Sinal de luz na academia: UFRJ lança frente em defesa do MCTI

foto4a

Ainda que de forma mais lenta e com menor cobertura midiática, começou a reação da comunidade científica contra a extinção do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) pelo presidente interino Michel Temer.

Uma mostra dessa reação se deu a partir da criação da “Frente da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) contra a extinção do MCTI”, e que mereceu até uma nota bem formulada por parte da reitoria da principal instituição de ensino superior no âmbito federal (Aqui!) que foi emitida no dia 25 de maio.

A extinção do MCTI, como bem aponta a nota da reitoria da UFRJ, representa uma grave ameaça de retrocesso no ainda tenro processo de desenvolvimento de uma comunidade científica capaz de produzir conhecimento autônomo e útil para a formulação de uma política de inovação tecnológica que nos permita superar o eterno ciclo de dependência na exportação de commodities agrícolas e minerais.

Aliás, como já frisei aqui neste blog, a opção adotada pelo governo da República Popular da China, que também enfrenta problemas de natureza econômica e política por causa do atual ciclo de crise do sistema capitalista, foi no sentido completamente inverso do adotado pelo governo interino do Brasil. Lá na China, no lugar de cortar investimentos, a decisão foi de aumentar em 70% o orçamento do ministério das Ciências. E, curiosamente, fortalecer o ensino de Filosofia e Sociologia, o que também contraria as tendências sendo observadas no Brasil, onde essas disciplinas são completamente desvalorizadas.

Mas voltando à Frente em defesa do MCTI, é necessário que a comunidade cientifica e as múltiplas sociedades e associações científicas saiam da postura vacilante (para não dizer omissa) que marcou as primeiras semanas sem a existência de um ministério próprio da área.  Essa postura vacilante está em direto contraste com o que se viu por parte da comunidade artística, onde ocupações e atos de figuras de proa forçaram um recuo do governo interino.  

A verdade é que não se trata apenas de defender a existência de um ministério que já se mostrou importante na estruturação de uma política de estado para o fortalecimento da ciência nacional. É que, por detrás da extinção do MCTI, há uma clara opção pelo enfraquecimento dos centros de pesquisa e das universidades públicas que garantem quase a totalidade do que é produzido em ciência, tecnologia e inovação no Brasil. Não entender isso poderá nos remeter aos primórdios do Século XIX quando, sob a tutela de Portugal, vivíamos nas trevas, enquanto em nosso redor já existiam universidades consolidadas, como no caso do Peru onde a Universidad de San Marcos foi fundada pelos conquistadores espanhóis já em 1551!

Abaixo um vídeo com um depoimento do Prof. Ildeu Moreira, vice-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência sobre as potenciais perdas que serão ocasionadas pela extinção do MCTI.

Um pensamento sobre “Sinal de luz na academia: UFRJ lança frente em defesa do MCTI

  1. […] Sinal de luz na academia: UFRJ lança frente em defesa do MCTI Marcos Pedlowski […]

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s