Especialistas militares alertam que Brasil enfrentará grandes ameaças à segurança com o aumento dos impactos climáticos

A perda contínua da floresta amazônica e os impactos climáticos podem levar à crescente escassez de água e energia hidrelétrica, dizem especialistas militares

tropasSoldados do Exército Brasileiro são vistos antes de patrulharem a fronteira com a Guiana Francesa, durante uma operação denominada “Agata” em Oiapoque, no estado do Amapá, Brasil, em 31 de outubro de 2020. REUTERS / Adriano Machado

Por Fabio Teixeira | @ffctt | Fundação Thomson Reuters

RIO DE JANEIRO, 30 de novembro (Fundação Thomson Reuters) – A mudança climática aumentará o fardo das Forças Armadas do Brasil e colocará em risco a segurança energética e hídrica do país, previram especialistas militares na segunda-feira.

Um grupo de líderes militares disse que o desmatamento na região amazônica pode alterar os padrões de chuvas no Brasil, atingindo  usinas hidrelétricas – a principal fonte de energia do país – e abastecimento de água para grandes centros urbanos.

As Forças Armadas do Brasil também podem ser esticadas para responder a um aumento nas crises humanitárias causadas pelas mudanças climáticas no país, disseram as autoridades em  um relatório do Conselho Militar Internacional sobre Clima e Segurança (IMCCS).

climate security

“Os líderes brasileiros deveriam fazer da mudança climática e do contra-desmatamento uma prioridade de segurança”, disse Oliver-Leighton Barrett, o representante do conselho para as Américas, durante uma apresentação online do relatório.

O Brasil é altamente dependente de energia hidrelétrica, com cerca de 63% da eletricidade do país proveniente de fontes relacionadas com a água, de acordo com dados do governo de 2019.

Também já está lutando para lidar com o agravamento da seca, que ajudou a impulsionar os incêndios que arrasaram 30% de seu vasto pantanal ocidental  este ano.

Entre 2014 e 2016, o estado mais populoso do Brasil, São Paulo, enfrentou  uma escassez de água sem precedentes que levou a protestos de rua.

“Se tivesse durado muito mais tempo, teria sido uma grande crise humanitária”, disse Barrett sobre a seca em São Paulo.

Segurança em primeiro lugar

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, é um crítico ferrenho dos esforços para conter a mudança climática e também disse que quer desenvolver a região amazônica para tirá-la da pobreza.

O presidente, um ex-capitão do Exército, tem contado com os militares brasileiros para aliviar as crises humanitárias no país e monitorar a Amazônia, onde o desmatamento aumentou novamente após anos de avanços na redução de perdas.

O relatório disse que na América Latina como um todo, forças militares são regularmente convocadas para ajudar em crises humanitárias e “isso continuará à medida que as mudanças climáticas geram mais desastres”.

A floresta amazônica – a maior floresta tropical do mundo – é um grande absorvedor de dióxido de carbono que aquece o planeta.

Sua perda contínua ameaça acelerar desastres relacionados ao clima – desde o agravamento de secas, inundações e tempestades a temperaturas elevadas e aumento do nível do mar – globalmente.

Para preservar a floresta e proteger o abastecimento de água do Brasil, o país precisa desenvolver a Amazônia, mas de forma sustentável, disse Raul Jungmann, ministro da Defesa do Brasil de 2016 a 2018.

As Forças Armadas do Brasil são conservacionistas, disse ele – mas consideram a proteção da segurança nacional, inclusive de interferências estrangeiras, uma prioridade.

“As Forças Armadas têm as ações ambientais como subsidiárias. Esse não é o foco principal”, disse Jungmann. “As forças armadas estão preocupadas principalmente com a soberania nacional.”

Ele disse acreditar que o vice-presidente do Brasil, Hamilton Mourão, que lidera o governo do Conselho da Amazônia, se dedica a conter o desmatamento, mas não tem apoio do governo.

 (Reportagem de Fabio Teixeira @ffctt; Edição de Laurie Goering. Dê os créditos à Thomson Reuters Foundation, o braço de caridade da Thomson Reuters, que cobre a vida de pessoas em todo o mundo que lutam para viver de forma livre ou justa. Visite http: // news .trust.org)

fecho

Este artigo foi escrito originalmente em inglês e publicado pela Thomson Reuters Foundation [Aqui!].

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