Um ano sem verbas na Uenf: um trágico aniversário!

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O dia de hoje representa uma marca tenebrosa no descaso a que o (des) goverrno Pezão/Dornelles tem imposto à Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf). É que foi exatamente há um ano que foram enviadas as últimas verbas para sustentar as atividades de ensino, pesquisa e extensão que a Uenf desenvolve.

Nesse período só foram pagos salários dos servidores e bolsas dos estudantes. E mesmo assim com atrasos que causaram uma série de atropelos nas vidas de estudantes, servidores e e professores. Pior destino sofreram os terceirizados, especialmente os seguranças patrimoniais, que não receberam o que lhes era devido em troca do seu trabalho.

O custo da inviabilização que está sendo imposta à Uenf vai recair não apenas sobre a comunidade universitária, mas também sobre todos os municípios que se beneficiam dos serviços que a universidade realiza.  Além disso, os impactos do descumprimento do orçamento da Uenf possuem impactos sobre as economias municipais, principalmente em Campos dos Goytacazes. É que o orçamento da universidade e sua utilização no comércio local é uma daquelas peças fundamentais para as quais ninguém presta atenção. Mas o fato é que a Uenf é o maior orçamento de instituição estadual fora da capital. Ao secar as torneiras e fazer a Uenf agonizar, o (des) governo do Rio de Janeiro impacta as economias municipais.

Por esse fato é que não tenho a menor disposição de me empenhar em candidaturas a prefeito e a vereador que estejam sendo apoiadas pelo governo Pezão/Dornelles. Aliás, aqui em Campos dos Goytacazes temos candidatos que gravaram até vídeos apoiando a reeleição de Pezão e agora escondem isso para tentar passar uma imagem de coisa nova na política local. 

Mas a crise da Uenf deve continuar sem solução no futuro imediato. Assim, se tivermos um segundo turno na eleição para prefeito de Campos dos Goytacazes é bem possível que finalmente tenhamos esse aspecto realçado por um dos candidatos que não são alinhados ao (des) governo Pezão/Dornelles.

Finalmente, aos que realmente se importam com a Uenf será preciso lembrar que não há saída para esta crise se não for pela derrota da política de privatização do estado que é impulsionada pelo PMDB e por seus aliados.

Crime contra a Uenf

O jornal da Associação de Docentes da Universidade Federal Fluminense em sua edição da segunda quinzena de Setembro/2016 traz uma declaração minha sobre a atual crise financeira que assola a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), a qual foi provocada pelo completo descaso do (des) governo Pezão com a coisa pública no estado do Rio de Janeiro.

Como declarei,a situação da Uenf é precária e a comunidade universitária vai tocando seus dias de forma incerta e nervosa.  Por isso, considero o título que foi dado para a minha declaração pelo pessoal do jornal da ADUFF tão correta: o que se faz contra essa jovem universidade nada passa de um crime contra o futuro dos jovens que dela dependem para obter uma formação qualificada.

Abaixo a minha declaração.

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Uenf: uma nau à deriva

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A situação das universidades estaduais do Rio de Janeiro parece seguir um roteiro de desmantelamento inexorável. No caso da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), as contas acumuladas a partir de Outubro de 2015 já ultrapassam R$ 20 milhões em dívidas com concessionárias, empresas prestadoras de serviços terceirizados e fornecedoras de insumos básicos para suas atividades de ensino e pesquisa.

Após o retorno das aulas a situação de (in) segurança que se anunciava vem sendo confirmada por meio de furtos e assaltos que, felizmente, ainda não causaram nenhuma perda de vida dentro do campus ou no seu entorno.  Uma consequência prática dessa situação tem sido o desenvolvimento de uma cultura do silêncio que caracteriza a vida de comunidades pobres brasileiras que convivem diariamente com o perigo. Os estudantes que são o foco principal da violência parecem ter feito um pacto de não informar os eventos de violência com o medo de que a notificação torne ainda mais evidente a insegurança a que estão sendo submetidos, atraindo assim mais violência. 

Mas se há uma área em que se evidencia a profunda degradação nas relações humanas dentro da Uenf está na situação vexaminosa a que estão sendo submetidos os seguranças que a proteção patrimonial dentro das unidades da Uenf. Há quase cinco meses sem ter seus salários pagos (eu disse CINCO MESES!),  os seguranças vinculados á empresa K-9 não abandonam seus postos por medo de não seus direitos garantidos por abandono de emprego!  Se essa situação estivesse ocorrendo em alguma propriedade rural no interior da Amazônia é quase certo que uma força-tarefa já teria sido enviada para libertar esses trabalhadores. Mas como estamos no Rio de Janeiro e numa universidade pública, esse espetáculo dantesco de desrespeito e humilhação continua ocorrendo de forma impune.

Entretanto,  algo igualmente pernicioso ocorre naquilo que a Uenf deveria prezar mais, qual seja, a qualidade da educação que ele foi designada a oferecer. Sem recursos básicos para levar um ensino de qualidade à frente, o que se tem é um processo paulatino, mas firme de degradação, da formação de estudantes. É que está se corroendo pela base o projeto didático-pedagógico que foi idealizado por Darcy Ribeiro que unia a formação teórica com a prática desde o início da vida acadêmica dos estudantes de graduação. A verdade é que com o atual cenário de ausência total de verbas, o que ainda sobra do projeto de Darcy e Brizola reside na capacidade dos professores de captarem recursos para projetos de pesqauisa que acabam sendo utilizados nas atividades didáticas.

Todo esse desmantelamento da Uenf vem sendo meticulosamente ignorado tanto pelo executivo estadual comandado por Pezão e Francisco Dornelles, como pela Alerj.  Na prática, apesar de discursos de preocupação aqui e ali, não há nada de prático sendo feito para reverter a lógica perniciosa que combina uma farra fiscal que beneficia todo tipo de empresa, enquanto se deixa o serviço público em uma completa agonia.

Ainda que não esteja ainda claro para a maioria, os efeitos desta lógica dupla serão duradouros e afetarão as futuras gerações de cidadãos fluminenses. É que sem escolas, hospitais e universidades públicas de qualidade, a população ficará não apenas desprotegida no imediato, mas também desprovida de alternativas para que o futuro seja melhor. É que sem universidades que produzam conhecimento científico que sejam traduzidos em inovações tecnológicas, não haverá saída para o fosso em que fomos empurrados pelos seguidos (des) governos do PMDB.

A saída para este imbróglio residirá na capacidade das comunidades universitárias, incluindo a da Uenf, de resistir à essa lógica de desmonte da capacidade criativa que deve caracterizar o seu funcionamento, e de recusar uma suposta normalidade que combina sucateamento com desrespeito e desumanização das relações cotidianas. E isso vai requerer criatividade e disposição de luta para enfrentar o projeto de desmanche da Uenf. Felizmente, criatividade e disposição de luta não custam nada e não dependem do aporte financeiro do (des) governo Pezão. Então, mãos à obra!

SOS Uenf: comunidade universitária faz abraço para denunciar descaso

O início desta 4a. feira (31/08) foi marcado por um ato político que reuniu membros de todos os segmentos que compõe a comunidade universitária da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) no campus Leonel Brizola em Campos dos Goytacazes (RJ).

Este ato consistiu de um abraço simbólico no prédio do Centro de Convenções da Uenf (conhecido popularmente como “Apitão”). Durante este ato foi  feita a tomada de imagens com os participantes formando o sinal de “SOS” para simbolizar a situação de completa precariedade em que a universidade se encontra após 10 meses sem receber verbas de custeio. 

Esta atividade também foi uma forma de preparação para a caravana em defesa da Uenf que deverá ir à cidade do Rio de Janeiro para a realização de um ato nas escadarias do Palácio Tiradentes, sede da Assembleia Legislativa. 

Abaixo seguem alguns imagens do abraço à Uenf.

FONTE: http://aduenf.blogspot.com.br/2016/08/sos-uenf-comunidade-universitaria-faz.html?spref=fb

ADUENF promove abraço simbólico para fortalecer a defesa da Uenf

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A Associação de Docentes da Uenf (ADUENF) irá realizar um abraço simbólico do campus Leonel Brizola na próxima 4a.feira (31/08), com o ponto inicial de concentração sendo o gramado localizado em frente do Centro de Convenções da Uenf.  O horário de início da atividade será 13:00 h.

Essa atividade faz parte de um conjunto de atividades que serão realizadas para pressionar o governo do Rio de Janeiro a realizar o desembolso dos recursos necessários para manter a Uenf em funcionamento.

Durante o abraço será confeccionado um vídeo de divulgação da luta em defesa da Uenf e que utilizará tomadas aéreas obtidas por um drone equipado com uma câmera.

A ADUENF convida a toda a comunidade universitária da Uenf para que participem deste abraço. O convite é extensivo à toda a população do Norte Fluminense.

Venha abraçar a Uenf!

COMANDO DE GREVE DA ADUENF
FONTE: http://aduenf.blogspot.com.br/2016/08/aduenf-promove-abraco-simbolico-para.html

Uenf: à beira de um ano sem verba de custeio

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A Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) acaba de comemorar os 23 anos de sua aula inaugural.  Como era de se esperar as celebrações deste marco foram embaçadas pela grave crise financeira a que a universidade está sendo submetida pelo (des) governo Pezão/Dornelles.

O que muita gente não sabe é que a Uenf está à beira de completar um infeliz aniversário no próximo mês de outubro. É que vão ser completados exatos 12 meses sem que a Secretaria de Fazenda do (des) governo Pezão/Dornelles libere um centavo que seja para o custeio das atividades cotidianas da universidade.

A verdade que é pouco dita é que as dívidas milionárias que foram acumuladas ao longo dos últimos 10 meses só não são maiores porque muitos membros da comunidade universitária estão ajudando a manter a Uenf funcionando. E isto em que pese os constantes atrasos no pagamento de salários e bolsas acadêmicas.

E que fique claro que enquanto a Uenf é asfixiada e colocada num estado que beira o colapso, o (des) governo Pezão/Dornelles liberou mais alguns bilhões em isenções fiscais para todo tipo de empresa, incluindo a Joalheria H. Stern e a Cervejaria Petrópolis. 

Como bem dizia Darcy Ribeiro, mentor do projeto de criação da Uenf, a crise da educação no Brasil não é uma crise, mas um projeto. E no caso da situação não apenas da Uenf, mas também da Uerj e da Uezo, este é um projeto de destruição.

Renato Janine Ribeiro se manifesta sobre situação da Uenf

O filósofo Renato Janine Ribeiro, professor da Universidade de São Paulo (USP) e ex-ministro da Educação do governo Dilma Rousseff, repercutiu em sua página pessoal na rede social Facebook a entrevista dada a este blog pelo reitor da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), Luis César Passoni (Aqui!).

Além de repercutir a entrevista, Renato Janine Ribeiro apontou para os asepctos inovadores e a importância do projeto idealizado por Darcy Ribeiro para o estado do Rio de Janeiro. Além disso, dada a situação grotesca por que passa a Uenf, Renato Janine cobrou um posicionamento da comunidade científica brasileira sobre o risco que os atrasos de repasses financeiros representam para o futuro da universidade (ver reprodução abaixo).

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Dada a importância que Renato Janine Ribeiro possui no mundo acadêmico, esse posicionamento é extremamente importante, pois chama que a comunidade se manifeste em defesa da Uenf.

O que eu espero é que essa manifestação seja seguida de outras de igual calibre. A Uenf é muito importante para ser destruída da maneira que está sendo.

Desde já,  agradeço ao professor Renato Janine em nome de todos os que querem defender a Uenf da ameaça de destruição que paira sobre ela neste momento.

Uenf: Reitor aponta condição de calamidade financeira e seus riscos para a instituição

Visando elucidar a real situação por que passa a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) neste momento, este blog uma série de questões ao reitor da instituição, Prof. Luís César Passoni.  

Abaixo coloco na íntegra as respostas que foram oferecidas pelo reitor da Uenf. Considero que a leitura cuidadosa dessas respostas deixará aos leitores a clara gravidade dos problemas financeiros causados pelo (des) governo do Rio de Janeiro à Uenf, visto que passados quase oito meses de 2016,  o reitor declara que não houve nenhum repasse para o custeio das atividades cotidianas da instituição.

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O senhor assumiu a reitoria da Uenf em meio a uma grave crise financeira.  Como isto tem prejudicado os projetos que havia idealizado em seu programa eleitoral?

O maior problema aqui é o estado de animosidade criado pelas incertezas, o parcelamento dos salários acentuou o problema, as dúvidas com relação às mudanças na aposentadoria é outro fator de desanimo, e passa a valer o dito popular “onde falta o pão, ninguém tem razão”. Muitas das ideias levantadas na campanha poderiam ser feitas sem muito impacto financeiro, mas é difícil motivar as pessoas diante de um cenário de grandes incertezas. De qualquer maneira, estamos conseguindo, ainda que timidamente, alterar alguns procedimentos internos visando melhorar a dinâmica dos processos.

Agora, tem uma questão de maior gravidade, nesta crise por que passamos, que parece não ter sido bem compreendida: esta crise ameaça a própria existência da Uenf da forma como a conhecemos! Estamos nos aproximando de um ano (!) sem qualquer verba para manutenção, sem pagar nenhum fornecedor nem prestador de serviços. Uma empresa privada não resistiria 3 meses nesta situação. Se ainda estamos funcionando é devido ao respaldo que a Uenf encontra na sociedade, à consideração que nos emprestam os diversos atores envolvidos e ao empenho da comunidade interna para manter um mínimo de condições de funcionamento. E aí voltamos à questão proposta inicialmente: gasta-se muita energia para manter um mínimo de condições de funcionamento, não sobra para implantar modificações.

Qual é efetivamente a condição financeira da Uenf neste momento?

Calamidade. Até o momento, os salários ainda estão sendo pagos, mas estamos precisando de suplementação orçamentária e financeira para pagar os salários até o final do ano. O financeiro já acabou agora com a folha de agosto (a ser paga em setembro) para a folha de setembro estamos precisando de liberação financeira e, no orçamento, faltam R$ 18 milhões para fechar o ano, valor idêntico ao contingenciado em ‘pessoal e encargos’. O pior é que, quando levamos estas questões às autoridades, a resposta é que está assim em todos os órgãos do Estado, e que as liberações serão feitas dependendo da arrecadação, ou seja, só reforça o cenário de incertezas. E tem ainda a questão do pessoal terceirizado e dos fornecedores, mês que vem completa um ano que nenhum deles recebe qualquer pagamento.

Quais são os principais efeitos da condição financeira que a Uenf atravessa em suas atividades de ensino, pesquisa e extensão?

No ensino estamos iniciando o 1o semestre de 2016 agora, isso já é um prejuízo enorme e, pior ainda, não temos certeza se conseguiremos concluí-lo. Na pesquisa e extensão não estamos podendo prover os insumos básicos, além da questão dos gases e ração, temos que acrescentar aí papel, caneta, tinta para as impressoras… Não temos mais nada, nem material de limpeza. Também não temos mais veículos, desde 2009 a Uenf não compra mais nenhum veículo, além de muito rodada, a frota de veículos não tem tido manutenção, estávamos nos fiando em carros alugados, que também não existem mais devido à falta de repasse financeiro do custeio, isso afeta em muito as pesquisas de campo e atividades de extensão. Hoje, só temos dois veículos que podem chegar até o Rio ou Itaocara, por exemplo.

Para 2017 estão projetados novos cortes orçamentários para a Uenf.  Se estes cortes forem executados,  a Uenf poderá funcionar?

Até o momento, o orçamento proposto pelo Estado para 2017 é impraticável, se em 2016 tivemos um orçamento de R$123 milhões para pessoal, para 2017 estão propondo R$ 125 milhões, só que, no meio do caminho, absorvemos a Fenorte, daí que o mínimo “minimorum” para 2017 teria que ser de R$135 milhões, isso mesmo sem considerar o aumento vegetativo da folha, com novos triênios e progressão na carreira. No custeio então, de R$ 48  milhões em 2016 (que não estão sendo repassados; este é o problema) foi proposto R$ 20 milhões em 2017, é impossível a Universidade funcionar desta maneira, mesmo que se garanta o repasse, 20 milhões são absolutamente insuficientes, a Uenf já tem um orçamento enxuto e já realizou os esforços possíveis na redução de despesas, não tem como funcionar com menos.

A Uenf pode mesmo fechar e quem vai perder se isto realmente acontecer?

Para entender o que pode acontecer, basta olhar em retrospectiva. Até os anos 1970, as escolas públicas de ensino fundamental e médio eram as melhores que haviam no país, iniciou-se então um processo de sucateamento similar ao que estamos vivendo agora: arrocho salarial e deterioração física dos espaços. As escolas públicas de ensino fundamental e médio não fecharam, mas hoje, quem tem um mínimo de condições, coloca o filho numa escola particular. Nos anos 1990, uma crise similar à que observamos hoje na Uenf, se abateu sobre as universidades federais, crise esta que foi afastada nos anos 2000, mas que começa a retornar agora. Me parece que há uma ligação entre a orientação ideológica do governo da ocasião e a crise na educação, governos de ideologia neoliberal provocam as crises, governos de orientação mais social democrata promovem o ensino. Talvez tenha razão nosso fundador e inspirador Darcy Ribeiro, ao dizer que “a crise na educação não é uma crise, é um projeto”. Os perdedores somos nós, o povo brasileiro.

Quais seriam as saídas possíveis para esta crise?

 Uma possível solução seria um modelo de financiamento que vinculasse os repasses para a Universidade. Não há crise no judiciário, nem no legislativo, que recebem uma fração da arrecadação definida em lei. Este mecanismo também é aplicado nas universidades paulistas, consideradas as melhores do Brasil em qualquer avaliação que se faça. Inclusive para a Faperj, aqui mesmo no estado do Rio, é aplicado este mecanismo. Então ele é absolutamente legal e factível.  Agora, uma solução mais sustentável, não só para a Uenf mas para o país, seria elegermos governos mais afinados com um projeto de desenvolvimento que colocasse em primeiro lugar o interesse nacional e o bem estar do povo brasileiro, a desregulamentação e financeirização da economia, propostas pela ideologia neoliberal, estão no cerne dos principais problemas do Brasil e do mundo.

Uenf: flertando com o perigo (2)

A insistência em se forçar o retorno das aulas na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) merece até um estudo antropológico. É que as mesmas figuras que defendem o reinício das aulas sem condições mínimas de segurança (daqui a pouco falo sobre isso) são as mesmas que antes de cair a noite saem rapidamente do campus Leonel Brizola para entrarem em condomínios fechados onde só se entra após a permissão ser dada a partir de um portal que separa suas casas da “cidade real”.  Em suma, aceitam a insegurança como inevitável no público, enquanto se encerram em muros e paliçadas no privado.

Mas deixemos de lado essa dualidade público-privado para irmos ao essencial. A questão da segurança (ou seria insegurança ?) do campus universitário é mais uma das coisas que estão sendo trivializadas em nome de uma suposta volta à “normalidade”. É que a Uenf hoje funciona literalmente aos trancos e barrancos.  As contas relacionadas ao fornecimento de luz, água, telefone, rações para animais, insumos para laboratórios, e serviços terrceirizados estão atrasadas há pelo menos 8 meses. Além disso, se alguém visitar o almoxarifado da instituição vai encontrar basicamente paredes cercando o vazio.

Diante desse quadro, por que essa urgência de se voltar ás aulas, ainda por cima sem garantias de segurança para a comunidade universitária? Para mim, esse é um processo que mistura baixa cultura política, subserviência ao (des) governo Pezão, e mesmo falta de solidariedade com os trabalhadores da segurança e limpeza que estão trabalhando sem que a legislação trabalhista seja cumprida. No caso dos seguranças, os salários não são pagos há quatro meses e se está completando o quinto mês de atraso.

Ainda que esse quadro não seja restrito à Uenf e reflete uma política clara de desconstrução do serviço público fluminense, o caso da universidade criada por Darcy Ribeiro é emblemático porque atinge uma instituição jovem que alcançou altos niveis de qualificação em apenas 23 anos. Ao se impor esta asfixia financeira à Uenf, o (des) governo Pezão/Dornelles manda uma mensagem clara de que não possui qualquer compromisso com o futuro. Aliás, isto tem sido bem demonstrado por isenções fiscais de até 50 anos cujo encerramento muitos dos que a concederam não estarão mais vivos para ver o resultado delas.  Uma espécie de assassinato do futuro com certeza de impunidade.

No plano imediato, eu reafirmo que é moralmente equivocado e objetivamente arriscado fazer o retorno às aulas na Uenf com menos de 30 seguranças (que poderão rapidamente chegar a Zero) presentes. Uma porque eles estarão lá sem seus salários, o que configura uma flagrante humilhação a esses profissionais. E duas porque se sabe que com esse contingente não há como sequer monitorar quem entra e sai do campus da Uenf.  E terceira, porque enquanto se flerta com o perigo na Uenf, o (des) governo Pezão ficará livre para avançar sua política de destruição.  Além disso, no caso de alguma ocorrência grave, sempre se poderá alegar que a decisão das voltas às aulas foi da reitoria da Uenf que usou a sua autonomia administrativa para tanto. 

Finalmente, quero ver onde estarão os que defendem a volta das aulas a qualquer custo se algo de ruim acontecer dentro do campus desprotegido. Provavelmente escondidos atrás dos muros e paliçadas dos condomínios fechados onde escolheram viver para se proteger dos riscos a que nós simples mortais estamos expostos na cidade real.

(Des) governo Pezão planeja aumentar crise da Uenf em 2017

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Para quem pensa que a situação das universidades estaduais já chegou ao fundo do poço sob as mãos de Luiz Fernando Pezão e Francisco Dornelles, eu sugiro que pense de novo! É que, no caso da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), a Secretaria Estadual de Planejamento e Gestão (Seplag) estabeleceu limites orçamentários que vão implicar em cortes drásticos no pagamento de pessoal e no custeio.

No caso dos salários, o teto estabelecido para 2017 é R$ 10 milhões menor do que o orçado para 2016! Ainda que existam saídas para remanejar os recursos necessários para cobrir esse déficit, esse limite aponta para duas intenções possíveis por parte do (des) governo Pezão/Dornelles e ambas são muito complicadas. É que em não se remanejando o valor falante, sobrariam as opções de demitir ou dar calote nos salários sendo que a primeira é claramente a que tem mais chance de ser aplicada.

Já no tocante às verbas de custeio, o limite proposto para 2017 é de R$ 22 milhões representa a perda de outros R$ 10 milhões em relação ao aprovado para 2016. Segundo fontes bem informadas dentro da administração da Uenf, mesmo se todo o valor proposto seja repassado não haverá como a universidade funcionar.

Antes que alguém venha jogar a culpa dessa situação no recolhimento de impostos, dados oficiais apontam que até a redução nos valores recolhidos em 2016 não explicam de forma alguma a penúria imposta à Uenf e às outras universidades estaduais.  

O mais provável é que a explicação esteja numa combinação perniciosa entre a alta de carga de juros resultante da política de endividamento do estado que marca os (des) governos comandados por Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão com as bilionárias generosidades fiscais que já consumiram algo em torno de R$ 180 bilhões de reais, e que continuam sendo concedidas quase que diariamente (E sim, a Cervejaria Petrópolis, a Land Rover, a Nissan, a Coca-Cola, a Oi, e a H Stern mandam lembranças e agradecem!).

Enfim, quanto mais cedo as universidades começarem a se mobilizar para cobrar da Assembleia Legislativa a aprovação de orçamentos que permitam o seu funcionamento, melhor! É que do (des) governo Pezão/Dornelles a política será a asfixiar para mais facilmente privatizar.