Observatório dos Agrotóxicos: com mais 53 liberações, governo Lula alcança 179 agrotóxicos em menos de 6 meses

agro tóxico

Como já observei aqui, no seu discurso da vitória, o presidente Lula se comprometeu a trabalhar para a adoção de um novo modelo agrícola que tivesse mais compromissos com a segurança alimentar e com a proteção no meio ambiente. Passados quase 6 meses de governo, o fato é que a promessa de uma agricultura de bases ecológicas está firmemente abandonada em alguma gaveta do ministério da Agricultura comandada pelo ruralista e apoiador do “Pacote do Veneno”, Carlos Fávaro.

Uma prova disso foi a publicação no Diário Oficial da União desta segunda-feira (19/6) do Ato Nº 26 de 15 de junho de 2023 que traz a liberação de mais 53 agrotóxicos, o que totaliza um total de 179 agrotóxicos liberados desde o início do terceiro mandato do presidente Lula. 

Ao examinar a lista destes 53 agrotóxicos, encontrei as mesmas tendências mostradas nas muitas liberações feitas pelo governo de Jair Bolsonaro, a começar pela hegemonia de empresas chinesas e europeias no oferecimento de venenos agrícolas, muitos deles banidos na União Europeia.

Uma outra tendência que se mantém é que a maioria dos agrotóxicos liberados está destinada às monoculturas de exportação, especialmente a soja e o milho. Há que se lembrar que as monoculturas de exportação como soja, milho e cana de açúcar concentram algo em torno de 70% do consumo total de agrotóxicos no Brasil.

Os custos econômicos e sociais do uso intensivo de agrotóxicos são astrônomicos, na medida em que os fabricantes de venenos agrícolas possuem grandes benefícios fiscais e tributários, com o ônus associados à contaminação generalizada da água, solos e alimentos recaindo diretamente sobre a população brasileira, como já tem sido demonstrado por inúmeros estudos científicos.

Como em outras áreas em que as promessas eleitorais foram esquecidas (a questão do cancelamento do Novo Ensino Médio, por exemplo), não haverá mudança no rumo da marcha do veneno sem cobrança direta ao presidente Lula pelo descumprimento do que foi alardeado por ele para convencer milhões de brasileiros a elegê-lo mais uma vez como presidente da república. 

A questão dos agrotóxicos é grave demais para ser deixada de lado, pois a cada novo produto aprovado aumentam-se os riscos de contaminação e adoecimento dos brasileiros.

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