Artigo na Science revê promessas revolucionárias em torno dos OGMs e aponta consequências negativas

OGMs

Impactos ambientais de culturas geneticamente modificadas: Adotar culturas com essas características afeta perdas de colheitas, uso de agrotóxicos e outras ações de manejo, incluindo níveis de cultivo e diversidade de culturas. Essas mudanças, por sua vez, afetam a expansão agrícola, o desmatamento, a poluição, a saúde humana, as emissões de gases de efeito estufa e a biodiversidade 

Uma equipe liderada pelo professor Frederick Noak do departamento de  Food and Resource Economics, da University of British Columbia acaba de publicar um interessante artigo de revisão sobre as expectativas em torno da adoção de sementes geneticamente modificadas (OGMs) e das consequências que já detectadas. Dentre as consequências que foram inicialmente desconsideradas, a equipe liderada pelo professor Noak aponta para a expansão de áreas agrícolas com a consequente elevação na derrubada de florestas, a repercussão cheia de nuances em torno do uso de agrotóxicos, e a ampliação das emissões de gases estufa que ocorre em função do aumento de uso de equipamentos agrícolas.

O estudo aponta ainda que apesar de ter tido um início acelerado, a adoção de sementes OGMs tem ficado reduzida a um número pequeno de países, pois a maioria dos governos nacionais acabou impondo legislações bastante restritivas para a adoção deste tipo de semente geneticamente manipulado por causa dos riscos ambientais que ainda não foram claramente respondidos pelos fabricantes dessas semente.

O mapa abaixo mostra bem como o plantio de sementes geneticamente modificadas ainda se encontra concentrado em um pequeno número de países. Interessante é o caso do Brasil onde a adoção de sementes geneticamente modificadas tem sido acompanhada pelo aumento exponencial no uso de agrotóxicos altamente tóxicos e pelo avanço da franja de desmatamento para áreas mais interiores da Amazônia, principalmente em função da ampliação dos plantios de soja.

paises com ogms

O estudo mostra ainda que há uma grande concentração das empresas que controlam a produção e comercialização deste tipo de sementes OGMs. Segundo o artigo, Em 2020, apenas quatro empresas controlavam mais da metade do mercado mundial de sementes, sendo que elas detinham direitos de propriedade intelectual sobre 95% das variedades de algodão e milho e 84% das variedades de soja geneticamente modificadas.  Esse dado é particularmente importante, na medida em que essas empresas cobram royalties por cada semente que é usada em paíoses como Brasil e Argentina. 

Uma coisa é certa: quanto mais sementes OGMs são utilizadas, mais agrotóxicos e mais desmatamento tendem a acontecer.  E lamentavelmente esta é a situação do Brasil neste momento.

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