Moradores de Brumadinho pedem socorro à Assembleia Legislativa de Minas. A mina da Jangada faz parte do complexo minerário de Córrego do Feijão, epicentro do rompimento da barragem da Vale, que causou 272 mortes e devastou a bacia do Rio Paraopeba
A comunidade denuncia que a retomada das operações da mina pode acarretar sérios danos para a população do entorno, afetando o abastecimento de água da região. A audiência, convocada pela deputada estadual Bella Gonçalves (PT), pretende debater os riscos e as irregularidades relacionados à expansão das operações no Complexo Jangada-Córrego do Feijão, da Vale/Itaminas, em Brumadinho, que seguem adiante apesar da tragédia-crime em 2019.
A mesa será composta por representantes do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), Ministério Público Federal (MPF), Agência Nacional de Mineração (ANM), Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (Semad), Prefeituras de Brumadinho e Sarzedo, Vale S.A. e Itaminas Comércio de Minérios S.A., Associação Comunitária da Jangada e Instituto Cordilheira
Contexto
O mapa acima mostra a proximidade da cava de exploração (Jangada) com a comunidade homônima e, também, com a barragem que causou a morte de 272 pessoas em 2019. Fonte: Mongabay
Desde agosto de 2025, a Itaminas passou a explorar a cava da Jangada, arrendada da Vale e localizada ao lado da cava do Córrego do Feijão, no Complexo Paraopeba, em Brumadinho. A principal preocupação da comunidade é o risco de rebaixamento do lençol freático e contaminação das nascentes que abastecem as casas. Moradores e lideranças locais afirmam que, apesar da tragédia de 2019, o modelo de exploração mineral e a relação entre as mineradoras e o poder público permanecem os mesmos, sem garantias suficientes de segurança hídrica e ambiental.
A comunidade cobra estudos hidrogeológicos independentes, maior transparência sobre a qualidade da água e respostas sobre o licenciamento ambiental. O caso também ganhou novos contornos após investigações da Polícia Federal sobre suspeitas de corrupção em licenciamentos ambientais em Minas Gerais e questionamentos sobre possível conflito de interesses envolvendo o atual presidente da Feam, que já prestou serviços à Itaminas.
A Repórter Brasil mostra os riscos envolvidos com a retomada da mineração na região. Na reportagem, é citado como a Itaminas, fundada em 1959, mantém operações e planta industrial em Sarzedo, que fica ao lado de Brumadinho. Em 1986, uma barragem de mineração em Itabirito operada pela Itaminas se rompeu e gerou sete mortes. No ano passado, a companhia mudou de dono. Foi vendida por Bernardo Paz, fundador do museu Inhotim, para três sócios: Rodrigo Gontijo (da AVG Mineração), Argeu Geo e Daniel Vorcaro, preso após fraude milionária com o Banco Master. Este último deixou a sociedade recentemente. (Leia na íntegra (Aqui!) )
Assista ao curta documentário produzido pelo Instituto Cordilheira e entenda mais sobre o caso.
Reportagens sobre o caso:
Serviço
Data: 26 de maio, terça-feira Horário: 16h
Local: Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) – Rua Rua Rodrigues Caldas, 79 Santo Agostinho, Belo Horizonte
