O perigo está no ar! Matéria da Reuters que o fracasso das promessas olímpicas vai além das águas da Baía Guanabara

Ainda que com erros pontuais aqui e ali, a cobertura da mídia internacional sobre as promessas descumpridas pelos organizadores da edição dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro está dando um banho (e não com as águas da Baía da Guanabara!), merecendo várias medalhas de ouro. A última mostra disso é uma matéria publicada pela agência Reuters e assinada pelo jornalista Brad Brocks sobre o nível de poluição atmosférica com a qual os competidores vão se defrontar durante as provas que ocorrerão como parte do megaevento do Comitê Olímpico Internacional (COI) (Aqui!).

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A manchete da matéria é um daqueles socos na barriga que raramente gostamos de receber traduzida para o português pode ser lida como “Air do Rio Olímpico: sujo, mortal e sem legado mais limpo dos Jogos”. Como dediquei parte significativa da minha formação cientifica ao estudo da qualidade do ar na cidade do Rio de Janeiro e em sua região metropolitana entre os anos de 1984 e 1990, posso dizer que apesar da manchete parecer exagerada, a mesma não é.  

É que já há quase três década o que os meus estudos mostravam é que a qualidade do ar no Rio de Janeiro estava em condições de degradação, especialmente por causa da exaustão de gases de veículos e de indústrias. Como de lá para cá o número de veículos e indústrias aumentou bastante e não foram feitos os esforços necessários para impedir a elevação da contaminação (é só ver o caso gritante da Companhia Siderúrgica do Atlântico da ThyssenKrupp!), não há nenhuma surpresa em se saber que a partir das edições realizadas a partir da década de 1980, apenas a de Beijing o nível da poluição atmosférica era pior do que a que os atletas irão enfrentar na cidade do Rio de Janeiro.

Mas para mim o essencial da matéria assinada por Brad Brocks é de que havia uma declaração inverídica de que a qualidade do ar na cidade do Rio de Janeiro estava dentro dos padrões estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde. Aliás, não estavam e não estão! E como os Jogos Olímpicos ocorrem na estação seca e onde as chamadas inversões térmicas são bastante comuns, o ar que os atletas e a população do Rio de Janeiro vão estar respirando estará dentro dos limites mais altos em termos do conteúdo de material particulado e gases poluentes.

Entretanto, enquanto os atletas estrangeiros terão a possibilidade de voltar para suas casas, a população da cidade vai continuar exposta aos efeitos deletérios da poluição atmosférica sobre sua saúde. E é preciso que fique claro que também neste quesito dos chamados “compromissos ambientais”, as metas de diminuição da poluição atmosférica que foram assumidas pela prefeitura comandada por Eduardo Paes não terão passado de meras desculpas para a realização deste megaevento esportivo bilionário na cidade do Rio de Janeiro. Afinal, o que é a saúde da população quando comparada com os lucros que serão embolsados pelas corporações envolvidas?

Mas para o COI é que vai importar mesmo serão os muitos bilhões livres de impostos que ele e seus sócios vão levar embora do Brasil. E que se danem as promessas feitas para trazer o seu megaevento para o Rio de Janeiro.

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