A entrevista de Marcelo Freixo e a necessidade histórica de superar o lulismo

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Estou lendo reações iradas à entrevista concedida pelo deputado Marcelo Freixo (PSOL) ao jornal Folha de São Paulo, algumas vindas de dentro do seu próprio partido [1]. Uma leitura rápida do conteúdo desta entrevista mostrará que Marcelo Freixo não disse mais nada do que uma série de obviedades, especialmente no que se refere aos clamores de uma suposta unidade da “esquerda” em torno do ex-presidente Lula já no primeiro turno da eleição presidencial que deve ocorrer em 2018,

Se estivesse nos sapatos de Freixo é provável que eu nem me desse ao trabalho de explicar porque essa unidade não apenas é indesejável eleitoralmente, mas principalmente do ponto de vista estratégico para o futuro da luta em prol de uma sociedade que ultrapasse os marcos da desigualdade abjeta em que o Brasil vive afundado. É que enquanto pode, o PT e seus aliados sempre ignoraram o PSOL e outros partidos da esquerda revolucionária sob a alegação de que eram “ultraesquerdistas”.

Além disso, num momento em que estamos arcando com as piores consequências da política de colaboração de classes, que foi o eixo central das alianças preconizadas por Lula,  seria extremamente anti-pedagógico que os partidos de esquerda deixassem de ter candidaturas próprias em nome de uma unidade cujo propósito é recolocar no poder a concepção de que devemos ignorar a existência de uma forma especialmente aguda de luta de classes no Brasil.

Uma dica de que Marcelo Freixo acertou mais do que errou em suas avaliações foi um vídeo postado pelo lamentável presidente do PT do Rio de Janeiro, Washington Quáquá, que atacou ferozmente o conteúdo da entrevista, ignorando completamente o papel cumprido por ele e seu partido na sustentação do (des) governo de Sérgio Cabral. Aliás, num tempo não muito distante, Quáquá chego a pregar uma reaproximação com o hoje prisioneiro ex-presidente da Alerj, Jorge Picciani, para viabilizar um palanque forte para Lula no Rio de Janeiro.

De minha parte, espero que o PSOL e outros partidos de esquerda se unam sim, mas para estabelecer um programa que aponte para a superação dos preceitos de colaboração de classe preconizados pelo ex-presidente Lula e seus seguidores. É que sem a superação do lulismo ficaremos eternamente prisioneiros de uma lógica que apenas serviu para deixar os ricos ainda mais podres de riscos, e os pobres relegados ao recebimento de migalhas via programas sociais que nada serviram para atacar as causas estruturais de sua miséria.


[1] http://www1.folha.uol.com.br/poder/2017/12/1946626-nao-sei-se-e-o-momento-de-unificar-a-esquerda-nao-diz-marcelo-freixo.shtml

 

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