ABC pedem a governador atenção às universidades estaduais do Rio de Janeiro durante crise econômica

Em carta a Luiz Fernando Pezão, as entidades alertam sobre a importância da Uerj, Uezo e Uenf para o desenvolvimento social e econômico do Estado

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A SBPC e a Academia Brasileira de Ciências (ABC) encaminharam nesta segunda-feira, 16 de janeiro, uma carta ao governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, para manifestar preocupação com a situação financeira das universidades do Estado. No documento, as instituições pedem de atenção especial do governo para, além da Uerj (conforme documento encaminhado na última semana), duas outras universidades fluminenses: a Fundação Centro Universitário Estadual da Zona Oeste (Uezo) e a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf).

“UERJ, UEZO e UENF têm que continuar sua missão de formar profissionais para disponibilizar recursos humanos qualificados para que as instituições públicas e privadas e as empresas possam continuar funcionando a contento e progredindo. Ainda, as camadas mais carentes da população precisam continuar contando com os serviços de excepcional qualidade oferecidos por essas três universidades”, dizem a SBPC e a ABC na carta.

O documento pode ser acessado Aqui.

FONTE: http://jcnoticias.jornaldaciencia.org.br/1-sbpc-e-abc-pedem-a-governador-atencao-as-universidades-estaduais-do-rio-de-janeiro-durante-crise-economica/

Vamos salvar a Universidade do Terceiro Milênio

Por Isaac Roitman,  professor emérito da UnB, escreve artigo para o Jornal da Ciência

A Universidade do Terceiro Milênio como foi chamada por Darcy Ribeiro, que a concebeu, foi criada em 1993 como uma universidade experimental para introduzir inovações no ensino superior brasileiro em um ambiente interdisciplinar, com um corpo docente composto 100% por doutores com dedicação exclusiva. Esta universidade foi instalada na cidade de Campos dos Goytacazes, Norte do Estado do Rio de Janeiro tendo como uma das suas finalidades promover transformações sociais através da interiorização do ensino público de qualidade. Alguns frutos dessa experiência rapidamente foram colhidos. A Universidade do Norte Fluminense Darcy Ribeiro foi considerada pelo MEC entre 2007 e 2010 como uma das 15 melhores universidades brasileiras, com base no Índice Geral dos Cursos (IGC). No IGC/2011, divulgado em 2012, ela foi considerada a melhor universidade do estado do Rio de Janeiro e a 11º melhor do país. Em 2003 e em 2009 ela ganhou o Prêmio Destaque do Ano na Iniciação Científica, conferido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.

As dificuldades da UENF surgiram em outubro de 2015 com a interrupção do repasse de recursos orçamentários que acarretou no não pagamento de energia, segurança patrimonial, serviços de limpeza e manutenção, e telefonia. Estes problemas persistem até hoje e a cada dia está sendo agravado gerando insegurança em toda comunidade acadêmica. Em março de 2016 o Conselho Universitário da instituição afirmou que se os problemas persistirem o fechamento seria inevitável. Em agosto de 2016 a UENF tinha cerca de R$ 17 milhões em dívidas acumuladas e hoje ultrapassam os R$ 55 milhões de reais. A atual situação é catastrófica com atraso e parcelamento no pagamento de professores e servidores. Os salários de novembro de 2016 estão sendo parcelados em janeiro de 2017. Ninguém sabe quando serão pagos os salários de dezembro de 2016, o 13º salário e o salário de janeiro de 2017. A comunidade acadêmica sente-se humilhada, ultrajada e moralmente abalada. Servidores docentes e técnicos estão com dificuldades para manterem suas famílias e até mesmo chegar ao seu trabalho. Mesmo diante de tantas dificuldades a comunidade acadêmica continuou atuando até o final de 2016, porém há uma séria dificuldade para retornar as atividades em 2017 caso não haja uma normalização dos pagamentos de salários.

O fomento à pesquisa está totalmente interrompido, pois a Fundação de Amparo à Pesquisa Carlos Chagas Filho (Faperj) também sofre com dificuldades de repasse de verbas. Muitos estudantes perderam bolsas de estudos e os que não perderam vem recebendo os valores financeiros relativos às suas bolsas de maneira precária e sem calendário definido. Essa triste conjuntura gera sérios desdobramentos que transcendem as fronteiras estaduais. Um dos projetos na área de meio ambiente conduzidos por pesquisadores da UENF em colaboração com um grupo do Instituto Marx Planck da Alemanha, está comprometido pela falta de aporte de recursos já aprovados pela Faperj o que tem forçado os pesquisadores a tirarem recursos do próprio bolso para pequenas despesas. No entanto, para as grandes despesas essa solução doméstica é inviável. O projeto será interrompido e a credibilidade dos pesquisadores e da instituição irão pelo ralo abaixo. Outras situações semelhantes poderiam ser relatadas.  A própria segurança da universidade está comprometida. No período entre o Natal e o Ano Novo os prédios da UENF foram invadidos, roubados e vandalizados.

A Universidade do Terceiro Milênio está neste momento como um prisioneiro que seus últimos passos no corredor da morte. Temos que salvá-la. Não podemos ficar calados. É fundamental que a comunidade acadêmica e toda a sociedade brasileira se mobilizem para que a UENF atravesse sem sequelas essa tempestade de insensatez que ocorre no Brasil. A saúde financeira da UENF deve ser prontamente reestabelecida para que ela possa continuar com sua nobre e virtuosa missão. A sociedade campista e do Rio de Janeiro e de todo o país deve pressionar os governantes para que não morra o sonho de Darcy Ribeiro.  Segundo ele, “a crise da educação no Brasil não é uma crise; é um projeto”. Vamos todos combater esse projeto. É também pertinente lembrar outro pensamento desse grande brasileiro: “Só há duas opções nesta vida: se resignar ou se indignar. E eu não vou me resignar nunca.” Vamos à luta pois a causa é virtuosa. Lembremos também o pensamento de outro grande brasileiro, Oswaldo Cruz: “Não esmorecer para não desmerecer.”

* Professor emérito e coordenador do Núcleo de Estudos do Futuro da Universidade de Brasília, pesquisador emérito do CNPq, membro da Academia Brasileira de Ciências e membro do Movimento 2022 O Brasil que queremos. Foi diretor do Centro de Biociências e Biotecnologia da UENF (1995-1996).

FONTE: http://www.jornaldaciencia.org.br/edicoes/?url=http://jcnoticias.jornaldaciencia.org.br/20-vamos-salvar-a-universidade-do-terceiro-milenio/