Conflito agrário no Porto do Açu: um mapa que explica bem a pressa de retirar agricultores de área reocupada

Como geógrafo por treinamento e quase duas décadas de docência na Universidade Estadual do Norte Fluminense sempre noto a capacidade explicativa que mapas possuem ao longo da História.  Essa certeza acerca deste instrumento básico da Geografia foi reforçada neste manhã ao visualizar o mapa de uso das terras desapropriadas pelo (des) governo de Sérgio Cabral para a suposta implantação do Distrito Industrial de São João da Barra (DISJB), o que foi disponibilizado pelo professor Roberto Moraes em seu blog (Aqui!) (ver figura abaixo).

Mapa Mosaico desapropriações Açu FINAL (1)

A primeira coisa a ser ressaltada é que houve um aumento de mais de 100% da área inicial do futuro DISJB e, ao que tudo indica, a partir de um pedido direto de Eike Batista a Sérgio Cabral, cujo atendimento foi extremamente “benéfico” para o hoje encarcerado ex (des) governador do Rio de Janeiro (Aqui!).

Mas mais importante do que evidenciar o aumento da área desapropriada, o que este mapa mostra de forma cabal é que após quase 6 anos desde que a maioria das propriedades foi tomada de seus legítimos detentores, cerca de 85% da área desapropriada (notem que eu disse 85%!) para instalação do DISJB está totalmente improdutiva!

Por isso é que a reocupação das terras pertencentes do Sr. Vilson Almeida parece estar sendo vista como uma série ameaça aos interesses econômicos das empresas que as receberam totalmente de graça do (des) governo do Rio de Janeiro. É que a explicitação da improdutividade e da absoluta ausência de planos concretos para a sua utilização tornam mais do que necessária a anulação de todos os decretos de expropriação promulgados por Sérgio Cabral em benefício de Eike Batista.

Outro, mas crucial detalhe, que surge nesse mapa é o objeto do Decreto 41.998 de 2009 que implica na “supressão” da localidade de Água Preta, o que na prática autoriza ao estado do Rio de Janeiro a remover as centenas de famílias que ali vivem há várias gerações trabalhando na terra e produzindo alimentos.  Esse detalhe que só desvelado explica o nervosismo que está sendo detectado nos circulos de poder que gravitam em torno da prefeita Carla Machado (PP). É que o surgimento desta informação certamente vai aumentar a pressão da comunidade de Água Preta por explicações sobre como se permitiu a emissão de um decreto cujo objetivo é “suprimir” os direitos das famílias que ali vivem e trabalham. 

Por essas e outras é que considero que a partir da decisão de ontem do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro não apenas vai haver um aumento da pressão pela anulação dos decretos de desapropriação, mas por respostas sobre como se chegou ao aumento das áreas expropriadas por Sérgio Cabral e entregues a Eike Batista. A ver!

2 pensamentos sobre “Conflito agrário no Porto do Açu: um mapa que explica bem a pressa de retirar agricultores de área reocupada

  1. Justiça sendo feita. Pois muito há de ser feito, pois só 3% recebeu suas terras.

  2. […] Conflito agrário no Porto do Açu: um mapa que explica bem a pressa de retirar agricultores de áre… […]

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