Diretor da Faculdade de Medicina da UFRJ emite nota pública sobre suspensão de residência médica

O diretor da Faculdade de Medicina  da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Prof. Roberto de Andrade Medronho, emitiu uma nota pública acerca da decisão da Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM), órgão vinculado ao Ministério da Educação e Cultura (MEC).
A leitura desta nota é muito esclarecedora em relação às responsabilidades do próprio MEC e do governo “de facto” de Michel Temer pela realidade aludida pela CNRM para colocar sob diligência todos os programas de residência médica do HUCFF da UFRJ.

Há que se lembrar que além de contribuir para o aumento da fuga de cérebros do Rio de Janeiro, esta diligência ameaça a continuidade dos serviços públicos e gratuitos prestados pela UFRJ por meio do HUCFF.

residencia

Professor da UFF convoca defesa dos hospitais universitários da UERJ e da UFRJ

Resultado de imagem para HOSPITAL CLEMENTINO FRAGA FILHO

EM DEFESA DOS HOSPITAIS PÚBLICOS UNIVERSITÁRIOS DA UERJ E DA UFRJ: MEXEU COM UM, MEXEU COM TODOS!

Por Wladimir Tadeu Baptista Soares*

Alegando falta de condições práticas de ensino, falta de insumos, falta de pessoal, falta de leitos e atraso no pagamento das bolsas de ensino, o MEC suspendeu a realização de concursos para a residência médica nos Hospitais Públicos Universitários Pedro Ernesto (UERJ) e Clementino Fraga Filho (UFRJ), como se isso expressasse uma crise de gestão nessas unidades hospitalares, quando, na verdade, revela um tenebroso projeto de governo para provocar a “privatizaçãoo” desses hospitais.

Tudo para atender os interesses privados do “mercado”, em detrimento dos interesses públicos da sociedade.

Desde a Reforma Administrativa ocorrida em 1995, sob inspiração das diretrizes neoliberais do Banco Mundial, que o SUS vem sofrendo ataques sistemáticos nos seus Princípios, na sua estrutura, na sua gestão pública e na sua natureza de direito fundamental de caráter social.

Nesse sentido, os Hospitais Públicos Universitários, Federais e Estaduais, vêm sofrendo um sucateamento progressivo, encontrando enormes dificuldades para aperfeiçoar o seu parque tecnológico e assegurar que não faltem insumos, materiais de consumo, alimentos, medicamentos e tudo o mais necessário à  boa prestação dos serviços públicos de saúde. Além disso, a deliberada restrição de abertura de concursos públicos para a reposição e composição do quadro de servidores públicos estatutários nesses hospitais acabou por criar um modelo inconstitucional de contratos temporários de trabalho, impossibilitando a construção de um corpo clí­nico estável nessas instituiçõs, em todas as áreas profissionais da saúde, bem como de pessoal das áreas administrativas.

Estrangula-se o financiamento público dessas instituições; criam -se dificuldades, as mais diversas, para o atendimento das legí­timas reivindicações; ignora-se a realidade estampada à frente do governo, e tão constantemente mostrada nas emissoras de TV; e afirma -se, então, que o problema está no modelo de gestão desses hospitais.

Afirma-se que a redução do número de leitos hospitalares é em razão da má gestão.

Ou seja, propaga-se que somente uma gestão privada poderia resolver tudo isso: privatização como solução.

Quanta falta de vergonha dessa gente!

Como podem ser tão hipócritas e continuarem sorrindo!?

Na verdade, riem da gente, zombam de nós.

Inicia-se, a partir daí­, uma grande campanha veiculada nos principais instrumentos de comunicação do paí­s (jornais, revistas, rádio e televisão) de que os servidores públicos estatutários da saúde não trabalham, ganham muito e não são demitidos, de modo a criar no imaginário coletivo da população de que o governo é bom e os servidores públicos é que são o mal nessa história, quando, na verdade, população (pacientes), estudantes e servidores públicos das áreas da saúde são todos igualmente vítimas de um governo covarde, que mente com convicção, que rouba por compulsão e que destrói, por opção, tudo aquilo que possa trazer benefí­cios sociais para toda a gente.

Mas, claro, essa gente do governo não se considera gente. Eles se reconhecem como sendo de uma outra natureza: a natureza dos ungidos para a impunidade, dos nascidos para o cinismo.

Assim, formam uma casta de perversidade, que se autoprotege e se coloca a serviço do capital e do mercado, e jamais do pobre e sofrido povo brasileiro.
Acabar com o SUS é missão dessa gente. Privatizar os Hospitais-escola é intenção dessa gente.

Importante salientar que essa gente está presente em todos as esferas da federação e se revela como agente político em todos os Três Poderes da República, além de outras instituições.

Na verdade, o que o governo pretende com esta medida é, por meio de um constrangimento ilegal, imoral e impróprio, pressionar a UFRJ a firmar contrato com a EBSERH – Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – e pressionar a UERJ a aceitar que o seu Hospital Universitário seja transformado em Fundação Pública de Direito Privado, ou tenha a sua gestão terceirizada para uma Organização Social, ou seja transferido para uma EBSERH estadual.

Tudo isso visando quebrar a Autonomia Universitária e acabar com a carreira pública estatuária dos profissionais da saúde desses hospitais, não importando as graves consequências negativas para a formação acadêmica de todos os estudantes das áreas da saúde dessas Universidades, nem com o prejuízo para a assistência em saúde da população com essa atitude tão afastada da razão, e tão próxima da desumanidade.

A resistência dos Reitores, servidores públicos e estudantes dessas Universidades merece todo o nosso aplauso e reconhecimento.

Mais do que isso: exige que todos nós – Reitores, servidores públicos estatutários e estudantes das áreas da saúde – tenhamos a coragem e a responsabilidade de nos colocarmos de mãos dadas com todos eles no front dessa luta, na defesa desses bens públicos da sociedade – Universidades Públicas e Hospitais Públicos Universitários -, mostrando, com determinação inegociável, àqueles que nos governam, que a Universidade tem dono, o Hospital Universitário tem dono, o SUS tem dono; e que o dono deles todos somos nós – o povo brasileiro.

Esse crime de Estado contra os direitos humanos à educação e à  saúde tem que parar!

*Wladimir Tadeu Baptista Soares é Advogado e  Médico do SUS e Professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal Fluminense – UFF, Niterói – RJ

UFRJ é atacada pela Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro

Campus do Largo de São Francisco é alvo de bombas após manifestação contra a reforma da previdência

Na noite da última quarta-feira (15/03), o prédio do Largo de São Francisco de Paula, onde estão sediados o Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) e o Instituto de História (IH), foi atacado por soldados do Batalhão de Choque da Polícia Militar. 

bomba_ifcs

Imagem: Reprodução Facebook

A repressão teve início já no final do ato contra a reforma da previdência, que lotou as quatro pistas e os 3,5 quilômetros da Avenida Presidente Vargas e reuniu milhares de pessoas, entre estudantes, professores, servidores públicos, profissionais liberais, movimentos sociais, sindicatos, centrais sindicais, partidos políticos e demais entidades. O ato que transcorria de forma pacífica mudou de figura nas imediações da Central do Brasil quando a Guarda Municipal passou a lançar bombas de gás lacrimogênio contra os manifestantes. Alguns integrantes do movimento conhecido como black blocs reagiram com morteiros. 

A repressão continuou pelas ruas do Centro do Rio. Na Cinelândia, clientes do bar Amarelinho relataram que soldados da Polícia Militar atiraram bombas no interior do estabelecimento. Imagens do coletivo Mídia Ninja registraram os frequentadores, muitas mulheres e idosos, acuados e de olhos vermelhos – efeito do gás lacrimogênio – sendo socorridos

No Largo de São Francisco de Paula a cena se repetiu. De acordo com nota assinada pelo diretor Marco Aurélio Santana, do IFCS, e pela diretora Norma Côrtes, do IH, os policiais cercaram o campus universitário e lançaram “dentro de suas dependências duas bombas de gás lacrimogênio e mais sete de efeito moral. Os petardos produziram terror e pânico em quem estava no prédio. Registre-se que uma das bombas atingiu a porta central e seus efeitos alcançaram o hall de entrada, tomando posteriormente todo o prédio”. Um vídeo reproduzido das redes sociais mostra o momento de um dos ataques.

A nota lembra ainda que o episódio repete a noite de 20 de julho de 2013, quando o Batalhão de Choque da Polícia Militar atuou igualmente de forma truculenta e arbitrária. “Se já era inaceitável a repressão a trabalhadoras/es e estudantes no exercício de seu livre direito de manifestação, o fato fica agravado com o ataque ao espaço universitário”, diz a missiva. 

“Repudiamos veementemente a ação da polícia contra manifestantes, bem como o ataque às nossas dependências e nossas/os estudantes e trabalhadoras/es. Repudiamos também que nosso prédio, patrimônio histórico pertencente à União, tenha sido mais uma vez duramente agredido. Esperamos que responsabilidades sejam apuradas”, completa a nota. Por fim, os diretores reafirmam “a posição histórica desta casa em defesa da democracia e de seus direitos fundamentais”.

Para ler a nota na íntegra, clique aqui.

FONTE: http://www.cfch.ufrj.br/index.php/27-noticias/718-ufrj-e-atacada-pela-policia-militar-do-estado-do-rio-de-janeiro

Duas décadas de doutorado e a longa estrada à frente

doutor

Hoje completam-se duas décadas desde que eu defendi a minha tese de Doutoramento na Virginia Polytechnic Institute and State University, e claro tenho muito o que celebrar. Vindo de uma família de camponeses e trabalhadores fui o primeiro do lado paterno a ter um diploma de graduação, depois um de mestrado, e finalmente um de doutorado. Essa marcha entre as serras escarpadas do Paraná e as montanhas dos Apalaches na Virgínia poderia ser usada pelos defensores da meritocracia que o Capitalismo funciona para os que querem. Mas sei que não é bem assim. O fato é que para cada um que têm exito em ultrapassar as limitações impostas pela divisão de classes existente no sistema capitalista, existem milhares para  quem é negado sequer o direito a viver, como foi o caso recente do menino João Victor Souza de Carvalho, assassinado por funcionário da rede Habib´s apenas por estar pedindo comida. É que no Brasil nada meritocrático ser pobre e negro é quase como nascer com uma sentença de morte.

Assim, eu sei bem que o meu desenvolvimento acadêmico não tem só a ver com o meu esforço pessoal, e que a minha jornada só foi possível pela solidariedade e generosidade das muitas pessoas que cuidaram para que eu pudesse ter a melhor educação possível, fosse aqui no Brasil ou nos EUA. Nesse quesito tenho que citar meus orientadores Irving Foster (Iniciação Científica), Luis Drude de Lacerda (Mestrado), Virginia H. Dale (Pós-Mestrado), e John O. Browder (Doutrado). A seu modo, cada um deles me preparou para continuar a labuta de formar novos quadros para a ciência brasileira.

Além disso,  eu só posso me considerar uma pessoa de muita sorte, pois nunca me faltaram as pessoas a me apoiar e me apontar o caminho a ser seguido. A essas pessoas serei sempre imensamente grato.

Vinte anos depois do dia em que realizei o último ato acadêmico da minha formação, penso que é mais necessário do que nunca enfatizar o papel do ensino público e gratuito, e do financiamento estatal da ciência. É que sem a escola pública e as verbas investidas na minha formação pelo governo federal, não haveria como me sustentar dentro de uma universidade como a UFRJ, onde passei anos formativos que me prepararam para o desafio de um doutoramento numa sólida universidade estadunidense.

Por entender essa importância do ensino público para nossos jovens é que não me deixo abalar sequer pela falta de pagamento dos meus salários pelo (des) governo Pezão. Vindo de onde eu vim, sei bem o que é viver com orçamento curto e sem muitas regalias. Além disso, tenho consciência de que a falta do pagamento devido pelo trabalho que exerço é parte de uma estratégia de desmoralização dos que cotidianamente labutam para que a juventude fluminense possa frequentar universidades públicas que lhes oferecem a possibilidade de um horizonte mais amplo na vida. Por isso, não serei desmoralizado por um governo que aposta nas trevas e se mostra um opositor cabal dos melhores valores que a Ciência pode incutir em nossos jovens. 

Uma última palavra nesse dia vai para os pesquisadores, camponeses, seringueiros e povos indígenas de Rondônia com quem pude interagir durante o período em que coletei os dados que deram sustentação empírica à minha tese de Doutorado. Eu os carregarei sempre no coração, pois foi com eles que aprendi as minhas maiores lições como ser humano. Na foto abaixo, estou com meu companheiro de pesquisa, o hoje doutor Raimundo Cajueiro Lenadro em algum momento do ano de 1996, um dos que me ensinou como andar pelas terras rondonienses de olhos e coração abertos.

cajueiro

Nota de falecimento do Prof. Wolfgang Christian Pfeiffer

luto-6

A ciência brasileira perdeu nesta 4a .feira (15/02) o professor Wolfgang Christian Pfeiffer cuja trajetória foi marcada por uma incansável busca pela excelência acadêmica, principalmente nos estudos relacionados à contaminação ambiental por metais pesados. Foi ele  o idealizador do Projeto de Contaminação Ambiental e Humana por Mercúrio na Amazônia que a partir de 1986 contribuiu para importantes avanços no conhecimento existente sobre os impactos da contaminação ambiental e humana pelo uso deste metal pesado na extração do ouro.

Graças à sua importante constribuição à ciência brasileira, ele foi conduzido à um grupo seleto de pesquisadores que formam parte da Academia Brasileira de Ciências desde 1987.

Nascido na Alemanha, o Prof. Pfeiffer chegou ao Brasil com apenas 6 anos, e aqui  desenvolveu uma longa e trajetória acadêmica. Além disso, apesar de ter passado uma parte significativa da sua vida profissional no Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho (IBCCF) da Universidde Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde ingressou como auxiliar de ensino em 1970 e ocupou paulatinamente importantes cargos de liderança científicas. Entretanto, a sua contribuição alcançou diversas instituições universitárias brasileiras, tendo o Prof. Pfeiffer ocupado um papel central na implantação da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), particularmente na criação do Laboratório de Ciências Ambientais.

Em reconhecimento a esta contribuição do Prof Pfeiffer no lançamento dos seus alicerces institucionais e científicos,  a Uenf o homenageou dando o seu nome Laboratório Experimental (base de campo) que a universidade possui no interior da Reserva Biológica União que está localizada no município de Casimiro de Abreu.

wolf

Tive a oportunidade de conhecer e conviver  com o Prof. Pfeiffer  no final da década de 1980 quando ele gentilmente me possibilitou realizar no seu laboratório as análises de metais pesados nas amostras de chuva que terminaram compondo a minha dissertação de Mestrado que foi defendida em 1990 no Programa de Pós-Graduação em Geografia da UFRJ. Desta interação pude notar a sua profunda paixão pela ciência e, em particular, pelo Brasil.  Em função disso, pude compreender o tipo de comprometimento que se demanda daqueles que adentram os sinuosos caminhos da Ciência com a intenção de efetivamente contribuir para o avanço do conhecimento.

Que a memória do Prof. Pfeiffer continue inspirando aqueles que irão continuar o seu esforço em prol do desenvolvimento da ciência brasileira.

UFRJ sediará simpósio sobre “Mídia, estado, democracia”

Nos dias 24 e 25 de Outubro ocorrerá o simpósio “Mídia, estado, democracia” no Salão Nobre do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) da UFRJ.  O evento contará com mesas redondas na parte da manhã, de tarde e de noite (ver cartaz abaixo).

cartaz

Este evento é uma realização do Laboratório de Pesquisa e Práticas de Ensino de História (LPPE) do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UERJ, do Núcleo Interdisciplinar de Estudos Sobre a África, Ásia e as Relações Sul-Sul (NIEAAS), do Departamento de Ciência Política da UFRJ, e do Núcleo de Estudos de História Política da América Latina (NEHPAL) da UFRRJ

Segundo  o site do simpósio, o evento têm o objetivo de ampliar a consciência crítica sobre um tema que tem tido um papel fundamental no contexto político atual não apenas nacional, como em todo mundo, onde a mídia tem assumido um papel preponderante e que merece uma reflexão mais profunda de seus efeitos.

Os interessados em participar das atividades programadas para este seminário podem se informar Aqui!

A essência do pensamento Temer(ário): “quem não tem dinheiro não faz universidade”

mar-2

Acabando de chegar aos 56 anos de idade não tenho muita ilusão na disposição das elites deste país em investir para oferecer educação de qualidade para a maioria pobre da nossa população. É que já estou há muito tempo tratando com parlamentares e (des) governantes para saber que educar a população não é de nem longe um objetivo que eles persigam com sinceridade. Aliás, muito pelo contrário.

Mas antes de chegar ao ponto central desta postagem me permitam compartilhar um pouco da minha história pessoal.  Sou o primeiro dos cinco filhos de um casal típico da classe trabalhadora tradicional: meu pai emigrou para o meio urbano em 1954 e teve o seu apogeu ocupacional na função de mestre de tubulação, apesar de ter tido apenas poucos anos de educação formal. Já a minha mãe passou boa parte de sua a vida cuidando da casa lotada de filhos, com todas as tarefas de quem não tinha um empregada doméstica.

Com esse perfil familiar comecei a trabalhar com 12 anos e tive meu primeiro registro de carteira profissional assinado aos 15 anos. Aos 18 anos decidi que não seguiria a carreira de bancáro (sim naquela época havia essa carreira) e me mandei para o Rio de Janeiro para cursar um curso de bacharelado em Meteorologia na UFRJ. Como aquela não era a minha praia, mudei para o curso de Geografia e permaneci na universidade até o final do mestrado, quando fui para os EUA trabalhar no Laboratório Nacional de Oak Ridge que fica no estado do Tennessee. Como já estava lá, aproveitei uma oportunidade e cursei um doutorado na Virginia Polytechnic Institute and State University. Ao voltar para o Brasil logo fui contratado para trabalhar na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf).

Para muitos áulicos do capitalismo, eu posso ser uma daquelas provas de que o sistema premia quem trabalha, independente de onde se começa. Eu já penso que sou uma rara exceção, pois existem no Brasil milhões de jovens com o meu perfil social original que jamais sonharão sequer em entrar numa universidade pública, muito menos cursar um doutorado numa boa universidade estadunidense.

Muitos poderão se perguntar sobre as causas de eu ter sido uma exceção. Eu começo dizendo que provavelmente o fato de eu ser branco, já que apesar de ter crescido pobre, eu nunca tive que esconder onde eu morava dado que minha aparência física era de classe média. Além disso, tive uma forte demanda familiar para estudar já que não fazer isso seria considerado uma afronta à disciplina, o que normalmente era punido severamente. Mas eu também tive a extrema felicidade de encontrar pessoas que me incentivaram a exceder as minhas expectativas sociais. Aí entraram vários professores que sempre me empurraram com a doação de livros que eu jamais poderia comprar.  Entre estes muitos apoiadores uma das pessoas fundamentais foi o primeiro orientador, Prof. Irving Foster Brown, que abriu diversas portas importantes, desde a Iniciação Científica até o Doutorado.

Mas em que pese tudo isso, eu sou sim uma exceção. Mas se sou exceção, qual é a regra? A regra é que a maioria nossas crianças e jovens pobres (a maioria negra) está destinada a não ter as oportunidades que eu tive, tendo que se preocupar mais em chegar ao próximo dia sem ser aniquilada, seja pelo aparelho de repressão do Estado, pelo narcotráfico ou pelas milicias. Quando sobrevivem a tudo isso, essa maioria tem sido historicamente impedida de sonhar com um futuro melhor para sí e para seus descendentes.

Entretanto, o que já é ruim está para piorar. É que com a aprovação da PEC 241 estão aparecendo aqueles que dizem com todas as letras quais são os seus planos para a  nossa juventude. Não basta para eles congelar os investimentos em educação, eles querem mais, muito mais. Vejamos, por exemplo, o caso do Nelson Marquezelli (PTB-SP) que afirmou antes da votação da PEC 241 que “quem não tem dinheiro não faz universidade” (Aqui!).  E quem é o deputado Marquezelli?  Ora, um dos muitos políticos paulistas implicados no “Escândalo da Merenda” que roubou milhões de reais dos cofres públicos que deveriam ser usados para alimentar estudantes da rede pública de ensino (Aqui!).

Alguém se surpreende com essa dupla moral? Eu particularmente não. Mas mais do que mostrar a contradição entre quem defende cortes na educação para conter o déficit público para depois ser relacionado ao achaque à coisa pública, o que o caso do deputado Marquezelli bem exemplifica é o fato de que as elites brasileiras estão se lixando para o futuro de milhões de jovens brasileiros, ainda que isto apareça sob o manto de um neoberalismo tosco.

E que ninguém se engane. Se continuarmos apenas assistindo ao desmanche dos poucos avanços que foram trazidos pela Constituição Federal de 1988, daqui a pouco vai tentar a anular a Lei Áurea. É que a disposição social regressiva das elites não tem fim. Simples assim!

Para quem desejar assistir ao vídeo já célebre onde o deputado Nelson Marquezelli discorre suas ideias sobre quem pode ou não estudar, basta clicar (Aqui!)

Divulgando a Jornada de Lutas contra os Jogos da Exclusão  de 01 a 05/08 na cidade do Rio de Janeiro

jornada 0

A Rio 2016 já vai começar e o (não)legado está claro. Uma cidade segregada, na qual bilhões são gastos, com qual resultado? Juventude negra sendo morta nas favelas, colapso do transporte, Estado quebrado sem pagar salários e golpe no governo federal para garantir ainda mais dinheiro na repressão.

A lista de violações é grande, mas a resistência também será! Na Copa das Confederações em 2013 e na Copa do Mundo em 2014 estávamos nas ruas e agora voltaremos à luta contra todas as violações cometidas em nome dos megaeventos!

De 1 a 5 de agosto: JORNADA DE LUTAS CONTRA RIO 2016, OS JOGOS DA EXCLUSÃO.

jornada

Serão cinco dias intensos de atividades, culminando em um grande ato no dia da abertura dos Jogos.

Abaixo a programação que começa na segunda- feira (01/08) c0m a Vigília da Dignidade, que ocorrerá das 14h às 21h, no Centro do Rio, e continuará no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) da UFRJ de 02 a 04/08

jornada 1jornada 2jornada 3jornada 4

E lembrando que, no dia 05/08 haverá o Ato “Rio 2016 – Os Jogos da Exclusão”

Em uma cidade onde o abismo da desigualdade cresce cada vez mais, a base de tratores, tiros e bombas, é fundamental prosseguir e avançar na luta pelo direito à cidade, pela democracia e pela justiça social.

Vamos denunciar este projeto de cidade segregada, Rio Olimpíada 2016: os Jogos da Exclusão!

FONTE: https://www.facebook.com/events/1763662637246720/

Sinal de luz na academia: UFRJ lança frente em defesa do MCTI

foto4a

Ainda que de forma mais lenta e com menor cobertura midiática, começou a reação da comunidade científica contra a extinção do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) pelo presidente interino Michel Temer.

Uma mostra dessa reação se deu a partir da criação da “Frente da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) contra a extinção do MCTI”, e que mereceu até uma nota bem formulada por parte da reitoria da principal instituição de ensino superior no âmbito federal (Aqui!) que foi emitida no dia 25 de maio.

A extinção do MCTI, como bem aponta a nota da reitoria da UFRJ, representa uma grave ameaça de retrocesso no ainda tenro processo de desenvolvimento de uma comunidade científica capaz de produzir conhecimento autônomo e útil para a formulação de uma política de inovação tecnológica que nos permita superar o eterno ciclo de dependência na exportação de commodities agrícolas e minerais.

Aliás, como já frisei aqui neste blog, a opção adotada pelo governo da República Popular da China, que também enfrenta problemas de natureza econômica e política por causa do atual ciclo de crise do sistema capitalista, foi no sentido completamente inverso do adotado pelo governo interino do Brasil. Lá na China, no lugar de cortar investimentos, a decisão foi de aumentar em 70% o orçamento do ministério das Ciências. E, curiosamente, fortalecer o ensino de Filosofia e Sociologia, o que também contraria as tendências sendo observadas no Brasil, onde essas disciplinas são completamente desvalorizadas.

Mas voltando à Frente em defesa do MCTI, é necessário que a comunidade cientifica e as múltiplas sociedades e associações científicas saiam da postura vacilante (para não dizer omissa) que marcou as primeiras semanas sem a existência de um ministério próprio da área.  Essa postura vacilante está em direto contraste com o que se viu por parte da comunidade artística, onde ocupações e atos de figuras de proa forçaram um recuo do governo interino.  

A verdade é que não se trata apenas de defender a existência de um ministério que já se mostrou importante na estruturação de uma política de estado para o fortalecimento da ciência nacional. É que, por detrás da extinção do MCTI, há uma clara opção pelo enfraquecimento dos centros de pesquisa e das universidades públicas que garantem quase a totalidade do que é produzido em ciência, tecnologia e inovação no Brasil. Não entender isso poderá nos remeter aos primórdios do Século XIX quando, sob a tutela de Portugal, vivíamos nas trevas, enquanto em nosso redor já existiam universidades consolidadas, como no caso do Peru onde a Universidad de San Marcos foi fundada pelos conquistadores espanhóis já em 1551!

Abaixo um vídeo com um depoimento do Prof. Ildeu Moreira, vice-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência sobre as potenciais perdas que serão ocasionadas pela extinção do MCTI.