A matéria abaixo foi produzida pelo portal sanjoanense de notícia, o OZK News, e nos informa que o professor da UENF, Ronaldo Novelli, identificou o animal que anda chegando em grandes quantidades à área de influência do Porto do Açu. Na matéria duas informações são tranquilizadoras: 1) o animal não é exótico, e 2) a substância que libera para se defender não é tóxico para seres humanos.
Uma questão que a matéria não abordou e que teria sido importante o jornalista abordar tem a ver com a explosão populacional deste animal. É que em qualquer circunstância, o aumento populacional expressivo de qualquer espécie acaba implicando na diminuição de recursos para outra ou outras espécies.
Além disso, há que se lembrar que a aparição do que foi identificado como o “Aplysia fasciata” em grandes quantidades é apenas outro sinal de desiquilíbrio ambiental na área de que poderá virá depois? Com a palavra o INEA e o IBAMA que deveriam estar monitorando o empreendimento.
EXCLUSIVO: Professor de Biologia identifica animal que apareceu nas praias sanjoanenses
Por LEONARDO FERREIRA
O Professor de Biologia da UENF Ronaldo Novelli identificou nesta segunda-feira (08), a pedido do Portalozk.com , o animal que apareceu nas praias sanjoanenses no final de semana e que deixou a população em total curiosidade.
De acordo com Novelli, o animal que apareceu em muita quantidade nas praias de Atafona, Grussaí e principalmente no Açu, trata-se de Aplysia fasciata, um opistobrânquio marinho, um gastrópode da família Aplysiidae. Existe quem classifique esta mesma espécie como sinônimo de Aplysia brasiliana. Esta espécie possui vários nomes em português, tal como: lebre-do-mar-negra, devido à existência de 02 rinóforos (antenas cefálicas) na cabeça que se assemelham às orelhas de lebre; e vinagreira-negra, derivado à cor purpura do líquido não tóxico que libertam quando estão em stress.
O professor explicou que o líquido liberado pela Aplysia encontrada no Açu, de cor avermelhada, explica-se por causa da água e da alimentação e o motivo de ter aparecido tantos dessa espécie na região, pode ter sido o Porto do Açu.
“Como lá no Açu, na região portuária, tem muitas pedras, e este animal se alimenta de algas que ficam nas pedras, além de se reproduzirem de forma cruzada, por se tratarem de animais hermafroditas, colocando seus ovinhos nas pedras, é provável que com a quantidade de alimento tenha desenvolvido esses animais. Espanta é a quantidade, mas essa espécie não é desconhecida na região. Em Guaxindiba, por exemplo, vê-se bastante, como também em Manguinhos. Acredito que houve a migração dos ovos que aparenta ser macarrão, são vários grudados uns nos outros, impulsionados pelas ondas e correntezas, levando-os para as pedras do Açu, onde chegaram a se desenvolver. Esses animais, na fase adulta, não conseguem nadar, são moluscos, de corpinhos muito moles e pesados, eles não consegue fazer essa migração na fase adulta”, disse ao Portalozk.com o professor de Biologia Ronaldo Novelli.
A Aplysia percorre o fundo do mar lentamente, para ir se alimentando, principalmente nas pedras, onde se encontram as algas. São moluscos muito semelhantes em aparência às lesmas. Possuem, no entanto, uma concha que está coberta pelo manto. O nome comum do derivado líquido de cor púrpura que liberam quando estão em stress ou quando são molestadas é “vinagre tinto”. Estes animais são bastante frequente nos meses de Verão, sendo mesmo possível encontrar aglomerações de vários indivíduos. Não é raro ver indivíduos a nadar em águas abertas, usando os parapódios como barbatanas.
Sobre o medo da população com relação a este animal, o professor tranquiliza.
“Não precisa haver preocupação. Esse animal se alimenta de algas e o derivado que ele libera, não é tóxico. Ele não morde, pica, nada. Pode pegar na mão, sem problema nenhum. O que não pode, e nem deve, é maltratar o animal. Ele não representa perigo nenhum para o ser humano”, disse.
