Lama se movimentou em área da empresa nesta quarta-feira (27). Funcionários foram retirados às pressas da mineradora.
Rejeito de minério escorreu na barragem de Fundão para área interna da Samarco (Foto: Divulgação/ Corpo de Bombeiros)
Mais de um milhão de metros cúbicos de rejeitos de minério se deslocaram da Barragem de Fundão, nesta quarta-feira (27), segundo o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). A mineradora Samarco – cujas donas são a Vale e a anglo-australiana BHP – não confirma o volume de material que se deslocou da barragem e disse que ainda está fazendo o levantamento.
A Samarco explicou o ocorrido como um deslocamento de “massa residual” (leia nota na íntegra ao fim da reportagem). O episódio aconteceu na mesma barragem que se rompeu no dia 5 de novembro de 2015. O desastre, que completa quase três meses, deixou 17 mortos e dois desaparecidos.
Nesta quarta-feira (27), por segurança, 450 funcionários que trabalhavam em obras foram retirados às pressas do complexo de barragens. Segundo a empresa, a ocorrência aconteceu dentro da área das barragens, entre Fundão e Santarém, e não houve vazamento externo. O deslocamento de lama ocorreu, conforme a mineradora, por causa das chuvas dos últimos dias.
Uma equipe técnica do Ministério Público Estadual esteve ontem no local. “Não foi um pequeno movimento não. Houve um volume expressivo de material que se deslocou”, disse o promotor Carlos Eduardo Ferreira Pinto. Equipes da Defesa Civil Estadual, da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros também foram a Mariana.
O governo de Minas, por meio de nota, comunicou que equipes da Defesa Civil estadual e da Polícia Militar também foram enviadas ao local. De acordo com o executivo, a ocorrência foi registrada por volta das 12h e foi emitido um alerta amarelo, que é voltado a segurança dos trabalhadores.
Representantes do Núcleo de Emergências Ambientais (NEA) da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) foram deslocados para o local para fazer uma avaliação ambiental da ocorrência.
Segundo a Samarco, as estruturas das barragens de Germano e Santarém permanecem estáveis com base no continuo monitoramento.

Na semana passada, o superintendente do Ibama disse que o material depositado na barragem de Fundão estaria atingindo o meio ambiente. “Dentro da barragem rompida de Fundão permanecem lá dentro 20 milhões de metros cúbicos. Eles estão numa área totalmente degradada, expostos à chuva e ao carreamento desses rejeitos. Então, está havendo um contínuo fornecimento de rejeito aos rios”, disse o superintendente Marcelo Belisário.
Sobre a informação do Ibama de que os rejeitos ainda estão indo para os cursos d’água, a mineradora informou que a construção de diques servirá para conter o carreamento de sedimentos durante o período de chuvas. As ações ainda preveem a reconstituição das margens e das calhas dos cursos d’água.

Leia a íntegra da nota da Samarco
A Samarco informa que ocorreu, na tarde de hoje, 27 de janeiro, uma movimentação de parte da massa residual da Barragem de Fundão devido as chuvas das últimas semanas.
De forma preventiva e seguindo seu Plano de Emergência, os empregados, que atuam próximo à área afetada, foram orientados a deixar o local.
Não houve a necessidade de acionamento de sirene por parte da empresa. As defesas civis de Mariana e Barra Longa foram devidamente informadas.
Ressaltamos que o volume deslocado permanece entre a barragem de Fundão e Santarém, dentro das áreas da Samarco. A Samarco reafirma que as estruturas das barragens de Germano e Santarém permanecem estáveis com base no continuo monitoramento.


A tragédia ambiental mais grave é aquela que vem acontecendo todos os dias, anos após anos, que é a absurda indiferença de todos nós com a destinação final do esgotamento sanitário que produzimos, que o diga o Rio das Velhas, o Paraopeba, o Doce e tantos outros rios país afora. As festejadas Estações de Tratamento que consumiram importantes cifras de recursos públicos, sequer entregaram aquilo que deveria ser o seu objetivo principal, qual seja, água tratada de volta aos rios. Vale sempre lembrar que todas, repita-se todas, até aqui inauguradas com grande alarde, pararam no meio do caminho, pois apenas disponibilizam as duas primeiras fases do tratamento (primário e secundário), em português bem claro, retiram apenas o grosso da SUJEIRA QUE TODOS NÓS PRODUZIMOS, os agentes biológicos presentes (falando claro clorifórnios fecais) principalmente nos esgotos residencias são remetidos pós ETE’s no curso de nossos rios. A não instalação da fase TERCIÁRIA das ETE’s na minha ignorante opinião é TRAGÉDIA MAIS GRAVE DO QUE A OCOASIONADA PELO ROMPIMENTO DA BARRAGEM DE FUNDÃO. Até quando vamos continuar fazendo de conta que isso não é problema nosso?
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Eu já disse aqui que a situação do Rio Doce já era crítica antes do TsuLama da Samarco. Agora, a escala combinada dos problemas e dos sinergismos que o incidente gerou tornam a situação ainda mais crítica. E não será com um fundo controlado pelas mineradoras que acharemos soluções.
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