Com Renato Feder, Bolsonaro mantém ministro com zero impacto acadêmico e perfil privatista no MEC

O presidente Jair Bolsonaro informou hoje que o atual secretário estadual de Educação do Paraná, Renato Feder, será o próximo ocupante da chefia do MEC, mantendo um perfil que se repete desde a indicação do professor Ricardo Vélez Rodriguez que é o de ter a pasta ocupada por personagens com baixíssimo ou nenhum impacto acadêmico. No caso de Renato Feder, ao contrário da versão mitômana de Carlos Alberto Decotelli, a visita à Base Lattes mostra que Feder não possui qualquer preocupação com seu perfil acadêmico, pois a currículo que lá está depositado não é atualizado desde Dezembro de 2002 quando ele sequer tinha terminado o seu mestrado em Economia pela Universidade de São Paulo (ver imagem abaixo).

renato feder

Mas o perfil acadêmico de impacto inexistente não é o problema real de Renato Feder.  O pior mesmo são suas ideias privatistas e contra a educação pública (ver abaixo sequência de imagens com o que pode ser considerado o pensamento Feder em estado puro).

Ainda que agora Feder esteja dizendo que abandonou parte das suas ideias, que foram apresentadas no livro “Carregando o Elefante – como transformar o Brasil no país mais rico do mundo” publicado em parceria com Alexandre Ostrowiecki em 2007 (ver foto dos dois em uma performance na empresa Multilaser na qual os dois são sócios) (ver imagens abaixo).

 Mas como já dizia o profeta Jeremias “o leopardo não pode mudar a variedade das suas manchas”. E isto ficou verificado na atuação de Feder como secretário estadual de Educação do Paraná. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores da Educação Pública do Paraná (o APP Sindicato), Renato Feder marcou sua gestão por um enfoque no “controle das ações das equipes escolares, por meio do desenvolvimento da tecnologia, criação das funções dos tutores (professores lotados nos núcleos regionais de educação que desenvolvem a função de verdadeiros capatazes dos seus iguais), das avaliações externas e da retirada de autonomia das unidades escolares“.

Um dos “feitos” de Renato Feder enquanto secretário estadual de Educação do Paraná foi contratar, com dispensa de licitação, de uma rede afiliada da TV Record  para transmitir vídeo-aulas para alunos da rede estadual durante a pandemia de Covid-19.  Um detalhe curioso marcou essa contratação com dispensa de licitação: a empresa contratada não possuía sinal de transmissão em quase a metade do estado, o que deixou, segundo o site “The Intercept“, “mais de 2 milhões de pessoas vivem nas cidades que ficaram no escuro educacional – o que é quase um quinto da população do Paraná”.

Por essas nuances todas, eu me atrevo a fazer um trocadilho medonho que é dizer que com Renato Feder no MEC, as coisas têm tudo para feder.  Assim, para quem esperava algum tipo de refresco nos enfrentamentos em defesa da educação pública, sugiro esquecer e arregaçar as mangas para impedir retrocessos ainda mais graves. A ver!

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