Encontro de ecossocialistas: é urgente colocar a classe no centro da luta anticapitalista

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Participei neste final de semana do “IV Encontros Internacionais Ecossocialistas. Alerta vermelho, alerta verde: dar forma à transformação ecossocialista” que ocorreu em Lisboa [1].  A reunião contou com militantes e intelectuais de diversas partes do mundo, e boa parte das discussões das quais participei giraram em torno da grave crise ecológica que hoje ameaça os ecossistemas planetários e a  própria sobrevivência da Humanidade.

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Nas diferentes mesas das quais fui ouvinte, um tema recorrente foi a necessidade urgente de que a luta anti capitalista se dê a partir do conceito de classe que seria segundo um dos palestrantes a única que seria capaz de fazer com que se restaure a unidade das classes oprimidas em torno de um projeto solidário de sociedade, o qual seja capaz de restabelecer o sentido de comunidade humana.

Este mesmo palestrante alertou para o fato de que se este projeto de reconstrução comunitária não for levado adiante pelos setores que se colocam contra  o Capitalismo, a ultra direita alastrará a sua visão de exclusão do diferente como forma de resolver as diversas formas em que a crise capitalista está se apresentando.

Um dos aspectos que considerei mais interessantes nos chamamentos para que a classe seja colocada à serviço da unificação das múltiplas lutas que hoje ocorrem contra as diferentes formas de opressão capitalista, foi o reconhecimento de que é necessário voltar a estudar os clássicos do Marxismo (incluindo o próprio Karl Marx, mas também Lênin e Rosa de Luxemburgo, dentre outros) no tocante aos processos de acumulação capitalista que foram solenemente abandonados pela esquerda nas últimas décadas. É que segundo outro palestrante, o Capitalismo financeirizado está cada vez mais necessitado de apropriar bens coletivos como as florestas e as águas para alimentar a forma particular de apropriação que esta fase capitalista requer. 

Por outro lado, também foram apresentadas ideias de que para a luta anticapitalista avance de forma positivo vai ser necessário estabelecer novas formas de colaboração entre sindicatos, movimentos de luta pelos direitos humanos e organizações ambientalistas.  Ao ver a experiência brasileira, vejo quão atrasados estamos na formação deste tipo de aliança em função da hegemonia de visões que fragmentam a luta no processo identitário.  No caso do Brasil, o primeiro desafio será convencer que é possível unificar todas as identidades dentro da classe. É que apesar de todos os recuos que tivemos, e que culminou na vitória de Jair Bolsonaro,  ainda não vejo nenhum balanço sério sobre o papel que a luta identitária, por mais justa que seja, cumpriu na fragmentação da classe trabalhadora e da juventude brasileira.


[1] https://alterecosoc.org/programme/

 

 

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