Grupos da sociedade civil convocam bancos públicos de desenvolvimento a apoiar as pessoas e o planeta

Ações no Brasil e em países da África, Ásia e Europa, durante a cúpula Finanças em Comum, chamam atenção para o papel dos bancos de desenvolvimento em uma recuperação justa

COMBUSTIVEIS

Esta semana, 450 bancos públicos de desenvolvimento e instituições financeiras de todo o mundo, que controlam aproximadamente US$ 2 trilhões em dinheiro público, estão reunidos pela primeira vez para discutir ações para garantir uma recuperação justa frente à COVID-19 e uma transição para sistemas econômicos mais sustentáveis. A cúpula Finanças em Comum (Finance in Common Summit – FiC) visa obter compromissos dos bancos participantes de que, de fato, adotarão políticas coerentes com metas de clima, desenvolvimento sustentável e biodiversidade.

Para chamar a atenção para a necessidade de os bancos de desenvolvimento liderarem essa transição, grupos da sociedade civil estão realizando ações virtuais e presenciais em vários países, tomando todas as precauções necessárias em tempos de pandemia. A mensagem dos manifestantes para as instituições financeiras públicas é bem clara: está na hora de direcionar o dinheiro dos contribuintes para uma recuperação verdadeiramente saudável, equitativa, sustentável e justa.

Ações principais

Brasil

Em 12 de novembro, quinta-feira, às 10h, a 350.org e seus parceiros realizarão uma ação criativa para exigir que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) pare de financiar combustíveis fósseis e redirecione o dinheiro dos brasileiros para projetos de expansão de energias renováveis ​​e socialmente justas. Para saber mais, por favor entre em contato com nossa equipe.

Nigéria

Em 9 de novembro, segunda-feira, grupos da sociedade civil em Abuja, capital da Nigéria, entregaram uma carta conjunta da sociedade civil ao Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), pedindo à instituição financeira que deixe de investir em combustíveis fósseis e aumente o financiamento para as energias renováveis ​​em toda a África.

Filipinas

Em 10 de novembro, terça-feira, a 350.org e seus parceiros doarão um gerador portátil de energia solar para uma comunidade impactada pelo supertufão Goni, que passou pelas Filipinas no começo do mês e provocou mortes, destruição e cortes de energia em diversos locais.

Os ativistas também farão um protesto criativo em Manila, capital das Filipinas, usando hologramas e faixas de luz para pedir aos bancos de desenvolvimento asiáticos que direcionem o dinheiro público sob sua gestão para medidas de recuperação justa pós-COVID-19. Entre essas medidas estão iniciativas para mitigar a crise climática e construir resiliência frente aos extremos climáticos, de modo a reduzir o risco das comunidades mais vulneráveis.

França

Em 12 de novembro, quinta-feira, às 9h30 do horário local, a 350.org e seus parceiros abrirão quatro faixas gigantes (20 metros de comprimento) em diferentes pontes de Paris, ao lado das principais instituições financeiras públicas francesas.

Os banners contêm as mensagens:

  • “Salvem bilhões de vidas: financiem pessoas, e não criminosos climáticos”
  • “Destruindo nossos pulmões, nossas terras, inundando nossas comunidades / Exxon, BP, Gazprom, Shell, Total & Eni: faça-os pagar”
  • “Os direitos humanos também são obrigações – cumpram o seu dever”
  • “Dívida ambiental dos países ricos: a única dívida legítima”

Aspas

Ilan Zugman, diretor da 350.org na América Latina

“O BNDES destinou mais de R$ 90 bilhões a projetos do setor de combustíveis fósseis desde 2009. São recursos que agravaram a crise climática e tornaram ainda mais rico um setor que concentra riqueza nas mãos de poucas empresas e que frequentemente desrespeita os direitos das comunidades mais vulneráveis. Esse dinheiro é do contribuinte brasileiro e poderia ter estimulado a geração de empregos em áreas muito mais benéficas, como as de energias renováveis e mobilidade urbana”.

“Na América Latina, exigir uma ação climática mais efetiva dos bancos de desenvolvimento é importante não só para o Brasil, mas para todos os países da região. O Banco Interamericano de Desenvolvimento anunciou, há menos de um mês, que planeja aumentar seu capital disponível para empréstimos de US$ 12 bilhões para US$ 20 bilhões, para atender às necessidades de recursos da América Latina e do Caribe no pós-pandemia, mas não especificou se terá políticas para garantir que esses recursos estimularão atividades sustentáveis. ​​Precisamos dizer ao BID e aos outros bancos da região que nós, cidadãos, exigimos que nossos recursos sejam direcionados a atividades que, além de gerar empregos, ajudem nossos países a construir resiliência climática”.

Clémence Dubois, líder da equipe da 350.org na França

“A crise climática exige que o planeta fique abaixo do limite de 1,5ºC do aquecimento global, e a única maneira de fazer isso é nos afastando rapidamente da produção e do uso de combustíveis fósseis. Precisamos que as instituições financeiras públicas sejam as primeiras a impulsionar essa transição”.

Alex Lenferna, coordenador de campanhas da 350.org na África

“Quando as principais instituições financeiras emprestam dinheiro aos governos para desenvolverem projetos de combustíveis fósseis, elas estão destruindo o clima, enfraquecendo os processos democráticos e as leis, aprofundando a pobreza e a desigualdade e violando os direitos humanos”

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s