Paulo Guedes e Rodrigo declaram guerra aos servidores públicos. O que farão os os principais interessados?

maia guedesRodrigo Maia, o Botafogo das listas Lava Jato, e Paulo Guedes declararam guerra aos salários dos servidores públicos com a certeza de que não enfrentarão resistência

O ministro da Fazenda Paulo Guedes é um homem que pode se chamar de sincero.  Ainda durante o Fórum Econômico Mundial realizado na friorenta Davos declarou solenemente que após o exitoso ataque às aposentadorias dos trabalhadores brasileiros, o próximo alvo seriam os salários dos servidores públicos.  A reação a essa declaração de guerra por parte dos sindicatos foi basicamente nenhuma.  Parece até que Paulo Guedes é o ministro da Fazenda de alguma lua de Saturno, e não do governo Bolsonaro.

Ontem, em reunião com especuladores do mercado financeiro, o presidente da Câmara de Deputados, Rodrigo Maia (vulgo Botafogo) disse com todas as letras que dará trâmite acelerado a uma proposta de corte de até 25% dos salários dos servidores públicos brasileiros para, segundo ele, retomar a capacidade de investimento que foi engessada pela chamada PEC do Teto de Gastos.

Uma característica das declarações de Paulo Guedes e Rodrigo Maia é de que mais esse ataque aos trabalhadores brasileiros será realizado sem que seja necessário fazer muita força. Segundo eles dão a entender, esse ataque aos salários dos servidores públicos vai passar facilmente pelo congresso nacional.

Essa certeza provavelmente vem da análise de que as principais centrais sindicais vão continuar fazendo cara de poste, como o fizeram durante a reforma da previdência. E pelas poucas reações que vi de dirigentes sindicais, Guedes e Maia têm toda a razão para estarem confiantes. 

A questão agora é sobre como se portarão os próprios servidores públicos, muitos dos quais já aturam vários anos de salários congelados, como é o caso do Rio de Janeiro, e persistentes ataques contra direitos duramente obtidos ao longo do tempo. 

Irão os servidores seguir as suas direções e aceitarão uma perda gigantesca em salários já corroídos pela inflação de vários anos?  Se aceitarem, as consequências serão graves não apenas para as famílias dos servidores ou para a qualidade dos serviços públicos que eles prestam. 

Uma consequência adicional será a redução ainda maior na capacidade de recuperação da economia brasileira, visto que todo esse enxugamento do mercado interno. É que, ao contrário do que propalam Paulo Guedes e Rodrigo Maia, o objetivo de mais esse ataque aos trabalhadores não tem nada a ver com recuperação da capacidade de investimento do Estado, mas com a possibilidade de atender os principais interesses do rentismo global que tem no Brasil um dos principais pontos de extração de riqueza.

Então a pergunta que se coloca: o que farão os servidores se seus sindicatos continuarem acocorados frente ao governo Bolsonaro?

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