Ação do STF contra a indústria de fake news bolsonarista mostra que o jogo está sendo jogado

fake newsPor determinação do STF, Polícia Federal lançou tarrafas sobre a rede de financiadores e de produtores de fake news que apoiam o presidente Jair Bolsonaro.

O dia de ontem foi de grande celebração por parte das hostes do presidente Jair Bolsonaro que celebraram a “blitzkrieg” em cima do governador Wilson Witzel. O presidente celebrou publicamente às gargalhadas a ação da Polícia Federal que realizou a aplicação de múltiplas mandados de busca contra Wilson Witzel, sua esposa e vários dos implicados em supostas irregularidades no uso de dinheiro público no combate à pandemia da COVID-19.

Menos de 24 horas depois, as mesmas hostes que ontem celebravam a desgraça pública de Wilson Witzel estão em razoável caos por causa de uma operação também realizada pela Polícia Federal (PF), mas agora para apurar os executores, e também os financiadores, da indústria de “fake news (notícias boas e outros quetais) que assolam as redes sociais e a mídia eletrônica brasileira com mensagens de desinformação, ódio e incitação à violência contra os que são vistos como detratores das ideias e valores pregados pelo presidente Jair Bolsonaro.

As tarrafas da PF a serviço do Supremo Tribunal Federal estão alcançando atores públicos que incluem empresários, parlamentares e um exército de produtores de conteúdo. Todos esses nomes foram provavelmente arrolados durante a chamada “CPI das Fake News“, e o material apreendido pelos agentes da PF deverá ser útil para destrinchar as complexas relações entre quem financia e o conteúdo que é gerada por uma imensa rede de distribuidores de fake news.

Muito provavelmente hoje será um daqueles dias em que o presidente Jair Bolsonaro mostrará o lado mais colérico de sua persona pública. É que se há um beneficiário desse caudaloso mundo (ou seria submundo?) das fake news é ele.  Além disso, ao atingir as redes de financiamento, os produtores de conteúdo e aqueles que transformam as fake news em instrumentos de mobilização da militância bolsonarista, o que o ministro Alexandre Moraes fez foi colocar em risco a já baixa capacidade de mobilização popular que o presidente Jair Bolsonaro vem demonstrando nas últimas semanas, enquanto sua popularidade cai  de forma consistente.  É muito provável que sem o apoio da rede de fake news, o tropeço na popularidade de Jair Bolsonaro apareça ainda maior nas próximas pesquisas de opinião.

E não esqueçamos que a rede de fake news foi fundamental para gerar o caos político em que está imerso o claudicante modelo de gestão e combate à expansão da pandemia da COVID-19 no Brasil. Sem o apoio dessa rede é bem provável que toda as fabricações em torno da capacidade miraculosa da cloroquina jamais tivessem ganho tração para alavancar a demissão dos dois ministros da saúde que se opuseram público ao seu uso no Brasil.

O  principal elemento que surge disso é a demonstração que as disputas intra- e inter- grupos de poder ainda estão sendo jogadas. E, pior, com as ações de hoje, a posição já difícil de Jair Bolsonaro ficará ainda mais exposta.  Se fosse um jogo de xadrez eu diria que o peão ficou à descoberto em face de um ataque da dama.  Agora resta ver como o dia se desdobra. Mas com certeza, Jair Bolsonaro não estará nem tão risonho nem tão disposto a fazer piadinhas com ocorreu ontem. A ver!

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