1996: o ano em que FHC cortou a minha bolsa e eu tive que me virar

Vou dizer logo de cara que não votarei em Dilma Rousseff.  É que as diferenças profundas que mantenho com o projeto de governo que ela representa não me permitem cruzar o rabecão e declarar um voto útil em sua continuidade. 

Agora que já deixei claro porque não voto em Dilma, deixe-me dizer uma das razões, que pode parecer pessoal mas não é, pelas quais eu jamais votaria em Aécio Neves e o seu partido lesa-pátria, o PSDB.  Estava eu no início do meu quarto ano de doutorado na Virginia Polytechnic Institute and State University quando recebi a notificação de que minha bolsa de doutorado estava encerrada, apesar do meu desempenho para lá de satisfatório. É que contrariando documentos que eu havia assinado ao obter a minha bolsa de doutorado no exterior pelo CNPq, o governo Fernando Henrique havia decidido não mais dar a extensão de um ano a que eu tinha direito pelo meu desempenho.

Liguei para o CNPq e de lá ouvi uma resposta curta e direta da servidora que ouvia as minhas ponderações sobre o efeito de que aquele cortado injustificado teria na minha vida: se  vira!

Como não iria voltar para o Brasil sem um título de doutor que estava praticamente nas mãos, fiz o que todo estudante duro faz: fiz empréstimos bancários e terminei o meu doutorado com um dívida que girava em torno de US$ 10 mil, já que tive de pagar todas as taxas que o CNPq havia me dito que pagaria, além do aluguel e alimentação. 

Passei quase 10 anos pagando essa dívida, mas não graças ao governo FHC. É que após ser forçado a voltar para o Brasil por exigências contratuais com o CNPq, cheguei num país onde não havia concursos para professores nas universidades federais que viviam comendo o pão que o diabo amassou nas mãos de FHC e do seu ministro da Educação, Paulo Renato.

Se não fosse pela UENF, eu certamente teria arrumado as minhas malas e voltado para o exterior, como muitos colegas fizeram naquela época.

Assim, posso não votar em Dilma, mas Aécio e PSDB, nunca!

2 comentários sobre “1996: o ano em que FHC cortou a minha bolsa e eu tive que me virar

  1. Olá Marcos, realmente revoltante. Mas fiquei com uma dúvida: depois do cancelamento sem explicações da sua bolsa, ainda assim vc foi obrigado a voltar ao Brasil? Não houve uma quebra do contrato pela parte deles? Como funciona isso? E se você resolvesse não voltar?

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    • Fernanda, a questão da quebra de contrato nunca me ocorreu, pois eu queria voltar. Agora, tive que enfrentar as demandas do CNPq para voltar para o Brasil antes mesmo de defender a minha tese. Eu resolvi este problema de forma direta com a pessoa que era responsável pela minha bolsa dentro do CNPq, mas não deixou de ser outro espinho. Creio que naquela época (1997), se eu resolvesse não voltar, acabaria tudo por isso mesmo, já que a política do governo federal era de não se ter concursos públicos nas IES federais, tanto que eu voltei e me empreguei na UENF, onde continuo até hoje.

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