Até muito recentemente, a Plataforma Lattes do Conselho Nacional Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) possuía um componente que informava o número de citações dos artigos inseridos pelos pesquisadores em seus currículos acadêmicos. Mas quem quiser acessar essa informação agora encontra a seguinte e prosaica advertência
“Citações: Acesso temporariamente indisponível em razão de erros e incompletudes das informações do DOI, ISSN, página inicial, edição e volume de parte dos currículos registrados na Base.“
Em outras palavras, os pesquisadores brasileiros estão preenchendo seus currículos de forma incompleta, omitindo informações básicas, mas essenciais, de seus artigos científicos, e impedindo assim que se determine o impacto do que está sendo publicado.
Uma pessoa mais desinformada poderia se questionar sobre a importância desse fato. Eu começaria pelo fato de que o chamado “Fator H” (Aqui!) que é usado para estimar o grau de impacto das publicações incluídas pelos pesquisadores em seus currículos, sendo assim um dos indicadores básicos para o próprio CNPq decidir quem recebe ou não recursos oferecidos por aquela agência de fomento, a começar pelas cobiçadas “Bolsas de Produtividade” .
Há que se lembrar que as bolsas de produtividade representam não apenas um ganho extra e isento de recolhimento de imposto de renda, mas que acabam orientando toda a concessão de financiamentos nas diferentes modalidades que o CNPq premia aqueles pesquisadores que são considerados mais produtivos em seus respectivos campos disciplinares.
Como a Base Lattes já existe desde 1999, a omissão desse dados não deve estar relacionada ao desconhecimento por parte da comunidade científica da forma correta de se realizar o preenchimento dos currículos. Mas se não é desconhecimento, então o que é?
Até que esse componente seja restabelecido, a pergunta que se faz é a seguinte: como irá o CNPq determinar o tão decantado mérito científico que, em última instância, baliza todo o sistema de premiação e distribuição de recursos públicos para a comunidade científica brasileira? A ver!

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