O espectro de Anthony Garotinho paira sobre a Prefeitura de Campos

pmcg

No primeiro parágrafo do “Manifesto Comunista” publicado inicialmente em 1848 , Karl Marx inseriu uma afirmação que assombra os governos burgueses até os dias de hoje. Ali Marx estipulou que  “um espectro está assombrando a Europa-  o espectro do comunismo. Todas as forças da Velha Europa formaram uma santa aliança para exorcizar este espectro:  o Papa, o Czar, Metternish, Guizot, os Radicais Franceses e os espiões da Polícia Alemã”.  

Pois bem, em pleno Século XXI e em uma região bem distante da Europa, outro espectro parece assombrar a quem deveria estar se sentindo exorcizado após uma impressionante vitória eleitoral. Falo aqui do espectro de Anthony Garotinho, que parece pairar onipresente sobre os corações e mentes de seus adversários na planície onde um dia os Goytacazes correram livres.

Essa impressão me é passada desde declarações estilo “Macho man” do jovem prefeito Rafael Diniz (PPS), em declarações do presidente da Câmara de Vereadores, o vereador Marcão (Rede). e também nos inúmeros anúncios fúnebres escritos pelos inimigos acumulados por Anthony Garotinho na mídia local, seja na blogosfera ou na corporativa.

Enquanto isso, usando bem o papel auto-designado de espectro, Anthony Garotinho nada de braçadas nas refregas que ele escolhe para participar, dando até a impressão que está se divirtindo às custas dos seus adversários, muitos dos quais ex-membros de sua “entourage”.  Nesses embates Garotinho tem demonstrado que vive e vê à frente dos seus muitos adversários e, ao contrário do que se anuncia, está vivíssimo e pronto para continuar assombrando.

Eu sei que se conselho fosse bom não se dava, mas se vendia (e olha que com 3 meses de salários atrasados eu ando precisando muito!). Mas vamos lá.  Me parece que a  forma  mais simples de erradicar definitivamente o espectro de Garotinho é algo muito simples: que o prefeito comece a governar para a maioria da população e não para os que já tem tudo; que a Câmara de Vereadores exerça seu papel constitucional, e que a mídia cumpra o seu papel de reportar fatos que sejam relevantes para a nossa sociedade em vez de tentar fazer o papel de exorcista. E com um detalhe básico: que todos usem pelo menos 50% da energia que Garotinho emprega para fazer o seu tipo peculiar de politica.

Ou é isso ou não vai adiantar espernear porque Garotinho vai continuar a reinar de forma imperial sobre a política local. E com certeza, a próxima eleição para a Prefeitura de Campos dos Goytacazes vai ser levada de barbada por quem quer que seja que ele escolha para ser eleito.  Por último, um humilde lembrete aos militantes dos partidos de esquerda que estão asssitindo a esse embate do lado de fora do gramado: a hora de fincar bases e romper o status quo reinante é essa.  A ver!

 

7 pensamentos sobre “O espectro de Anthony Garotinho paira sobre a Prefeitura de Campos

  1. Juçara disse:

    Muita boa sua análise. Dessas que a gente gostaria de ter escrito. Parabéns

  2. Rosangela Martinez disse:

    Muito boa análise.
    Garotinho é um político à frente
    do seu tempo. E a esquerda a que se refere está quieta porque está dentro do governo. Para esta dita esquerda de Campos o ideal é ” fora Garotinho ” se une pelo poder e não pelo ideal do bem comum com desenvolvimento e crescimento Social. Eles sabem que com.Garotinho não tem propina .

    • Obirgado Rosangela. Agora é preciso especificar o que se entende por esquerda antes de dizer que todos os partidos dessa inclinação estão dentro do governo municipal, pois não é o caso. Além disso, é bom que fique claro que não abordei qualquer elemento relacionado à propina neste ou em outros governos. Afinal, para isso eu teria que ter provas. É que neste blog só publico com provas documentais ou com o relato de informantes confiáveis.

  3. Rosangela Martinez disse:

    Nem todos os partidos que têm inclinação para a esquerda estão dentro do governo. Não foi isto que quis dizer professor. Mas observo que aqueles que têm esta vertente e que viviam fazendo movimentos nas ruas e redes sociais contra os chamados por eles de “rosáceos” então no governo sim e hoje se calam. Onde está eleição para diretores? Onde está a não indicação política dentro da gestão escolar que eram contra e hoje está muitas vezes pior? E os concursados ? RPA eram contra? ENFIM….. E quanto a propinas é o que temos visto, ouvido nos meios de comunicação no país inteiro.
    Mas agradecida pelo seu texto. No meu entendimento muito verdadeiro

  4. Raphael Soares disse:

    Professor Pedlowski, gostaria de levantar algumas indagações em relação ao texto escrito pelo senhor e em relação às suas análises sobre a politica local. O atual governo conta, para citar apenas o primeiro escalão da administração municipal, com quatro egressos da Uenf, mais especificamente do CCH, possivelmente ex alunos seus, e a primeira pergunta que eu faço é a seguinte: estariam também eles participando do que o sr chama de governo elitista, contribuindo para um governo que, segundo as suas palavras, governa para os que tem tudo em detrimento da maioria? Estaria o CCH, cujo corpo docente o sr faz parte, treinando servidores públicos que deturpam o sentido de bem estar coletivo, tendo em vista se locupletar com verbas publicas? Caso o sr. dê respostas afirmativas a esses questionamentos, lhe pergunto qual a parte que o sr se atribui, como professor de uma instituição que vem fornecendo numerosos quadros para a prefeitura, na formação de tão famigerados servidores públicos? Outra linha de raciocínio do senhor que, na minha humilde ignorância, não me parece clara são as suas afirmações relativas ao que o sr chama de retrocesso nas politicas sociais. Quais politicas sociais que o sr está se referindo? O cheque cidadão e a passagem social? Como tenho certeza que o sr sabe, a social democracia europeia, no auge de sua operação, nos anos pós segunda guerra mundial, estabeleceu como agenda a desmercantilização e a universalização de serviços sociais básicos, como saúde e educação. Acesso a serviços públicos de qualidade sempre foi a grande agenda da esquerda reformista, não revolucionária, e lhe pergunto: qual o estado da educação e da saúde municipais nos últimos governos? O sr vem acompanhando os resultados do IDEB nos últimos anos? Já foi atendido em algum hospital municipal? Me parece, nesse sentido, que falar em retrocesso em politicas sociais não cabe, tendo em vista que elas nunca avançaram. Também tenho certeza que o sr sabe que politicas de transferência de renda, benefícios monetários não-contributivos, como o famoso cheque cidadão, é um politica social de cunho liberal, de ascendência norte americana. Portanto, me parece estranho que um militante de esquerda defenda essa modalidade de politica social, que, comprovadamente, não garante acesso e iguais oportunidades a todos os cidadãos. Para terminar minhas indagações, gostaria de saber se esse individuo que o sr diz que “vive e vê à frente dos seus muitos adversários” é aquele mesmo que foi citado nas delações da Odebrecht, como tendo recebido, junto com a sua esposa, 20 milhões de reais em propina, referentes às licitações do “Morar Feliz”? Ou se é aquele mesmo que, na função de co-prefeito, teve como prioridades de alocação dos recursos municipais a construção de um castelo no meio da cidade, também conhecido como cidade da criança, e um sambódromo, raramente utilizado? Se, professor Pedlowski, nas próximas eleições municipais sua previsões estiverem certas, e o vencedor for alguém que “ele” escolha para ser eleito, o sr estará entrando em contradição novamente com o seu próprio pensamento. Além de, como militante de esquerda, ser a favor de politicas sociais liberais, o sr se esquece que, segundo Marx, a história anda para frente.

    • Prezado Raphael,

      O seu comentário é tão longo que mereceria ser colocado num debate mais amplo, mas vou responder por aqui mesmo. A primeira coisa é que como você notou, parte dos quadros da atual administração da PMCG é oriunda do Centro de Ciências do Homem. E isso implica exatamente em quê? Eu não iria tão longe quanto Florestan Fernandes que um dia disse que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tinha sido o seu orientando que não tinha entendido a sua mensagem, mas tenho a dizer que o que as pessoas fazem com o seu treinamento acadêmico diz mais sobre elas e as opções que fazem do que daqueles que contribuíram na sua formação. Em segundo lugar, eu tenho sido claro em quais políticas sociais o atual governo vem impondo regressões e só você ler o que eu escrevi para notar isso. O interessante é que não disse que essas eram políticas sociais excepcionais, mas pelo menos eram alguma coisa que mesmo de forma precária auxiliava os segmentos mais pobres da nossa população a sobreviver e colocar comida na mesma. E não há como ocultar, os cortes feitos pela administração municipal só atingiram essas políticas, visto que não apenas os cargos DAS estão bem distribuídos, mas como gastos peculiares continuam, incluindo a da publicidade e marketing, como no caso da campanha autocongratulatória da Câmara de Vereadores. Além disso, pelo que tenho conversado com pessoas que são usuárias dos serviços públicos de saúde e educação, o que já era ruim, continua ruim, e quase nada foi feito para mudar esse cenário lamentável. E não adianta ficar apenas culpando a administração anterior, pois os erros que estão sendo cometidos já estão sob a rubrica do prefeito Rafael Diniz. Em relação ao Sr. Anthony Garotinho, eu insisto na caracterização de que ele está na frente da maioria dos políticos locais, muitos dos quais egressos do seu grupo. Negar essa capacidade acima dos demais é não apenas sectário, mas contraproducente. Além disso, uma das principais críticas que eu tenho ao atual prefeito foi o abraço de afogado que deu em segmentos do “Garotismo” como ficou bem demonstrado nas alianças que garantiram a maioria absoluta na Câmara de Vereadores. Aliás, eu adoraria ver a discussão da Odebrecht ser feita, até porque assim o atual prefeito poderia explicar a sua escolha para ocupar o cargo de secretário de Infraestrutura e Mobilidade Urbana. Por último, não entendi bem a referência à Karl Marx e sobre a questão de que a história anda para frente. De toda forma, você tivesse a oportunidade de dialogar comigo em instâncias onde debati o papel das políticas sociais, origens e funções, saberia que eu as coloco como ferramentas das políticas neoliberais de redução da ação do Estado. Mas o que isso tem a ver com o fechamento do Restaurante Popular e com a suspensão do cheque cidadão?

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