Os ministros de Bolsonaro e o (auto) elogio à ignorância

weintraub

Abraham Weintraub: entre Franz Kafka e a Kafta, o elogio à própria ignorância do ministro da Educação do governo Bolsonaro

As trapalhadas de diversos ministros do governo Bolsonaro não escondem ou, tampouco, mudam o perfil autoritário dos mesmos, apenas o reforça. Entretanto, mesmo para os padrões brasileiros que não são assim tão altos quando se trata de definir quem pode ser ministro, convenhamos que a atual safra é de uma qualidade intelectual sofrível.

Entre a apologia aos venenos agrícolas de Tereza Cristina ao Jesus na goiabeira de Damares Alves, já tivemos que ouvir Vélez-Rodriguez dizendo que todos os brasileiros são canibais, sem falar no “conge” de Sérgio Moro.

Mas, convenhamos, que dentre tantas provas de incapacidade de relacionar sua própria capacidade à realidade, destacam-se Abraham Weintraub e Ricardo Salles. O primeiro, com um currículo acadêmico que não o habilitaria em condições normais a ser docente de uma universidade federal, e o segundo com sua capacidade explícita de entender qual ministério dirige (apesar de estar no Meio Ambiente, acha que está na Agricultura).

Ainda que Weintraub e Salles nos rendam momentos hilários como a confusão feita ontem em audiência no Senado por Weintraub entre o escritor theco Franz Kafka e o prato árabe Kafta, a verdade é que esses dois ministros (ministros?) são personagens que possuem em comum a dificuldade de se autoavaliar, sempre se apresentando como muito mais importantes do que jamais conseguirão ser.

autoelogio

O problema é que estando à frente de pastas estratégicas como a da Educação e do Meio Ambiente, Weintraub e Salles possuem a capacidade ímpar de causar danos que requisitarão décadas para ser corrigidos em um momento no qual há muito pouco espaço para o erro.  Por isso, mesmo que esses dois personagens sejam matéria prima de primeira qualidade para a sátira política, o fato é que precisam ser levados muito a sério, particularmente por aqueles que entendem a gravidade das consequências que o desmanche que estão realizando seja levado a cabo em sua plenitude.

E que ninguém se engane: o auto elogio à ignorância é apenas reflexo de problemas bem mais graves no tocante à capacidade de conviver com o diferente e entender do que se realmente trata experimentar a vida em sua sociedade democrática. Bom, pelo menos essa lição podemos tirar da passagem, ao mesmo tempo, de tantas figuras nada pitorescas por postos de comando no Brasil.

Por fim, há que se refletir sobre a razão da escolha de personagens tão explicitamente ignorantes para a direção de pastas fundamentais para a formulação de políticas que ajudem a tirar o Brasil do buraco em que está. Para mim a razão é bem simples: quem de fato dirige esse governo (e não falo aqui do  presidente Jair Bolsonaro) não quer tirar o Brasil das profundezas em que está. Aliás, muito pelo contrário, quando mais fundo estivermos, melhor será para eles. E, por isso, essa hegemonia de ignorantes em postos chaves. Simples mas, mesmo assim, trágico.

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