O colapso hídrico continua rondando São Mateus e causando sofrimento na sua população. Que lições podemos tirar dessa situação?

são mateus

Depois de ter ido ao norte do Espírito Santo  em meados de junho, onde pude ver de perto a situação dramática em que se encontra a população da cidade de São Mateus que está sendo abastecido com água salinizada pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE), escrevi várias postagens sobre o problema (Aqui!Aqui!Aqui! e Aqui!).

Nos últimos tempos acabei não dando mais informações sobre o que anda ocorrendo em São Mateus, o que pode ter gerado a impressão de que o SAAE havia conseguido voltar a abastecer a população com água em condições normais de condutividade. Mas graças ao jornal Tribuna do Cricaré posso informar que a crise hídrica continua firme e forte, e nem as soluções adotadas para que o SAAE parasse de entregar água salinizada foram suficientes.

Abaixo posto algumas capas do Tribuna do Cricaré ao longo deste mês de julho que mostram o drama que a maioria da população de São Mateus continua vivendo seu sofrimento diário em função do avanço da cunha salina para o interior do Rio Cricaré, principal fonte de captação do SAAE.

O que torna o caso de São Mateus mais emblemático é o simples fato de que há um veículo de imprensa que, por sua ligação direta com a cidade, vem dispensando espaços generosos com a cobertura de um problema que já deveria estar chamando a atenção de toda a mídia nacional, mas até agora continua literalmente ignorado.

A minha desconfiança para essa falta de notoriedade em relação ao colapso ao abastecimento de água em São Mateus tem a ver com a própria delicadeza da situação. É que certamente o problema da escassez hídrica que aflige São Mateus também está ocorrendo em outros municípios do norte capixaba e o sul da Bahia. Em suma, o caso de São Mateus é apenas a ponta de um imenso iceberg para o qual até agora só existem medidas paliativas e de caráter precário.

E o pior é que não vejo nenhuma disposição política que se faça um amplo levantamento ao longo da costa brasileira para que se tenha uma idéia mais abrangente de que quantos municípios já estão na mesma situação de São Mateus ou no limiar de alcançarem situações semelhantes, ou até piores. 

A questão é que quanto mais tempo não se fizer nada para entender o que está acontecendo, mais provável será o estabelecimento de um forte colapso no abastecimento de água na região costeira brasileira, justamente a área onde vive a maioria da nossa população. Em outras palavras, São Mateus pode ser apenas o prenúncio de uma grande crise social e ambiental que implicará em graves consequências econômicas para o Brasil. 

 

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