O neoliberalismo e suas patologias

neoliberal

Independente dos resultados que emergirão das urnas no final deste domingo, em minha opinião estamos presenciando um momento de profunda anomia na sociedade brasileira, o qual está sendo causado principalmente pela falta de um horizonte positivo para muitos que hoje embarcam na tentação de resolver suas questões pessoais e nossos problemas pessoais via o uso da violência contra os que são vistos como elementos antagônicos aos seus ideais de vida.

E quais são estes ideais? Essencialmente eles são determinados por décadas de hegemonia neoliberal em uma sociedade que já era uma das sociedades mais desiguais do planeta. Esses ideais se ancoram na concorrência extrema entre os indivíduos, a erradicação de quaisquer laços de solidariedade e o estabelecimento de uma concepção de que os prejudicados pelo sistema ou escolheram ser assim ou não se esforçaram o bastante para acumular algum tipo de capital.

Após semanas debatendo em grupos de Facebook, alguns deles compostos majoritariamente por servidores públicos que deverão perder o pouco que ainda detém em termos de direitos, pude presenciar como as pessoas que ousam questionar esses princípios são tratadas. A coisa começa com a acusação de que alguém está doutrinado, mas passa pelas acusações de quem alerta para os riscos postos está com medo da derrota ou simplesmente desesperado. Este tipo de ladainha combina ainda citações a um suposto plano bolivariano de dominar e transformar o Brasil numa sucursal da Venezuela.

Ao serem lembrados que a Argertina que recebeu o receituário que  vai ser aplicado aqui se um determinado candidato vencer, a coisa descamba para as ofensas pessoais e a chacota.  Tampouco falam eles sobre o caso do Chile que foi o primeiro país da América do Sul a privatizar a previdência social e hoje possui um dos maiores índices de suicídio entre idosos no mundo.

Além disso, nesses grupos em que debati com os defensores dessa agenda neoliberal foi comum a demanda para que eu fosse excluído sumariamente por “não pertencer” ao grupo, como esse tipo de fórum tivesse algum tipo de DNA do pertencimento.  Como não caí na tentação de me retirar espontaneamente, as demandas cessaram na mesma medida em que aumentaram os ataques ao meu nível de inteligência. Obviamente para eles uma pessoa que se coloque contra o discurso rasteiro que eles oferecem para oferecer respostas para o Brasil (as quais raramente dizem quais são) necessita ser desqualificada, de modo a esconder a inexistência de propostas que não sejam de retirar direitos e impor uma sociedade guiada por rígidos mecanismos de moral social sobre os mais pobres.

Em suma, o que está aparecendo nestas eleições é muito mais do que milhões de pessoas votando em um candidato que já lhes avisou que irá trabalhar para piorar suas vidas. O que temos se manifestando abertamente são os ovos da serpente neoliberal que chocou uma sociedade com segmentos inteiros que perderam os níveis de solidariedade social e hoje apostam em mecanismos de higienismo social com paralelos históricos conhecidos na Alemanha nazista.  

Por causa disso é que muitos que até agora olharam para essa situação e fingiram que nada estava acontecendo precisam sair do seu comodismo e trabalhar para alcançar os milhões de pobres que estão sendo ludibriados e se colocando no papel de agentes de seus próprios algozes. A hora é de retomar o protagonismo político e mostrar que é possível construir uma sociedade mais solidária que não discrimine seus cidadãos com base na cor da sua pele ou da sua orientação sexual.  Mas aviso logo, o trabalho será duro porque os ovos da serpente neoliberal estão bem espalhados e desabrochando em grande profusão.

Um pensamento sobre “O neoliberalismo e suas patologias

  1. Abilio Maiworm-Weiand disse:

    Minha companheira passou pela mesma situação que a sua numa certa rede de relacionamentos virtuais, mas de ofensas bastante concretas. Não podia deixar de ser entre os médios assalariados, patinhos da FIESP, que pensam que o salário mais elevado os coloca numa outra classe. Talvez, uma espécie de “classe” irmã pequena dos banqueiros, industriais, latifundiários de exportação, mineradoras e por aí segue. Quando ela indagava às doutoras da saúde algo que não fazem a menor ideia, simplesmente a ofediam, mesmo que ela as pedisse para debater e não ofender. Aí, resolveu dar os trâmites por findo e se retirou citando um trecho bíblico: Não atirai pérolas aos porcos…
    A única coisa que não compreendo em sua análise, que já venho observando há algum tempo, é a afirmação que sociabilidade burguesa brasileira passa por uma anomia. Penso que se assim fosse, historicamente refletindo sobre o século XX, não teríamos tidos as duas selvagens grandes guerras mundiais, as tantas outras locais que são fomentadas pelo mundo até hoje, assim como as várias ditaduras mundo afora, todas sob a égide da reprodução ampliada, ou devido ao seu próprio impdimento, do capital e todas as desgraças que os povos são subemtidos para que o lucro continue a se realizar e a ser o sentido de uma vida coisificada. Por isso, mesmo que suncintamente, parece-me que a anomia é a própria norma desta sociabilidade mundial.

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