Trabalhadores britânicos se juntam a ambientalistas para cobrar transição ecológica na aviação

Relatório divulgado hoje (8/02) critica socorro financeiro ao setor sem contrapartidas sociais e ambientais

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O Sindicato dos Serviços Públicos e Comerciais do Reino Unido (PCS), um dos maiores e mais atuantes do país, publicou nesta segunda-feira (08/02) um relatório que alerta para a vulnerabilidade dos postos de trabalho dos setores de aviação e turismo diante da crise climática. Segundo o documento, já está claro que a descarbonização desses segmentos é inevitável, mas as mudanças podem afetar severamente os interesses dos trabalhadores se não houver um projeto justo de transição.

O estudo, intitulado “Uma transição rápida e justa na aviação:  Mudança para uma mobilidade climaticamente justa” foi realizado pelo PCS em parceria com a rede global Stay Grounded, formada por 170 organizações globais pelo clima.

O ponto de partida da pesquisa é a crise provocada pela Covid-19, que imobilizou o tráfego aéreo. Segundo o documento, até agosto de 2020 governos ou entidades apoiadas por governos de 57 países destinaram cerca de 137 bilhões de euros para socorrer linhas aéreas durante a pandemia, sem contrapartidas ambientais e sociais. Apesar do socorro às empresas, ao menos 400 mil pessoas no setor de aviação foram demitidas nesses países, além de um número ainda maior de trabalhadores que tiveram redução de salários ou novos contratos em condições menos vantajosas.

A aviação é a modalidade de transporte de passageiros que mais contribuiu para o aquecimento global e também a que manteve, antes da pandemia, o ritmo de crescimento mais acelerado de emissão de gases de efeito estufa, diz o documento. As viagens de negócios normalmente representam entre 60% e 70% da receita das companhias aéreas, apesar de responderem apenas por 12% do número de passageiros. Os lucros oriundos das viagens de negócios permitiram que as companhias aéreas subsidiassem massivamente seus assentos econômicos, gerando um boom nos voos baratos de lazer desde o início do século XXI. Com as empresas forçadas a se adaptar às reuniões online e ansiosas para cortar custos desnecessários, analistas agora sugerem que todo este modelo de negócio está acabado.

O relatório divulgado hoje reconhece que a aviação que havia antes da pandemia se tornou inviável por questões econômicas e pela imposição de metas climáticas mais ambiciosas nas principais economias do mundo. Os autores defendem uma reformulação completa do setor aliada a outras transformações econômicas e de estilo de vida da população. E muitos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) já planejam a reconstrução do turismo em bases mais sustentáveis.

A aviação é um segmento de difícil descarbonização, diz o documento, e as soluções de tecnologias verdes, como a eletrificação de aeronaves, ainda estão muito distantes de estarem disponíveis. “É por isso que a redução das emissões da aviação exige uma diminuição significativa dos voos dos níveis pré-COVID-19”, defende o texto. “Uma possível tecnologia futura não deve ser uma desculpa para não agir agora.”

No ano passado, a Stay Grounded promoveu a campanha “Salve pessoas, não aeronaves” (#SavePeopleNotPlanes) que foi endossada por 350 organizações da sociedade civil e teve o apoio individual de 100 mil pessoas. A campanha destacou análises econômicas que apontaram o resgate do setor aéreo sem contrapartidas sociais e ambientais como a modalidade de socorro financeiro com menor retorno econômico entre os países do G20.

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