Super fiasco do megaleilão do Pré-Sal é fruto do “Risco Bolsonaro”

fiascoSuper fiasco Fiasco do “megaleilão do Pré-Sal” poderá ser o Waterloo do governo Bolsonaro

Nos últimos dias assistimos a uma situação paradoxal na forma com que a mídia corporativa e a maioria do blogosfera tratavam o chamado “megaleilão do Pré-Sal” com o qual o governo Bolsonaro pretendia entregar quatro blocos de exploração na chamada “camada Pré-Sal” a quem desejasse pagar uma fração significativamente menor do valor de fato das reservas.  Assim, enquanto para a mídia corporativa nacional e internacional, o megaleilão era apresentado com a chance de se ter o início de uma era de ouro na exploração do petróleo no Brasil, para a blogosfera o caso era comparado a um mega roubo das riquezas nacionais.

Terminado o “megaleilão”, o que se viu é que de mega a coisa não teve nada (ou como alguns já disseram “um leilão não tão mega“, pois as petroleiras estrangeiras não se apresentaram como era esperado para arrebatar as reservas que estão sendo vendidas a preços consideravelmente generosos pelo governo Bolsonaro.  Coube à Petrobras salvar o governo Bolsonaro do fiasco completo ao comprar dois dos quatro blocos anunciados a um valor de R$ 70 bilhões, cerca de R$ 36 bilhões a menos do que era esperado.

As razões para este fracasso retumbante podem ser várias, mas o descrédito que foi criado em torno da imagem internacional do Brasil pelo comportamento, digamos, excêntrico do presidente Jair Bolsonaro e seus três filhos pode ser facilmente apontado com uma, senão a principal, delas. É que, como já venho dizendo desde janeiro, a imagem do Brasil está jogada na lama após as múltiplas declarações bizarras da família Bolsonaro, capitaneada que é pelo próprio presidente da república.

O Brasil está vivenciando no dia de hoje o que pode ser classificado de “Risco Bolsonaro” em termos de atração de capital produtivo para o Brasil. E olha que as petroleiras que hoje negaram fogo no “megaleilão do Pré-Sal” nem estão entre as corporações cuja governança é das mais fortes. Assim, se até as petroleiras se mostraram avessas a enfrentar o “Risco Bolsonaro”, imaginemos outras grandes empresas cujas estruturas de governança corporativa possuem escrutínios mais apertados, principalmente por causa da presença diligente de organizações que representam os interesses dos chamados acionistas minoritários.

O mais incrível é que estão sendo as multinacionais petroleiras que estão impondo este choque de realidade ao governo Bolsonaro e não os sindicatos e movimentos sociais ditos de esquerda. É que se dependesse desses últimos, os quatro blocos do Pré-Sal teriam sido facilmente transferidos para as mãos de grandes corporações multinacionais, tamanha foi a passividade que precedeu o “megaleilão”.  Assim, em vez da ação organizada de sindicatos e movimentos sociais, o que se vê é uma derrota causada pela indisposição de grandes corporações de vir ao Brasil e operar no ambiente de completa intranquilidade que o governo de extrema-direita de Jair Bolsonaro acabou criando. Se isso não fosse tudo tão trágico para a maioria pobre dos brasileiros, eu até acharia engraçado.

Finalmente, eu desconfio que ao contrário do que muitos têm dito sobre o impacto do caso Marielle sobre o destino do governo Bolsonaro, penso que o dia de hoje será uma espécie de “wake up call” para os setores das elites brasileiras que têm sustentado Jair Bolsonaro apesar de suas “excentricidades”. Esse fiasco mais do que qualquer outra coisa poderá ser o Waterloo de Bolsonaro. A ver!

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