Guilherme Boulos, um cavalo de Tróia do Lulismo dentro do PSOL

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Guilherme Boulos nunca escondeu sua admiração pela pessoa e pelos métodos de ação do ex-presidente Lula

Acabo de ler a informação de que a corrente de Guilherme Boulos acaba de vencer as eleições internas do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) com o claro aceno de abrir de candidatura própria para as eleições presidenciais que deverão acontecer em 2022. 

Apesar de Boulos não ser sozinho responsável por essa decisão, que eu considero equivocada sob vários aspectos, ele é a face mais expressiva dessa conjunção adesista da maioria da direção nacional do PSOL ao que parece estar se conformando enquanto uma frente popular pela direita que deverá ser encabeçada pelo ex-presidente Lula em nome de um suposto combate ao extremismo de direita que deverá coalescer em torno do nome do presidente Jair Bolsonaro.

A questão mais óbvia é que ninguém que conhece minimamente a trajetória de Guilherme Boulos pode se declarar surpreso com sua defesa de adesão ao PT, visto que sua recente adesão ao PSOL (filiou-se apenas em maio de 2018, quase 14 anos após a fundação do partido). É que Boulos, em que pesem diferenças pontuais com o PT, é um “lulista”, seja no tom de voz ou no conteúdo das suas formas de ação.

O problema é que ao envolver o PSOL nas tratativas do ex-presidente Lula até com aqueles que planejaram e executaram o golpe de estado de 2016, Boulos mostra-se mais claramente pelo que é, um cavalo de Troia do Lulismo dentro do PSOL.

Afora esse desvelamento que surpreende a poucos, Guilherme Boulos e aqueles que gravitam em torno dele estão colocando um partido que nasceu para combater o que seus fundadores viam como a degeneração política do PT de volta nos braços de um dos líderes desse processo, o ex-presidente Lula.

Como não sou filiado do PSOL, penso que caberá aos setores do partido que se opõe a esse processo de adesão a Lula trabalharem para impedir que isso tenha êxito. É que se essa aliança se confirmar, o PSOL que tem evoluído lentamente para ser um partido com capacidade de mobilização de massas vai acabar preso no campo gravitacional do PT e dos partidos de direita com os quais o ex-presidente Lula pretende formar seu governo de “salvação nacional”.  E essa prisão gravitacional significará, seja em curto ou médio prazo, o desaparecimento do PSOL. É que tem se há algo que a direção do PT não tolerará jamais, é outro partido que possa cumprir um papel verdadeiramente de esquerda e que coloca em xeque a hegemonia lulista em questão.

Finalmente, há que se frisar que a atual conjuntura histórica de crise sistêmica do Capitalismo requer a construção de um partido que possa dialogar amplamente com a classe trabalhadora e apontar saídas para a crise que vivemos, seja no plano nacional ou no global. Desta forma, longe de desejar que o PSOL seja um projeto vencido, a minha expectativa que o campo que hoje se opõe à adesão ao Lulismo possa estabelecer barricadas e defender a existência de um partido que até agora só ensaiou ser o instrumento que os trabalhadores brasileiros necessitam, mas que já demonstrou ter potencial para ser isso.

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