A denúncia da PGR contra Jair Bolsonaro e seus acólitos: um pouco tarde demais e sem garantias de efetividade

A Procuradoria Geral da República (PGR) denunciou ontem o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais 33 pessoas (várias delas militares de alta patente) pelo nada simplório fato de arquitetarem um golpe de estado ao longo de 2022 que inclua planos de assassinar o presidente Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro do Superior Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.

Que essa tentativa de golpe de estado ocorreu todo mundo (inclusive os apoiadores mais ardorosos de Jair Bolsonaro) já sabia. O que impressiona é se saber toda a arquitetura desse tentativa frustrada de golpe, e o papel que cada um dos envolvidos cumpriu.

Mas o que realmente salta aos olhos é o fato de que se demorou tanto tempo para simplesmente entregar uma denúncia contra esse grupo de personagens que claramente tramaram abertamente um golpe de estado sangrento.  Por comparação, a Coréia do Sul que viveu algo muito mais ameno recentemente tomou providências mais rápidas e mais duras contra quem planejou interferir no funcionamento democrático das instituições estatais coreanas.

E, pior, essa denúncia não é garantia de coisa nenhuma em termos da devida punição aos responsáveis, incluindo o arquiteto mór dessa pataquada, Jair Bolsonaro.  E reconheçamos, a democracia brasileira (se é que podemos chamar de democracia o sistema de governo que temos no Brasil) continua balançando por um fio.

Finalmente, nunca é demais lembrar que se o Exército Brasileiro tivesse punido Bolsonaro exemplarmente quando ele foi pego preparando a explosão de bombas em quartéis, o Brasil não precisaria ter passado pela experiência degradante de vê-lo agindo contra as instituições democráticas nacionais enquanto sentava na cadeira de presidente da república.

3 comentários sobre “A denúncia da PGR contra Jair Bolsonaro e seus acólitos: um pouco tarde demais e sem garantias de efetividade

  1. Olá, é uma realista e bela reflexão. Uma coisa ficou confusa para mim:

    “se o Exército Brasileiro tivesse punido Bolsonaro exemplarmente quando ele foi pego preparando a explosão de bombas em quartéis

    Ele, em quartel, planejava explodir a rede de gás que abastecia população e empresas, não era isso? Seria um ataque grandioso e monstruoso, sem precedentes.

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