As duas matérias abaixo foram publicadas pela Folha de São Paulo e mostram duas facetas explícitas da Vale no caso do TsuLama da Mineradora Samarco (Vale + BHP Billiton): engano e omissão.
Na primeira matéria, fica demonstrado que a Vale inicialmente omitiu o montante de sua lama que estava depositada na barragem do Fundão. É que, como mostra a matéria, o valor de rejeitos da própria Vale não eram os módicos 5% como a empresa declarou inicialmente, mas significativos 28%. Não que isto mude em nada a situação já que metade do capital da Mineradora Samarco é da Vale, mas é importante notar como essa omissão de responsabilidade protegia a marca “Vale” ao colocar na “joint venture” o peso maior pelo lançamento de rejeitos. É que, ao contrário da Vale, a Samarco pode ser facilmente substituída por outra marca de fantasia.
O segundo aspecto que eu considero revelador sobre a postura da Vale em relação ao assunto foi o fato de que a Mineradora Samarco teria levado duas horas para comunicar às autoridades mineiras a ruptura da barragem do Fundão e os terríveis impactos humanos e ambientais que já estavam ocorrendo ao longo da passagem do TsuLama. É que querendo ou não, a Vale é co-proprietária da Mineradora Samarco e possui uma infraestrutura de comunicação que teria permitido uma reação mais rápida, a qual poderia ter minimizado as consequências do TsuLama.
Mas em ambos os casos, o que se viu foi a opção pelo engano e pela omissão de informações que, agora se sabe, são fundamentais para entender o fenômeno e a aplicar as devidas punições que o caso requer.

