Jair Bolsonaro comete grave erro ao desprezar decisão do governo alemão em relação à Amazônia

bolso deforestJair Bolsonaro comete grave erro político ao desdenhar da posição alemã em suspender financiamento de projetos de preservação por causa da alta do desmatamento na Amazônia. Esse erro terá consequências políticas e econômicas.

Em seu padrão normal de completa despreocupação com as sinalizações de governos que não sejam o de Donald Trump, o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro,  desdenhou publicamente da decisão do governo da Alemanha de suspender o aporte de investimentos em projetos de preservação da Amazônia.

Segundo o que relata o jornalista Bernardo Caram em matéria publicada pelo jornal “Folha de São Paulo”, Jair Bolsonaro teria sugerido que “a Alemanha faça bom uso dos recursos que seriam destinados à Amazônia“, pois segundo ele “o Brasil não precisa da verba“. 

O presidente Jair Bolsonaro pode não saber, mas seus aliados políticos do latifúndio agro-exportador já devem saber que essas declarações são politicamente desastrosas e resultarão em consequências econômicas consideráveis para a agricultura brasileira.

É que qualquer principiante em relações políticas internacionais sabe que a decisão do governo alemão foi apenas uma sinalização de medidas mais drásticas que deverão ser adotadas caso o governo Bolsonaro continue incentivando o avanço da franja de desmatamento na Amazônia.

Um dos principais alvos dos países europeus deverá ser o acordo comercial que acaba de ser firmado entre o Mercosul e a União Europeia após longos vinte anos de negociação. É que este acordo possui uma série de cláusulas ambientais, incluindo o combate às mudanças climáticas. Como o desmatamento na Amazônia é um dos principais gatilhos das mudanças climáticas, o mais provável é que o acordo comercial seja torpedeado pelos congressos nacionais de países como a Alemanha e a França, onde já existe uma séria oposição ao mesmo justamente por causa do comportamento do presidente Jair Bolsonaro.

O problema é que o presidente Jair Bolsonaro e alguns dos seus principais ministros como Ernesto Araújo (Relações Exteriores), Ricardo Salles (Meio Ambiente) e Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia) estão muito mais propensos a apostar no alinhamento com o governo dos EUA, curiosamente um país com o qual a balança comercial brasileira perde muito mais do que ganha. Sobrará para a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, tentar acalmar seus colegas da bancada ruralista que certamente já sabem que o pior certamente virá.

Mas que fique claro: cedo ou tarde (talvez mais cedo do que tarde), o desprezo de Jair Bolsonaro em relação à decisão do governo alemão vai custar muito caro ao Brasil. A ver!

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