Anos duros pela frente? Siga o caminho dos coletes amarelos

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Coletes amarelos franceses apontam o caminho que terá de ser seguido para evitar os planos regressivos de Jair Bolsonaro.

A vitória de Jair Bolsonaro será transformada numa grande derrota da classe trabalhadora e da maioria pobre dos brasileiros. Bolsonaro representa a vitória de um projeto ultraneoliberal revestido por um fino verniz de nacionalismo que não deverá sobreviver à primeira medida provisória que será editada para destruir algum direito duramente conquistada.

O fenômeno que levou à vitória de um personagem que expressa saudades da Ditadura Militar de 1964 e de seus métodos obscuros de tortura e extermínio já teve várias análises desde 28 de Outubro. Acredito que a maioria dessas análises sofre com a parcialidade com que os autores procuram expressar quais teriam sido as variáveis causais deste resultado. Entretanto, em conjunto essas análises omitem que houve responsabilidades por parte de todos os que compartilham da forma institucional de fazer política,forma essa que foi estraçalhada pelos métodos trazidos por Steve Bannon e pela Cambridge Analytics.

Aliás, um desses dias levei um puxão de orelhas por não mencionar em uma palestra que Steve Bannon é financiado pelos bilionários Robert e Rebecca Mercer cujas operações financeiras em paraísos fiscais apareceram na famosa série jornalística “Panama Papers“, havendo indicações que o dinheiro usado para ajudar a derrotar Donald Trump teria sido enviado via as vias tortuosas de paraísos fiscais [1].

Mas voltando ao que o governo Bolsonaro será (ou pretende ser), o anunciado desmanche do Estado pelo sempre falante vice-presidente Hamilton  , há que se perguntar qual parte dele será desmontada. É que depois de Michel pouco sobrou para desmanchar da parte que atende aos interesses e necessidades da maioria pobre da população. Se for esse pedaço que Jair Bolsonaro e Hamilton Mourão, via Paulo Guedes, pretendem desmanchar, então veremos um processo de precarização ainda maior da condição de vida dos pobres.  E, dada as declarações contra os direitos trabalhistas e sociais, parece que é aí mesmo que se pretende desmanchar.

Agora, o Estado brasileiro é estruturalmente anti pobre desde os tempos em que éramos colônia portuguesa. A novidade agora é que as ações se darão de forma mais crua e aberta do que antes. Haverá assim menos espaço para convites para a pactuação com segmentos claramente apoiadores das mesmas políticas que a dupla Bolsonaro/Mourão querem implementar.  É que quem vier codm a conversa de pacto democrático terá que suar um pouco mais a camisa do que nos anos em que Lula enfeitiçava as massas com o seu capitalismo sem conflitos e de campeões nacionais.

Aos que pretendem resistir ao desmanche anunciado, a minha primeira sugestão é que voltem a estudar os clássicos do pensamento social brasileiro (começando com Caio Prado Junior, e passando por Florestan Fernandes e Celso Furtado) e do Marxismo (ler a Ideologia Alemã e o Manifesto Comunista já seria um excelente início), e joguem no lixo toda a literatura mequetrefe que foi empurrada no Brasil pela Fundação Ford.  É que só estaremos preparados para resistir se voltarmos a entender a natureza do Estado capitalista e de sua expressão manifestada no Brasil.

Aos que hoje estão aflitos e desanmiados, indico que a realidade que está se abrindo não nos permitirá prostração e desânimo. Melhor conservar energia e disposição, pois não faltarão direitos para serem defendidos.  De quebra, que se estude melhor o fenômeno dos coletes amarelos frances. É que neles parece residir a receita para os enfrentamentos que virão. 

[1] https://www.theguardian.com/news/2017/nov/07/steve-bannon-bermuda-robert-mercer

 

Um pensamento sobre “Anos duros pela frente? Siga o caminho dos coletes amarelos

  1. profpaulobrites disse:

    Pois é meu caro, o problema é que na França ainda tem um pequeno viés de liberdade e aqui ela será totalmente abolida em pouco tempo,. Voltaremos aos DOI CODI, mas uma vez com o apoio explicito dos EEUU.
    Eu acrescentaria à bibilografia a Doutrina de Choque de Naomi Klein, para entender Paulo Geudes e suas origens. Um pouco de Chomsky também vai bem, a meu ver.

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