O movimento estudantil da universidade criou uma página no facebook intitulada PM na Uenf, pra quem?

Presença da PM no campus da Uenf gera revolta nos alunos (Foto: reprodução)
De acordo com uma das responsáveis pela comunidade na rede social, Luisa Leão, o reitor da universidade, Silvério de Paiva Freitas, aprovou um termo de cooperação firmado entre a Uenf, a Secretaria de Estado de Segurança (Seseg) e a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ) no dia 26 de junho. Segundo Luisa, a comunidade acadêmica não foi consultada e os alunos tiveram o posicionamento ignorado.
Na comunidade no facebook, os estudantes informaram que os policiais fazem ronda utilizando carro e combustível da universidade. “Interessante perceber que enquanto a verba é cortada para serviços básicos, para projetos que existem há anos, para o pagamento do aumento das bolsas dos alunos, tem dinheiro para o combustível da constante ronda policial”, relataram.
Para a aluna Nayara Polizelli, a presença dos militares não traz segurança. “Sinto pena de quem acha que a polícia no campus é progresso. Nunca me senti mais segura por ter um policial por perto. Retrocesso total”, disse.
Luisa Leão ressaltou que foi feito um debate aberto e uma assembleia com todas as categorias (estudantes, professores e servidores técnicos) e nas duas ocasiões a reitoria foi convidada a participar. No debate, o prefeito da Uenf, Gustavo Xavier, foi quem representou a reitoria. De acordo com ele, foi necessário reduzir o número de vigilantes patrimoniais por causa de questões financeiras, e, para dar maior suporte aos funcionários e estudantes, os PMs farão a segurança pessoal.
“Nós, alunos, somos contra esta imposição que nos foi dada. Acreditamos que esta medida foi uma resposta ao nosso longo movimento de greve e ocupação, ou seja, para nos oprimir. Acreditamos também que não existe um quantitativo de ocorrências que justifique ter PMs dentro da universidade. Considero esta medida arbitrária e desnecessária, serve apenas para proteger a reitoria de novas manifestações e ocupações”, opinou Luisa.
A estudante Isis Moura acredita que a medida pode afetar a segurança dos prédios pelo fato de os policiais estarem substituindo os vigilantes. “É importante discutir o quanto a implementação da PM em substituição aos vigilantes está repercutindo e afetando a comunidade acadêmica. Teve um dia que um prédio ficou sem vigilante no início das aulas do período da tarde, chegando lá às 14h30. Esses vigilantes são responsáveis também por guardar chaves das salas dos prédios, assim como um caderno de ponto dos professores que as utilizam. O resultado foi atraso em todas as aulas do prédio e a explicação da vigilante foi que, devido ao corte de vigilantes, não havia nenhum para substituí-la no horário de almoço. Reitoria sempre pensando na boa gestão”, concluiu.
FONTE: http://jornalterceiravia.com.br/noticias/campos_dos_goytacazes/55416/