A crise seletiva do Brasil: milhões de desempregados de um lado, milhares de novos milionários de outro

Quem leu uma matéria publicada pela sucursal do Rio de Janeiro do jornal Folha de São Paulo no dia 13 de Outubro descobriu que naquele momento (este número já deve ter aumentado até aqui), o número de trabalhadores brasileiros desempregados havia atingido o astronômico número de 22,7 milhões (Aqui!).

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Quem vê esse número de desempregados sai logo com a explicação: é a crise! E não culpo as pessoas que ingenuamente compram a ideia de que temos tantos desempregados por causa da situação que coloca o Brasil num panorama recessivo que faz parecer que voltamos ao início da década de 1980.  

Mas eis que ontem o insuspeito “ESTADO DE SÃO PAULO” publicou uma matéria assinada por seu correspondente internacional  Jamil Chade que relativiza o impacto da crise que estamos vivendo ao apresentar os resultados de um estudo do também insuspeito Credit Suisse que descobriu que o Brasil é um recordista no número de  10.000 novos milionários , elevando o total de brasileiros com fortunas acima de US$ 1 milhão para algo em torno de 176 mil em 2016 (Aqui!).

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Ora, como explicar tamanha contradição? Afora o fato de que no capitalismo as crises nunca são perfeitamente compartilhadas por todos os membros da população, há ainda a questão de que o motor principal da crise que percorre o sistema é de natureza rentist. Assim, esses novos milionários não devem estar saindo do setor produtivo, mas são beneficiários da especulação financeira que asfixia a economia brasileira que paga os juros mais altos do planeta.

Há que se frisar que a especulação financeira é uma espécie de “Bolsa para Milionários” e, por isso, não se vê mais aquelas multidões de pele alva e cabelos loiros (naturais ou não) desfilando com a camisa da CBF para pedir a derrubada do governo “de facto” de Michel Temer. É que, pelo menos neste momento, a sociedade que esse setor minoritário da população brasileira representa está de novo no comando, e se sentindo muito bem. De quebra, ainda temos setores da classe média que podem estar sofrendo no bolso, mas ideologicamente se sentem justiçados com todos os retrocessos já impostos às políticas sociais que mitigavam a miséria dos mais pobres.

Como todas as medidas e encontros recentes do governo “de facto” apontam no aprofundamento da recessão, a tendência é que o número desempregados e novos milionários continue aumentando. Resta saber até quando o Brasil vai suportar esse diapasão que aponta para o aumento da segregação social e econômica.  Mas que não se venha a culpar os mais pobres se eles perderam a hercúlea paciência que têm demonstrado com o desmanche do precário sistema de apoio que desfrutaram nos anos de Lula e Dilma. 

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