As duas faces da Anvisa: um lado proíbe vacina, o outro aumenta LMR de agrotóxicos em alimentos

drama

A mesma Anvisa que suspende testes de vacina contra a COVID-19 é que a aumenta a quantidade de resíduos de agrotóxicos nas frutas que chegam às mesas das famílias brasileiras

Apesar de estar Envolvida em uma grossa polêmica por causa da suspensão dos testes com a vacina Coronavac produzida pela empresa chinesa Sinovac, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) continua sendo bastante ágil em uma área também bastante sensível que envolve não apenas a liberação de agrotóxicos, mas também a fixação da liberação de limites máximos de resíduos para substâncias altamente perigosas que, em muitos casos, já foram banidas nos países em que foram desenvolvidas e produzidas.

Um exemplo dessa agilidade da Anvisa foi a publicação da Resolução No. 4441 de 29 de outubro de 2020 na edição da última 3a. feira (03 de novembro) em que são elevados os limites máximos de resíduos (LMRs) para o fungicida Azoxistrobina (que é classificado como sendo o “medianamente tóxico” para humanos (Classe III) e “muito perigoso ao meio ambiente” (Classe II)).  (ver imagem abaixo).

azoxistrobina lmr

Nessa mesma resolução, a Anvisa elevou os LMRs do Azoxistrobina para diversas frutas incluindo abacaxi, mamão, citros e banana. No caso da manga, por exemplo, o aumento do limite máximo de resíduos foi de 15 vezes, enquanto que para o mamão o valor foi de 20 vezes.

O problema é que em um relatório recém lançado pela própria Anvisa, todas essas frutas já aparecem com as mais contaminadas por resíduos de agrotóxicos, incluindo, obviamente, a presença de Azoxistrobina em todas elas (ver figura abaixo). 

agro 1

Então a questão aqui parece ser simples: confrontada com a evidência de que a Azoxistrobina (que apenas no governo Bolsonaro teve liberados 30 agrotóxicos que continham essa substância!) estava presente em valores acima do LMR estabelecido pela legislação brasileira, o que fez a Anvisa? Simples, aumentou o valor legalmente aceitável para o Azoxistrobina nas frutas que chegam não apenas às mesas dos brasileiros, mas de todos os países que importam esses produtos do Brasil.

E aí é que mora um aspecto interessante, pois estudo feito pela geógrafa e docente do Departamento de Geografia da USP, Larissa Miers Bombardi, o Brasil já possui limites máximos de resíduos em alimentos bem acima do que é tolerado, por exemplo, pela União Europeia. Com esse afrouxamento ainda maior dos limites para a presença de resíduos desses venenos agrícolas nos alimentos que são produzidos no Brasil, não será surpresa se o período pós-pandemia da COVID-19 for marcado por um banimento de um grande número de frutas produzidas por aqui.

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