Na ciranda dos INCTs tem lugar para instituto com artigos despublicados

bode

Venho abordando neste blog uma série de mazelas que estão cercando o edital dos chamados Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs) cujo principal financiador é o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) ( Aqui!Aqui! e Aqui!).

Nestas postagens eu havia identificado problemas como cortes orçamentários e mudança na lista final de projetos aprovados para financiamento pelo CNPq e, mais recentemente, pelas fundações estaduais de amparo à pesquisa.  A questão mais sensível que abordei em artigo em co-autoria com o Prof. Carlos Eduardo Rezende foi a alteração da lista de projetos aprovados, sem que os critérios de inserção e remoção tivessem sido divulgados.

Pois bem, o jornalista Maurício Tuffani do blog Direto da Ciência acaba de adicionar mais um elemento problemático na odisséia em que se tranformou o financiamento dos INCTs. Segundo  o que Maurício Tuffani revelou no dia de hoje (Aqui!), o líder de um dos projetos aprovados para ser aquinhoado com R$ 5 milhões de financiamento teve vários artigos retratados (ou seja despublicados) por conterem erros suficientemente graves para terem sua qualidade científica colocada sob suspeita.

tuffani

Sem querer tecer maiores julgamentos sobre o caso específico que o jornalista Maurício Tuffani apurou, o problema principal parece estar nos critérios que vem balizando a distribuição de recursos governamentais para fomentar a ciência no Brasil. Esse caso, que não deve ser o único, deveria ter sido objeto de uma análise mais criteriosa no momento em que se definiu a lista de projetos aprovados. É que de cara parece incorreto premiar com financiamento público um grupo de pesquisadores que teve não um, mas oito artigos retratados. Entretanto, como já mostrei anteriormente, falta de critérios transparentes tem sido justamente a marca da aprovação dos projetos aprovados no edital dos INCTs.

Além disso, como ficou bem demonstrado na matéria preparada por Maurício Tuffani, a despublicação destas pesquisas era de conhecimento dos comitês que avaliaram e aprovaram o financiamento do chamado “Instituto Nacional de Obesidades e Diabetes (Inod)”. Em outras palavras, ter artigos despublicados não compromete financiamentos com dinheiro público. Mas que beleza lição os comitês avaliadores estão dando para a comunidade científica brasileira, especialmente para os pesquisadores mais jovens!

O mais lamentável neste caso é que não haja quem queira falar publicamente sobre essa aprovação, como bem revela Mauricio Tuffani. Como em outros casos, nem parece que estamos falando de pessoas altamente gabaritadas e comprometidas com o avanço da ciência nacional.  Novamente, que bela lição estamos dandos aos nossos pesquisadores mais jovens.

Finalmente, eu tenho a impressão que se o jornalista Maurício Tuffani continuar cavocando no caso do edital dos INCTs, ele ainda achará mais minhocas, e bem gordinhas. Sei lá, chamem de inferência lógica.

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