A postagem sobre o “massacre da serra elétrica” no Flamboyant mostrou como a retirada ou a mutilação de árvores urbanas converte bairros em espaços mais expostos ao sol e ao calor. As imagens feitas nesta quarta-feira, 30 de setembro, no Jardim São Benedito, indicam que aquele episódio pode não ser um caso isolado: a sequência de cortes registrada no entorno da Praça Nilo Peçanha dá a impressão de um massacre da serra elétrica continuado.
As fotografias mostram ramos estruturais cortados, copas visivelmente reduzidas em algumas árvores e grande quantidade de galhos removidos acumulados junto à calçada. Em certos registros, a intensidade dos cortes permite falar, ao menos em termos visuais, em poda severa ou drástica. A avaliação definitiva da técnica e dos danos exige inspeção presencial por profissional habilitado, mas as imagens já levantam uma questão incontornável: que planejamento orienta a intervenção e como se pretende preservar a cobertura arbórea de um espaço público central?
Há ainda a questão do tratamento dos cortes. As imagens não permitem verificar se foi aplicada calda bordalesa ou outro produto; portanto, não cabe afirmar que houve omissão. Cabe, isso sim, cobrar que a Prefeitura informe quais procedimentos foram adotados, qual foi o critério para cada corte e se houve acompanhamento técnico. A poda urbana não deveria ser uma operação opaca, executada sem explicação pública sobre seus objetivos e efeitos.
O Jardim São Benedito é uma área de convivência e um refúgio de sombra em meio ao tecido urbano. Reduzir copas de forma intensa significa diminuir serviços ambientais que levam anos para se recompor: sombra, conforto térmico, abrigo para a fauna e qualidade da paisagem. Essa intervenção também prejudica a adaptação climática da cidade, justamente quando Campos dos Goytacazes precisa ampliar e preservar sua arborização para enfrentar o calor crescente. E há um agravante simbólico: depredar o estoque arbóreo de uma das poucas áreas verdes da cidade transmite à população o péssimo exemplo de que árvores públicas são descartáveis. Quando episódios como o do Flamboyant se repetem no Jardim São Benedito, a pergunta deixa de ser apenas se uma poda foi bem executada. Passa a ser se existe uma política de manejo que proteja as árvores ou se a motosserra virou, na prática, o principal instrumento de gestão da arborização urbana.
