Trash science: ofertas mirabolantes de editores obscuros enchem caixas de correio eletrônico dos pesquisadores brasileiros. Quantos estão resistindo à tentação?

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A existência de editoras científicas predatórias que oferecem serviços fáceis a preços módicos a incautos (aliás, nem sempre tão módicos assim) se tornaram conhecidas no Brasil a partir de uma série de matérias publicadas pelo jornalista Maurício Tuffani em seu blog que está hospedado no site UOL (Aqui!). 

Mas o que muitos não sabem é que ofertas mirabolantes chegam cotidianamente nas caixas de correio eletrônico dos pesquisadores brasileiros, como mostra a imagem que me foi enviada por um colega, que se mostrou indignado com a óbvia desfaçatez da oferta, bem como do desmazelo com que os editores de uma revista desconhecida tentaram chamar sua atenção para as “facilidades sendo oferecidas”

trash science

Em sua justa irritação, esse colega ainda me perguntou “será que há alguém disposto a entrar nessa?” A minha resposta, baseando-me no pouco que já foi desvelado pelo trabalho do Maurício Tuffani é que, sim, há muita gente disposta a entrar nessa!

E o pior é que se os comitês assessores do Conselho de Desenvolvimento Científico Tecnológico (CNPq) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) começassem a olhar de forma mais rigorosa os currículos dos pesquisadores brasileiros vão acabar descobrindo que não são apenas jovens pesquisadores imaturos que estão enveredando pelo caminho fácil de engordar seus CVs com publicações em editoras predatórias, onde que vale é pagar seja quanto for, para colocar no ar qualquer coisa que seja, apenas para atingir índices de produtividade que omitem a necessidade da qualidade e do impacto científico.  

A essas alturas, desconfio que até pesquisadores do topo da cadeia meritocrática montada pelo CNPq em cima de quantidade, e não da qualidade, estão aceitando o tipo de convite que meu colega julgou óbvio demais para ser levado à sério. Afinal, a pressão pelo número é muito forte, e as ofertas tentadoras aparecem todos os dias!

A pergunta que se coloca é a seguinte: qual é o tamanho da parcela dentro da comunidade científica brasileira que está resistindo à essas promessas mirabolantes? Interessante seria ver se a Capes e o CNPq estão dispostos a começar a apurar. A ver!

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