Governo Bolsonaro aprofunda ataque à ciência brasileira

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Abraham Weintraub e Jair Bolsonaro, os arautos da destruição da ciência brasileira.

Gosto sempre de lembrar que no dia 11 de janeiro de 2019 concedi uma entrevista ao jornal português “Diário de Notícias” onde declarei que a ciência brasileira estava sob ataque ideológico do governo Bolsonaro.  De lá para cá, os ataques contra a ciência nacional foram paulatinamente se intensificando, primeiro sob a batuta de Ricardo Vélez Rodriguez e mais recentemente pelas mãos de Abraham Weintraub.

A primeira grande evidência de que o ataque inicialmente no campo da ideologia havia mudado de patamar passando para a área financeira foi o corte médio de 40% do orçamento de universidades e institutos federais. Tal ação ameaça inviabilizar o funcionamento das instituições federais de ensino em meados de agosto, justamente quando deverá (ou deveria) começar o segundo semestre acadêmico de 2019.

Mas usando uma tática brutal que se assemelha à “blitzkrieg” utilizada pelo exército alemão no início da Segunda Guerra Mundial, hoje o presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (CAPES), o Sr. Anderson Ribeiro Correia, fez chegar às universidades brasileiras a informação de que foram sustadas bolsas em cinco programas ( i.e., Programa de Demanda Social (DS);  Programa de Excelência Acadêmica (PROEX);  Programa de Suporte à Pós-Graduação de Ins tuições Comunitárias de Ensino Superior (PROSUC);  Programa de Suporte à Pós-Graduação de Ins tuições de Ensino Par culares (PROSUP); e  Programa Nacional de Pós-Doutorado (PNPD/CAPES), no que implica num processo de asfixia financeira que deverá atingir todas as áreas do conhecimento, impedindo a continuidade de centenas de projetos de pesquisa e comprometendo a sobrevivência do ainda jovem sistema nacional de ciência e tecnologia (ver ofício abaixo).

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Há que ficar claro que pós-graduandos representam não apenas a mão-de-obra essencial para que o sistema nacional de ciência e tecnologia funcione em suas estruturas fundantes que são as universidades, mas são também a garantia de que haverá continuidade na formação de pessoal de alta qualificação, um elemento estratégico para que qualquer país enfrente os desafios científicos e econômicos deste início do Sèculo XXI. Apenas para exemplificar como a atitude tomada pela CAPES vai no sentido contrário do que está sendo feito em outros países, o governo da Alemanha anunciou no dia 03 de maio um aumento de investimentos em suas universidades e institutos de pesquisa científica na ordem de 160 bilhões (algo em torno de 800 bilhões de reais) de euros apenas para o período 2021-2030. 

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É preciso que fique claro que o movimento de asfixiar universidades e reduzir o investimento na formação de quadros científicos não é um ponto fora da linha. Como já afirmei anteriormente, o deinvestimento em universidades e no sistema de pós-graduação faz parte de um projeto de abandono de qualquer perspectiva de desenvolvimento autônomo que objetivamente ampliará a dependência da economia brasileira dos países centrais, a começar pelos EUA de Donald Trump.

Em meio a essa avalanche de ataques friso que a comunidade científica brasileira está sendo forçada a sair de dentro dos muros universitários e ir para as ruas onde se dará a disputa pelo modelo de país que queremos ser.  Como estou calejado por anos de duros enfrentamentos com os governos de Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão, a boa notícia que tenho para aqueles que agora irão começar seu noviciado de lutas fora de laboratórios de pesquisa é que a maioria da população brasileira, especialmente os seus segmentos mais proletarizados, não apenas entendem a importância das universidades, mas como não se furtam a apoiar as ações em suas defesas.

Por outro lado, o despreparo intelectual dos que lideram os ataques às instituições federais de ensino, a começar pelo ministro (sic!) Abraham “Kafta” Weintraub, são um elemento a mais a ser utilizado para derrotar o projeto de desmonte da ciência brasileira do governo Bolsonaro.  Entender essa particularidade será fundamental não apenas para organizar as ações de sensibilização da população, mas também para colocar o debate na arena onde a ciência tem o seu forte que é no uso racional e lógico do conhecimento.

Às ruas pesquisadores, a hora de defender o futuro da ciência brasileira é essa!

 

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