O discurso delirante de Jair Bolsonaro na ONU aumentará isolamento do Brasil

bolsonaro-onuO discurso fortemente ideológico de Jair Bolsonaro na assembleia geral da ONU deverá aprofundar o isolamento do Brasil

Acabei de assistir à relativamente longa (pelos padrões praticados até aqui em eventos multilaterais) e dolorosa fala do presidente Jair Bolsonaro na Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU). O doloroso fica por conta da tarefa árdua de ouvir o amontoado de clichês que alguém colocou no papel para ser lido por um presidente que objetivamente não possui a menor noção dos problemas que seu ainda breve governo já criou para o Brasil. E que agora certamente aumentarão como fruto de um discurso puramente ideológico cuja essência é negar fatos concretos.

Das questões mais notáveis da fala de Jair Bolsonaro estão os ataques à mídia, à Cuba e À Venezuela, ao cacique Raoni Metuktire, ao globalismo, às ditas ingerências na soberania do Brasil, e desaguando em uma citação bíblica, a de João 8:32 (E conhecerão a verdade, e a verdade os libertará”).

Não faltou ainda os ataques a uma suposta ideologização da sociedade brasileira, que estaria perpassando todos os segmentos imagináveis, começando, obviamente, pela mídia que estaria mostrando, por exemplo, uma devastação inexistente na Amazônia brasileira. Nesse quesito, Jair Bolsonaro apresentou números muito peculiares, tanto na área do território nacional usada para agricultura (que seriam meros 8%) e para a conservação ambiental (estrondosos 60%).  Bolsonaro não deixou citar as comparações com o que estaria sendo usado para agricultura em países como Alemanha e França, os quais, segundo ele, usariam quase 6 vezes mais do seu território para produzir alimentos.

Um momento esquisito do discurso foi a deferência especial à Israel que teria enviado suas tropas para participar de ações de resgates no Brasil (o que se reduziu a 4 dias em Brumadinho e 4 dias em Rondônia). O problema é que essa deferência toda antecedeu uma sinalização de que o Brasil pretende aprofundar suas parcerias com os países árabes, os quais têm visto a aproximação com Israel com grande reserva, o que já resultou em grandes perdas econômicas.

Na mesma direção, o presidente Bolsonaro misturou ataques aos países europeus com uma saudação ao acordo de livre comércio com a União Europeia.  Esse acordo, como sabemos, subiu no telhado após o início das queimadas devastadoras que ocorreram na Amazônia como fruto do avanço da franja de desmatamento.

Interessante notar que o secretário de estado dos EUA,  Mike Pompeo, chegou no minuto final do discurso de Jair Bolsonaro, o que demonstra de forma cabal o isolamento diplomático em que o Brasil está posto neste momento. 

Este isolamento certamente será agravado pelo ataque direto que foi feito ao cacique Raoni e a apresentação de uma suposta liderança indígena,  a youtuber Ysani Kalapalo, para tentar legitimar suas visões de exploração de riquezas dentro das áreas indígenas.

A forma com que o discurso foi recebido foi evidenciado pelo silêncio que se seguiu a ele.  O fato é que os problemas políticos e econômicos que o Brasil vive neste momento têm tudo para piorar depois desse discurso lamentável.

Um adendo necessário é a extrema semelhança do discurso de Jair Bolsonaro com o seu parceiro preferencial, Donald Trump. Determinados trechos do discurso de Donald Trump que se seguiu imediatamente ao de Bolsonaro saíram da mesma cartilha que repete a cantilena do anti globalismo. Como dificilmente, o Departamento de Estado dos EUA daria ouvidos a Jair Bolsonaro para preparar o discurso de Trump, o mais provável é que o contrário tenha ocorrido. 

 

Agrotóxicos produzidos na China são maioria no pacote de venenos aprovado pelo governo Bolsonaro

mourãoO vice-presidente Hamilton Mourão em visita oficial à China

Acabei de completar a base que venho construindo com os agrotóxicos que tiveram sua liberação publicada na vigência do governo Bolsonaro e que incluem os 63 agrotóxicos que foram autorizados pelo Ato No. 62 publicado no dia 13 de Setembro de 2019.  Um primeiro detalhe a se ratificar é que  “grande total” dos agrotóxicos liberados é 353 e não 325 como algumas fontes têm insistentemente publicado.

Analisei algumas facetas peculiares desse pacote de venenos agrícolas cuja velocidade de aprovação quebra recordes históricos.  O curioso, como já mostrado por um estudo feito pela parceria Pública/Repórter Brasil é que muitos desses venenos já estão no mercado brasileiro, e o que parece estar ocorrendo é um rodízio sobre as regiões produtores dos mesmos, com uma clara ênfase na China. É que 69,4% dos produtos técnicos dos agrotóxicos aprovados pelo governo Bolsonaro têm seu fabricante primário (ou único) na China que parece estar se tornando a grande produtora de agrotóxicos que já foram banidos ou proibidos em outras partes do mundo.

A proeminência chinesa na produção dos agrotóxicos banidos é tanta que dos 104 que se encontram proibidos de comercialização nos países que formam a União Européia (93, ou seja 89%) se originam de plantas industriais localizadas na China.

Outra faceta interessante é que cinco dos produtos aprovados são compostos por mais de um princípio ativo e servem a mais de uma função como, por exemplo, para eliminar plantas daninhas e insetos.  Apesar dessa ser uma tendência que já vem se firmando na produção de venenos agrícolas, não deixa de ser interessante que produtos que podem ser apenas parcialmente proibidos na União Europeia.  Esse é um detalhe importante porque cedo ou tarde a legislação comunitária vai ser mais estrita em relação a produtos que já tenham sido banidos pela União Europeia.

Por último, é importante notar que no pacote de 353 agrotóxicos aprovados até agora pelo governo Bolsonaro, os produtos voltados para o controle biológico e não químico de pragas representam apenas 4,2% do total. Mas com um detalhe bastante significativo: todos são produzidos no Brasil, refletindo uma contribuição significativa das universidades públicas que são responsáveis pelo desenvolvimento das pesquisas que originam esse tipo de agrotóxico. Assim, ao praticamente acabar com o financiamento de pesquisas científicas nas universidades brasileiras com seus drásticos cortes orçamentários, o governo Bolsonaro dificulta o desenvolvimento de produtos de base nacional, favorecendo principalmente a indústria chinesa de agrotóxicos.

O problema associado à dependência crescente do latifúndio agro-exportador em relação aos agrotóxicos vindos da China pode ser ainda maior, pois há um mercado crescente de agrotóxicos chineses que entram no Brasil ilegalmente via contrabando.

Como já tenho feito desde o início do ano, disponibilizo a base de dados construída para quem está interessado no estudo dos agrotóxicos que estão sendo liberados para comercialização no Brasil. Os interessados em baixar a base de dados, basta clicar [Aqui!].

 

Relatório revela: 70% dos agrotóxicos usados no Brasil são considerados “altamente perigosos”; país responde por 1/5 do consumo mundial

ONG Suíça Public Eye em parceria com a Campanha Permanente Contra os agrotóxicos e pela Vida será lançada nesta quinta (29) na 18ª Jornada de Agroecologia em Curitiba

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A pesquisa reúne dados detalhados sobre como a Syngenta ganha bilhões vendendo agrotóxicos altamente perigosos em países pobres. Dos 120 ingredientes ativos de agrotóxicos produzidos pela empresa, 51 não estão autorizados em seu país de origem, a Suíça; 16 deles foram banidos devido ao impacto à saúde humana e ao meio ambiente. Mas a Syngenta continua a vendê-los em países onde as normas costumam ser mais fracas ou menos rigorosamente aplicadas, como é o caso do Brasil.

No Brasil, o maior consumidor de agrotóxicos do mundo, milhões de pessoas estão expostas a um coquetel de agrotóxicos altamente tóxicos. Este é um dos destaques do relatório “Lucros altamente perigosos”, elaborado pela ONG Suíça Public Eye. A versão em português do estudo será lançada pela FASE e a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida nesta quinta-feira (29), às 15h, na aula pública “O envenenamento do povo brasileiro – impactos dos agrotóxicos à saúde”. A atividade integra a 18ª Jornada de Agroecologia, que acontece em Curitiba de 29 de agosto a 1º de setembro. O lema deste ano é “Terra Livre de Transgênicos e Sem Agrotóxicos, Cuidando da Terra, Cultivando Biodiversidade e Colhendo Soberania Alimentar, e Construindo o Projeto Popular para a Agricultura! ”.

Em 2017, cerca de 540 mil toneladas de venenos foram aplicadas no Brasil, por um valor de mercado de US$ 8,9 bilhões. Cerca de 370 mil toneladas de “agrotóxicos altamente perigosos foram pulverizadas nas plantações, o que representa aproximadamente 20% do uso mundial. Desde o início de 2019, foram liberados 290 registros agrotóxicos no país. Destes 44% são proibidos na União Europeia por apresentarem riscos à saúde e ao ambiente”, destaca Francileia Paula de Castro, agrônoma e educadora da FASE, que também integra a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida.

A Organização das Nações Unidas para Alimentação (FAO) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) estão entre as instituições que recomendam que os agrotóxicos altamente tóxicos sejam eliminados gradualmente e substituídos por alternativas mais seguras.

O que: Lançamento do relatório “Lucros altamente perigosos: Como a Syngenta ganha bilhões vendendo agrotóxicos altamente perigosos”

Onde: Praça Santos Andrade, Curitiba – PR

Quando: 29 de agosto de 2019, às 15h.

Amazônia em chamas cria tempestade perfeita para o Brasil

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Convenhamos que até aqui o presidente Jair Bolsonaro e seu conjunto de ministros generais saídos de algum freezer criogênico vinham nadando de braçadas no seu projeto de instalar um governo ultraneoliberal com extrema facilidade, muito em parte graças à fragilidade absurda dos partidos ditos de esquerda.

A coisa começou a azedar quando começaram os primeiros ruídos em torno dos dados de desmatamento na porção brasileira da bacia Amazônica, muito em graças ao eficientíssimo processo de desmanche da precária governança ambiental e dos insuficientes mecanismos de comando e controle que protegiam com dificuldades unidades de conservação e terras indígenas na Amazônia.

A primeira reação foi demitir o físico Ricardo Galvão da direção do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) pela divulgação de dados de desmatamento na Amazônia que o presidente Jair Bolsonaro e seu ministro (ou seria antiministro?) do Meio Ambiente, o improbo Ricardo Salles, diziam ser mentirosos ou, quando muito, exagerados.

Havia até este ponto uma disputa retórica acerca da capacidade do Inpe de gerar números precisos sobre o desmatamento (sobre isso ver vídeo abaixo com o Dr. Douglas Morton, do Biospheric Sciences Laboratory do Goddard Space Flight Center da NASA).

Mas bastou que os restos secos da floresta começassem a arder e levantar colunas gigantescas de fumaça na Amazônia para que uma tempestade perfeita começasse a se formar em escala global, a qual ameaça engolir o Brasil e os projetos de governo Bolsonaro em nos transformar em uma espécie de uma plataforma exportadora de produtos primários.

As imagens dos incêndios, animais mortos e indígenas denunciando a ação de criminosos no interior de suas terras são demais para serem ignorados, na medida em que governos nacionais, principalmente na Europa, estão implementando ajustes para evitar o agravamento das mudanças climáticas dentro de seus próprios limites nacionais. E com isso vieram as manifestações de Emmanuel Macron, Angela Merkel e até do presidente da Comissão Europeia, o finlândes Jyrki Katainen, no sentido de cobrar do governo Bolsonaro mais responsabilidade com a Amazônia.

O governo Bolsonaro até ontem parecia obstinado em aplicar sua receita devastadora para a Amazônia, em que pesem os alarmes que começaram a ser soados por líderes do latifúndio agro-exportador como Blairo Maggi, Kátia Abreu e Marcello Brito (diretor da Associação Brasileira do Agronegócio).  Isso mudou com a manifestação dura de Emnanuel Macron na sua página na rede social Twitter, o presidente francês demandou ação urgente para obrigar o governo Bolsonaro a mudar seu curso de ação.

macron

É que apesar do estilo de dar caneladas antes de pensar, o presidente Jair Bolsonaro e alguns de seus ministros parecem agora dotados de uma condição de urgência para realizar uma operação de controle de danos.  A anunciada posição da Finlândia de exigir um boicote à carne produzida no Brasil deverá agravar ainda mais a sensação de que medidas urgentes terão que ser tomadas para aliviar um pouco a situação catastrófica em que a diplomacia brasileira foi enfiada pelas manifestações “sinceronas” do presidente Bolsonaro.

O problema agora é ver como sair do enrosco em que Jair Bolsonaro meteu o Brasil. Mas as dezenas de manifestações que estão ocorrendo na Europa para exigir atitudes contra a destruição da Amazônia tornarão qualquer tentativa de reduzir dano quase impossível de ser realizada. É o que dá criar uma tempestade perfeita quando as imagens viajam quase tão rapidamente quanto a fumaça das queimadas.

Agronegócio sente pressão internacional e já se afasta de Bolsonaro

Diretor da Associação Brasileira do Agronegócio, Marcello Brito, acredita que é questão de tempo para o Brasil sofrer boicotes internacionais e que vai custar caro ao país reconquistar a confiança de alguns mercados. “Não podemos transformar o presidente da República”

bolso chapeuFoto: José Cruz/Agência Brasil

Os discursos do presidente Jair Bolsonaro (PSL) com relação à política ambiental do país tem preocupado autoridades e empresários do agronegócio, em especial os exportadores. A percepção é de que o setor corre sério risco de sofrer boicotes internacionais, como já tem acontecido na área de proteção ambiental, e que será necessário agir sem o apoio do presidente. O chefe da Associação Brasileira do Agronegócio, Marcello Brito, disse em entrevista ao Valor que acredita ser “questão de tempo” tais boicotes e que “vai custar caro ao país reconquistar a confiança de alguns mercados”.

“Precisamos parar com essa mania de achar que o Brasil é o único produtor mundial de alimentos e que, se a gente não fornecer, ninguém o fará. A lei de mercado é clara: deixe um espaço vazio e alguém irá ocupar”, afirmou Brito. Para ele, o setor precisará trabalhar “de forma uníssona” para tentar reverter os danos causados pela percepção sobre a política ambiental do governo. “Não podemos transformar o presidente da República”, disse.

A exigência de um agronegócio que seja pautado na proteção ambiental é algo trivial fora do Brasil. No entanto, sustentabilidade é um tema que apresenta prioridades diferentes no governo Bolsonaro com relação aos países europeus. Esse choque de interesses poderá trazer consequências graves, como o cancelamento do acordo de livre-comércio entre Mercosul e União Europeia.

O ex-ministro da Agricultura no governo de Michel Temer, Blairo Maggi (PP), chama atenção para a cláusula do acordo entre os blocos permite que a Europa barre importações do Brasil, o que poderia ter complicações por conta das falas do presidente. “Essas confusões ambientais poderiam criar uma situação para a UE dizer que o Brasil não estaria cumprindo as regras. E não duvido nada que a gritaria geral que a Europa está fazendo seja para não fazer o acordo. A França não quer o acordo”, disse.

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Este artigo foi originalmente publicado pela Revista Fórum [Aqui!] .

Dados do INPE mostram desmatamento em ritmo explosivo na Amazônia

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Enquanto o Brasil é distraído por situações e “causos” envolvendo as idas e vindas do governo Bolsonaro, a realidade imposta no chão das florestas continuam tomando um ritmo explosivo em termos de remoção de vegetação nativa. Isso é o que mostra a série de dados produzida pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que apontam para a remoção de cerca 1.000 km2 de florestas apenas na primeira metade de julho (ver figura abaixo).

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Esse avanço explosivo da franja de desmatamento resulta de uma política deliberada de desmantelamento dos mecanismos (limitados) de comando e controle que existiam no governo federal até a chegada de Jair Bolsonaro à presidência da república, o que foi acompanhado pela colocação de um ministro anti-ambiente para dirigir a pasta estratégica do Meio Ambiente, o improbo Ricardo Salles.

A continuarmos no atual ritmo, a possibilidade é de que não apenas haja uma alteração imediata no funcionamento dos ecossistemas em escala regional, mas também no plano nacional e global.  A coisa aqui é simples: a transferência da umidade que está diretamente associada à existência das florestas amazônicas cessará e poderá acarretar uma diminuição acentuada das precipitações em outras partes do Brasil, bem como contribuirá para uma elevação do aquecimento do planeta. 

Essa associação entre as florestas amazônicas e a regulação climática está estabelecida em estudos científicos rigorosos, e está sendo propositalmente negligenciada pelo governo Bolsonaro para atender alianças políticas com os setores mais retrógrados da política nacional, os quais, em muitos casos, estão diretamente envolvidos na pilhagem e destruição das florestas nacionais.

Esses dados de desmatamento explosivo certamente vão inquietar os governos europeus com quem o governo Bolsonaro recentemente celebrou um acordo de livre comércio. É que apesar dos interesses e ganhos econômicos imediatos que o acordo entre o Merco Sul e a União Europeia irão privilegiar, há na Europa uma pressão pública para o controle e mitigação dos efeitos das mudanças climáticas. Essa pressão tenderá a aumentar quando os dados produzidos pelo Inpe se tornarem amplamente públicos.

Uma coisa que posso adiantar é que os mecanismos de espalhamento, as áreas preferenciais de pilhagem, e os agentes envolvidos no processo estão mapeados. Entender isso será fundamental para desmascarar quaisquer alegações feitas por agentes do governo Bolsonaro no sentido de menosprezar e denegrir os estudos feitos pela comunidade científica acerca da remoção das florestas amazônicas.

Não obstante a situação que está colocada na Amazônia e no Cerrado é extremamente grave e precisa ser devidamente respondida. Do contrário. todos os piores cenários estimados em centenas de artigos científicos publicados ao longo das últimas décadas serão empalidecidos pela realidade criada pelo governo Bolsonaro.

Finalmente, em função dos dados potencialmente danosos aos interesses políticos e econômicos dos aliados do governo Bolsonaro é bem provável que ocorra um ataque frontal à capacidade do Inpe de continuar monitorando o desmatamento na Amazônia e no Cerrado brasileiro. Apoiar politicamente os pesquisadores do Inpe que conduzem o processo de monitoramento do desmatamento é essencial neste momento. Do contrário, não me surpreenderia com o início de uma perseguição explícita a eles e a todos que utilizam os dados de alta qualidade que eles produzem.

 

Sem saber, brasileiros estão comendo frangos que foram recusados na Europa por causa de contaminação por Salmonela

salmonela

Frangos brasileiros contaminados por bactéria salmonela devolvidos por países da União Europeia estão sendo vendidos em supermercados brasileiros

Em meio aos imensos problemas que vivemos no Brasil, uma notícia passou basicamente sem ter a devida repercussão, apesar das graves consequências que a mesma traz para a vida dos brasileiros.  Falo da informação de que pelo menos 1,4 mil toneladas de frango que foram recusadas pelo Reino Unido por estarem contaminadas pela bacteria Salmonela poderão ser vendidas no Brasil.

frango salmonela

Precisamos lembrar que uma das primeiras propostas apresentadas publicamente pela ministra da Agricultura, Tereza Cristina (DEM/MS) foi entregar o processo de fiscalização aos próprios frigorificos, tornando a fiscalização federal apenas uma espécie de apêndice da autofiscalização que as corporações que controlam a produção de carne animal e de laticínios no Brasil realizariam. 

É como se não bastasse que os brasileiros hoje estejam ingerindo resíduos agrotóxicos via o consumo de alimentos e água de torneira. Há que se acrescentar aí o fornecimento de carne animal que outros países estão recusando por estarem com níveis excessivos de contaminação biológica.

Note-se ainda que o fornecimento de alimentos contaminados que podem servir para a ocorrência de doenças que se manifestam de forma aguda ou crônica ocorre em um momento em que ocorre um desmonte do Estado, o que começa a deixar parcelas inteiras da população sem acesso a serviços públicos de saúde.

Este cenário dantesco só será evitado se houver um esforço para conscientizar e organizar as parcelas da população brasileira que terão mais problemas com o desmanche das estruturas de fiscalização sanitária.  Em outras palavras, ou nos organizamos ou estaremos destinados a consumir a comida que outros povos não aceitarão.