Crise política no Brasil: quando 6 são mais do que 60

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Lí uma análise interessante do Prof. Aldo Fornazieri, da Escola de Sociologia e Política da USP, onde aponta para uma suposta “desorientação das esquerdas” frente ao que ser feito em relação ao governo interino de Michel Temer (Aqui!). Apesar do conteúdo ser interessante, creio que o Prof. Fornazieri errou no título. É que penso que até pelo conteúdo, o correto teria sido escrever “Os  frutos da capitulação do PT”.

É que frente ao que vem acontecendo em termos de resistência popular, pode já dizer que esta ocorre apesar do PT e dos sindicatos e movimentos sociais que o partido controla. A impressão que fica é que dentro do PT ainda tem gente que acredita que será recuperada a possibilidade de um governo de conciliação de classes.

Mas essa impressão já estava clara para mim nos debates dentro da Câmara de Deputados acerca da aceitação ou não do impeachment de Dilma Rousseff quando coube às bancadas do PSOL e do PC do B a principal via de resistência ao rolo compressor montado por Michel Temer e seus aliados da direita parlamentar. Vendo a ação de parlamentares como Heloísa Erudina, Chico Alencar, Glauber Braga, Jean Wyllys e Jandira Fegalli era indisfarçável a diferença de tom em relação à bancada do PT onde apenas Paulo Pimenta e Wadih Damous expressavam qualquer sinal de aguerrimento frente ao que estava sendo construído. 

Pode se dizer que boa parte desta inação da banca do PT foi construída a partir de um longo processo de emasculação que resultou de alianças espúrias e relações promíscuas com fontes de financiamento. Eu, aliás, tenho a opinião de que o tamanho da bancada parlamentar do PT poderia ter sido maior nas eleições de 2014 se bons candidatos não tivessem sido sacrificados em nome do supostamente amplo arco de alianças. Aqui abro inclusive espaço para reconhecer que o senador Lindbergh Farias soube superar as traições que sofreu na eleição de governador para cumprir um papel digno na luta contra a aceitação do impeachment pelo senado federal.

Agora, qual será o caminho a ser adotado pelo PT? Sinceramente não tenho a menor ideia, pois é óbvio o controle ainda mantido sobre a direção nacional pelo ex-presidente Lula. Se Lula escolher o caminho da coabitação com Michel Temer, o caminho para o cadafalso do PT estará definitivamente selado, e suas porções ainda saudáveis seguirão outros caminhos dentro da esquerda. Agora, se Lula decidir que enfrentar Michel Temer será o caminho a seguir, talvez possamos inverter a situação de pasmaceira atual da bancada federal do PT. Daí talvez possamos superar a condição atual onde os 6 deputados do PSOL (a maioria deles oriunda do próprio PT) valem mais do que os 60 do PT. A ver!

2 comentários sobre “Crise política no Brasil: quando 6 são mais do que 60

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