
Dias atrás, o senador paraguaio Fernando Lugo, derrubado do cargo de presidente em 2012 por um impeachment tão fajuto quanto o que está se armando contra Dilma Rousseff, alertou que a direita brasileira estava querendo repetir o mesmo esquema golpista que o vitimou.
A primeira observação é que poucos sabem, eu não sabia, que Fernando Lugo não sumiu de cena após ser derrubado e ocupa um papel relevante no congresso paraguaio. De lá é que ele avisa aos brasileiros da natureza do processo que está sendo engendrado no congresso nacional, sob a batuta de Eduardo Cunha (aquele mesmo político com incontáveis contas secretas na Suiça que continua livre, leve e solto para levar a galope o processo de impeachment de Dilma Rousseff).
Mas mesmo o mais renhido dos defensores do impeachment dentro do congresso sabem que a partida está longe do seu capítulo final. É que foi fácil cassar Fernando Collor porque não havia oposição popular ao seu impeachment. Esse não é o caso de Dilma Rousseff, e as manifestações da última sexta-feira mostram isso.
E é preciso que se note que a oposição ao impeachment tem a força que tem porque setores que não apoiam o governo de Dilma Rousseff decidiram ir às ruas para denunciar o que consideram ser um golpe contra a frágil democracia brasileira. Essa presença de críticos de governo, mas que se opõe ao impeachment de Dilma, é um elemento que torna a situação bem mais complexa do que aquela que ocorreu no Paraguai quando Fernando Lugo foi removido do poder.
A ironia final no caso de Fernando Lugo é que ele agora é um forte candidato à presidência do Paraguai nas eleições de 2018.