O que os ratings da Fitch nos dizem sobre a situação do “Rio Oil Finance Trust”, o irmão siamês do RioPrevidência?

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Hoje fui pergutando por uma leitora do blog sobre a quantas anda o imbróglio envolvendo a relação umbilical existente entre o RioPrevidência, fundo próprio de previdência dos servidores estaduais do Rio de Janeiro, e o seu irmão siamês criado no paraíso fiscal de Delaware, o “Rio Oil Finance Trust“. Para me orientar, ela me enviou os últimos dados envolvendo os títulos do “Rio Oil Finance Trust” na Bolsa de Valores de Berlim (Aqui!).

Para essa leitora os dados mais recentes sobre o “Rio Oil Finance Trust” estariam mostrando uma situação de melhora, fato esse que, na opinião dela, aliviaria a condição precária do RioPrevidência. 

Por entender pouco do mercado de ações, resolvi então checar as notas dadas pela agência Fitch, uma das principais avaliadoras da situação de crédito no mercado de ações globais. Para pouca surpresa de minha parte, as notas da Fitch para o “Rio Oil Finance Trust” são mantidas no espectro negativo (ver reprodução abaixo). E como a própria Fitch explica, as notas (ratings) refletem uma avaliação da “capacidade de pagamento pontual e integral de principal e juros, em bases trimestrais.

rio oil finance trust

Apesar dessa caracterização da situação do “Rio Oil Finance Trust” ser a que eu esperava, uma explicação sobre a causa das notas negativas que foram atribuídas pelos analistas da Fitch traz um aspecto chave da crise do RioPrevidência. Vejamos o que diz a Fitch:

As emissões são lastreadas pelos fluxos de royalties devidos pelas concessionárias de petróleo — operadas, em sua maioria, pela Petróleo Brasileiro S.A. (Petrobras) — ao governo do Estado do Rio de Janeiro (ERio), que cedeu 100% destes fluxos à RioPrevidência (RP), o fundo de previdência do estado. A RP, por sua vez, vendeu estes direitos à Rio Oil Finance Trust, emissora das notas.”

Ora, o que fica clara a conexão entre a crise do RioPrevidência e a operação feita em Delaware. Mas o que eu não havia entendido até hoje é que o RioPrevidência vendeu seus direitos sobre os royalties ao “Rio Oil Finance Trust“. Aliás, quem além dos que realizaram a operação em Delaware sabia disso?

O que  me parece mais grave é que mantidos as notas negativas da Fitch, o (des) governo do Rio de Janeiro terá que continuar fazendo acordos com os fundos abutres que compraram os títulos emitidos pelo “Rio Oil Finance Trust” para continuar pagando o que é devido pela tomada de recursos que ocorreu a partir de Delaware.  E, de quebra, é bem possível que os recolhimentos feitos com os descontos em folha também estejam sendo utilizados para fazer o pagamento “pontual e integral de principal e juros“. 

Assim, se eu não estiver equivocado em minhas apreciações, a situação do RioPrevidência que já é  péssima, tem muito a piorar. E com isso sofrerão ainda mais pensionistas e aposentados.  Diante dessa perspectiva, fico me perguntando quando finalmente será instalada a CPI do RioPrevidência. A ver!

Um pensamento sobre “O que os ratings da Fitch nos dizem sobre a situação do “Rio Oil Finance Trust”, o irmão siamês do RioPrevidência?

  1. […] comando do atual (des) secretário estadual de Fazenda,  Gustavo Barbosa (Aqui!, Aqui!, Aqui! e Aqui!). É sempre importante lembrar que a operação realizada em Delaware teve como resultante a […]

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