Agrotóxicos produzidos na China são maioria no pacote de venenos aprovado pelo governo Bolsonaro

mourãoO vice-presidente Hamilton Mourão em visita oficial à China

Acabei de completar a base que venho construindo com os agrotóxicos que tiveram sua liberação publicada na vigência do governo Bolsonaro e que incluem os 63 agrotóxicos que foram autorizados pelo Ato No. 62 publicado no dia 13 de Setembro de 2019.  Um primeiro detalhe a se ratificar é que  “grande total” dos agrotóxicos liberados é 353 e não 325 como algumas fontes têm insistentemente publicado.

Analisei algumas facetas peculiares desse pacote de venenos agrícolas cuja velocidade de aprovação quebra recordes históricos.  O curioso, como já mostrado por um estudo feito pela parceria Pública/Repórter Brasil é que muitos desses venenos já estão no mercado brasileiro, e o que parece estar ocorrendo é um rodízio sobre as regiões produtores dos mesmos, com uma clara ênfase na China. É que 69,4% dos produtos técnicos dos agrotóxicos aprovados pelo governo Bolsonaro têm seu fabricante primário (ou único) na China que parece estar se tornando a grande produtora de agrotóxicos que já foram banidos ou proibidos em outras partes do mundo.

A proeminência chinesa na produção dos agrotóxicos banidos é tanta que dos 104 que se encontram proibidos de comercialização nos países que formam a União Européia (93, ou seja 89%) se originam de plantas industriais localizadas na China.

Outra faceta interessante é que cinco dos produtos aprovados são compostos por mais de um princípio ativo e servem a mais de uma função como, por exemplo, para eliminar plantas daninhas e insetos.  Apesar dessa ser uma tendência que já vem se firmando na produção de venenos agrícolas, não deixa de ser interessante que produtos que podem ser apenas parcialmente proibidos na União Europeia.  Esse é um detalhe importante porque cedo ou tarde a legislação comunitária vai ser mais estrita em relação a produtos que já tenham sido banidos pela União Europeia.

Por último, é importante notar que no pacote de 353 agrotóxicos aprovados até agora pelo governo Bolsonaro, os produtos voltados para o controle biológico e não químico de pragas representam apenas 4,2% do total. Mas com um detalhe bastante significativo: todos são produzidos no Brasil, refletindo uma contribuição significativa das universidades públicas que são responsáveis pelo desenvolvimento das pesquisas que originam esse tipo de agrotóxico. Assim, ao praticamente acabar com o financiamento de pesquisas científicas nas universidades brasileiras com seus drásticos cortes orçamentários, o governo Bolsonaro dificulta o desenvolvimento de produtos de base nacional, favorecendo principalmente a indústria chinesa de agrotóxicos.

O problema associado à dependência crescente do latifúndio agro-exportador em relação aos agrotóxicos vindos da China pode ser ainda maior, pois há um mercado crescente de agrotóxicos chineses que entram no Brasil ilegalmente via contrabando.

Como já tenho feito desde o início do ano, disponibilizo a base de dados construída para quem está interessado no estudo dos agrotóxicos que estão sendo liberados para comercialização no Brasil. Os interessados em baixar a base de dados, basta clicar [Aqui!].

 

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