UENF realiza Supera Rio e Marcha pela Ciência

SUPERA MARCHA

Com a presença de deputados fluminenses, será realizado na próxima sexta-feira, 24/11/17, às 14h, no Centro de Convenções da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), o Supera Rio UENF, evento promovido pelo Fórum de Desenvolvimento Estratégico do Estado, órgão da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). O tema do evento será “A Universidade pública como ferramenta para o desenvolvimento social e econômico”. 

Composto por 44 entidades – dentre elas a Uenf – , o Fórum foi criado em 2003 com o objetivo de promover inovações a partir da interação constante entre academia, setor produtivo e o Poder Legislativo. O Fórum foi criado para conectar iniciativas, promover debates e criar uma agenda comum que reúna academia, sociedade civil organizada e o parlamento fluminense, com foco na promoção do desenvolvimento econômico, social e ambiental do estado. 

Logo após o encerramento do Supera Rio UENF será realizada a primeira edição local da “Marcha pela Ciência”. É importante frisar que este é um momento crítico para as universidades públicas brasileiras e o caminho sendo traçado pelos governos de Michel Temer e Luiz Fernando Pezão comprometem o nosso futuro como sociedade e afeta duramente a soberania do Brasil e do Rio de Janeiro que passa fundamentalmente pelo fortalecimento da Educação e da Ciência.

Michel Temer, o “muy amigo” das petroleiras britânicas

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O jornal britânico “The Guardian” publicou ontem (19/11) uma matéria que está provocando um verdadeiro escândalo nas terras da Rainha Elizabeth. Trata-se da revelação de que o ministro britãnico de Comércio Internacional, Greg Hands, agiu sobre o governo “de facto” de Michel Temer para conseguir amplas vantagens para as petroleiras BP, Shell e Preier Oil dentro do Brasil [1].

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Esse lobby envolveu não apenas a concessão de isenções fiscais, acabar com o conteúdo nacional no Pré-Sal,  fragilizar o processo de licenciamento ambiental,  e o principal,  vender a preços mais do que generosos do blocos de exploração do pré-Sal para a BP e para a Shell.

O “interlocutor”  utilizado pelo ministro Greg Hands para fazer valer os interesses das petroleiras britânicas foi o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Paulo Pedrosa.  O lobby foi tão escancarado que Greg Hands postou uma fotografia do seu encontro com Paulo Pedro em sua página na rede social Twitter (ver abaixo).

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Mais detalhes sobre as tratativas do ministro Greg Hands com o governo “de facto” de Michel Temer em prol das petroleiras britânicas estão disponíveis no site jornalístico do Greenpeace do Reino Unido [2].

Em tempo, Paulo Pedrosa estaria também ativamente envolvido no processo de privatizção da Eletrobras. Se mantiver o mesmo padrão de preocupação com os interesses da população brasileira, já podemos saber que tudo será entregue a preços irrisórios.


[1] https://www.theguardian.com/environment/2017/nov/19/uk-trade-minister-lobbied-brazil-on-behalf-of-oil-giants.

[2] https://unearthed.greenpeace.org/2017/11/19/brazil-shell-bp-greg-hands-liam-fox/

(Des) governo Diniz: depois da guerra aos pobres, a privatização das ruas

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O jovem prefeito Rafael Diniz parece estar mesmo disposto a transformar a sua gestão (provavelmente de mandato único) numa réplica dos (des) governos de Luiz Fernando Pezão e Michel Temer. É que as medidas que têm sido aplicadas no plano municipal estão cada vez mais guardando semelhanças com o que fazem os dois (des) governantes nos níveis estadual e federal.  É que como dizia Leonel Brizola: “tem rabo de jacaré, couro de jacaré, boca de jacaré, pé de jacaré, olho de jacaré, corpo de jacaré e cabeça de jacaré, então é jacaré.” E como Campos dos Goytacazes tem entre suas lendas favoritas, a do Ururau, o (des) governo Diniz jacaré é. E, pior, um jacaré ultraneoliberal.

Os sinais de que estamos diante de um jacaré ultraneoliberal já se amontoam desde os primeiros dias da gestão de Rafael Diniz quando ele e seus menudos ultraneoliberais iniciaram um ataque inclemente, que se assemelha a uma guerra em todas as frentes, às políticas sociais herdadas do governo de Rosinha Garotinho. Numa série de ações mal explicadas, Rafael Diniz fechou o Restaurante Popular, acabou com o subsídio ao transporte público, e extinguiu o Cheque Cidadão.

À tudo isso, a classe média assistiu de forma silenciosa e cúmplice, visto que esses cortes estavam sendo impostos aos segmentos mais pobres da população. E, como se sabe, a classe média brasileira não é lá muito solidária com os pobres, apesar de se dizer ojerizada com a pobreza.

Agora que se extinguiu o pouco de “Estado do bem estar social” que existia em Campos dos Goytacazes, eis que avança a república privada idealizada por Rafael Diniz e seus jovens secretários de faces limpas e camisas bem arrumadas.  E o início desta privatização vem na forma do Projeto de Lei 0169/2017 que institui  “a organização do sistema de estacionamento rotativo pago nas vias públicas do município de Campos dos Goytacazes” (ver imagem abaixo).

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De saída, preciso dizer que não sou contrário a que se organize o estacionamento nas ruas de qualquer cidade, inclusive Campos dos Goytacazes.   O problema com o Projeto de Lei 0169/2017 é a oportunidade em que o mesmo está sendo imposto sobre os proprietários de carros, e o fato de que esta lei já traz embutida, a entrega da operação do sistema que está sendo criado ao controle de uma empresa privada. E, pior, essa privatização é explicitada de forma opaca e contraditória (ver artigos 1, 8 e 10 da  Lei 0169/2017 abaixo).

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E qual seria a contradição que está presente nesses artigos? É que enquanto no Artigo 1 está aventada a possibilidade de concessão, o Artigo 8 já trata a concessão como fato dado, ainda que no Parágrafo Único do Artigo 10, a concessão à iniciativa privada ainda é condicional.

No entanto, apesar dessas contradições que estão presentes na lei,  outros dados conspiram em favor da privatização, a começar pelo estabelecimento do próprio sistema de cobrança que seria por meio de um sistema informatizado.  Essa questão torna  esse processo de privatização ainda mais curioso, pois restringe o pool de empresas que poderiam se oferecer como concessionárias da Prefeitura de Campos dos Goytacazes para exercer cobranças e manter o sistema criado pela Lei 0169/2017 em funcionamento. Em outras palavras, tem todo jeito que já algo mais do que um simpático Ururau nesta privatização das ruas de Campos dos Goytacazes. 

Agora restará aos proprietários de veículos que tiverem que estacionar nas áreas escolhidas pelo prefeito Rafael Diniz para lhes sangrar os bolsos esperar para ver qual será empresa que ficará a cargo de recolher os cobres.

Por último, há que se ver como a instituição desse sistema irá impactar o já combalido comércio de Campos dos Goytacazes. É que espremidos por uma crise econômica que não dá sinais de que irá passar, muitos membros da classe média certamente vão optar pelo comércio online que não só oferece produtos mais baratos, mas também não cobra pelo estacionamento.  A ver!

Brasil de Temer: rumando ao Século XVI e a graves conflitos trabalhistas

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Este 11 de Novembro deverá ficar marcado na memória da classe trabalhadora brasileira como o dia em que direitos duramente conquistados foram arrancados com uma facilidade que impressiona a quem já se deu conta do retrocesso em que estamos subemergindo neste momento. Basta olhar a arte abaixo, preparada pelo PSOL, para entender a gravidade do ataque está sendo executado pelo governo “de facto” de Michel Temer contra todos os trabalhadores brasileiros.

reforma trabalhista

Os primeiros sinais de que a regressão será grave está  sendo a imediata redução de salários e compensações que eram garantidos anteriormente e até mesmo o fim da contratação de empregados em troca de pagamento de salários. Mas isto deverá transbordar para outras áreas, jogando a classe trabalhadora brasileira num ambiente cada vez mais conflituoso com os patrões e seus gerentes dentro dos locais de trabalho. É que determinadas regressões irão ser tão aviltantes que não restará outro caminho aos trabalhadores que não enfrentá-los, ainda que de forma desorganizada.

Com a entrada em vigor da  contra-reforma trabalhista  de Michel Temer, um hospital da ZonaSul da cidade de São Paulo já informou que irá cancelar o direito a folgas e remuneração em dobro até então pagas para quem trabalhasse durante  feriados [1].

O interessante é que ainda há gente que fala em alianças com uma obscura “burguesia nacional”, a qual será atingida diretamente pela redução dos salários trazidos pelo fim da Consolidação das Leis do Trabalho que a contra-reforma de Michel Temer  representa, já que salários menores representarão menor capacidade de consumo interno. Mas a burguesia nacional, seja lá o que for isso, está bem ajustada ao fato de que será pelo aviltamento de direitos que garantirá as suas taxas de acumulação de riqueza, principalmente pelo estabelecimento de alianças mais próximas com o setor rentista da economia. Em suma, falar em aliança com a burguesia nacional será tão útil quanto enxugar gelo em um dia de sol nos trópicos.

Cabe ainda lembrar o papel traidor que foi cumprido pelas grandes centrais sindicais, a CUT inclusa, que nada fizeram para pressionar o congresso nacional. Agora que o governo “de facto” de Michel Temer não vai mais entregar o biscoito prometido pela letargia demonstrado no período da aprovação das novas regras trabalhistas (uma nova forma de contribuição sindical que manteria os aparelhos sindicais em funcionamento) é até possível que vejamos arroubos discursivos contra o fim  da CLT.  Mas não haverá discurso que apague a traição cometida pelas centrais sindicais contra a classe trabalhadora. É que na hora “H”, as centrais sindicais se omitiram e sabotaram todas as tentativas de uma reação organizada contra a base governista no congresso nacional.

De toda forma, agora que a burguesia brasileira conseguiu o que procurou por muitas décadas e nem o regime militar de 1964 ousou fazer, é provável que vejamos o início de uma onda de greves e enfrentamentos. E a burguesia brasileira só terá a si mesma a culpar.  É que quem não tem nada a perder porque tudo já lhe foi tirado, não costumo reagir de forma moderada e pacífica. A ver!


[1] http://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/hospital-corta-folga-e-pagamento-em-dobro-para-quem-trabalhar-no-feriado/