Justiça por Brumadinho: ex-jogador Raí abraça a causa dos familiares de vítimas e atingidos da tragédia-crime

Embaixador e conselheiro do Paris Saint-Germain, o ex-jogador Raí ganhou da Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem Mina Córrego do Feijão (AVABRUM) camisetas com a frase “Justiça por Brumadinho” e com os escudos dos sete times de futebol amador onde atuavam vítimas da tragédia-crime, considerada o maior acidente de trabalho da história brasileira. Ele também recebeu da AVABRUIM camisas com nomes de vítimas

bruma 1Raí com a presidente da AVABRUM, Alexandra Andrade, e com Maria Regina da Silva, integrante do Conselho Fiscal da entidade

Em solidariedade às vítimas da tragédia-crime de Brumadinho, o ex-jogador Raí, embaixador e conselheiro do Paris Saint-Germain, encontrou-se em Paris com a presidente da Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem Mina Córrego do Feijão (AVABRUM), Alexandra Andrade, e Maria Regina da Silva, integrante do Conselho Fiscal da diretoria da entidade. O encontro aconteceu no último sábado (17/09).

As representantes da associação presentearam o ex-jogador com duas camisetas em que aparecem estampados a frase “Justiça por Brumadinho” e os escudos de sete times de futebol amador onde atuavam vítimas da tragédia-crime, considerada o maior acidente de trabalho da história brasileira. Ele também recebeu, das mãos das representantes da AVABRUM, duas outras camisetas em que estão estampados os nomes destas vítimas, além das palavras “in memorian” e “272 joias”.

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Raí e as representantes da AVABRUM com o painel em que aparecem as fotos das 272 vítimas da tragédia-crime

Na tragédia-crime, ocorrida em 25 de janeiro de 2019, 272 pessoas morreram em consequência do rompimento da barragem de rejeitos de mineração da Vale. A maioria das vítimas trabalhava na mineradora e, do total, 15 deles tinham, na paixão pelo futebol, uma prática em suas vidas, atuando nos sete times representados nas camisetas especialmente produzidas para este encontro com Raí – Canto do Rio Futebol Clube, Brumadinho Futebol Clube, Itaguaense Futebol Clube, Novo Ideal Futebol Clube, Juventos Esporte Clube, Aroucas Futebol Clube e Estrela Marinhense Futebol Clube.

Quase todas as 15 pessoas homenageadas pela AVABRUM atuavam nos times amadores como jogadores. Algumas delas exerciam a função de treinador ou de dirigente de clube. No Canto do Rio Futebol Clube, atuavam como jogadores Adriano Junio Braga, Edgar Carvalho Santos, Eudes José de Souza Cardoso, Everton Lopes Ferreira e Max Elias de Medeiros. Já Marlon Rodrigues era dirigente do clube e Nilson Dilermando Pinto atuava como professor da escolinha da categoria de base; Robert Ruan Oliveira Teodoro jogava nas categorias de base do Brumadinho Futebol Clube; Ramon Junior Pinto (jogador) participava do time Itaguaense Futebol Clube; Jonis André Nunes jogava no Juventos Esporte Clube; Wesley Eduardo de Assis, Gilmar José da Silva e Reinaldo Fernandes Guimarães eram jogadores do Novo Ideal Futebol Clube; Walaci Junhior Candido da Silva jogava no Aroucas Futebol Clube; e Geraldo Medeiros Filho (jogador) atuava no Estrela Marinhense Futebol Clube.

Raí também recebeu uma revista sobre a AVABRUM e o livro “Brumadinho de Braços Abertos”. Segundo Alexandra, parte da renda obtida com a venda do livro é para ser revertida para incentivar o turismo, que, antes da tragédia-crime, era uma atividade econômica com grande potencial. “Brumadinho ainda depende muito do minério e incentivar o turismo é uma forma de encontrar alternativas”, disse a presidente da entidade.

Maria Regina considerou muito importante o encontro com Raí, que, em 2006, criou, juntamente com outros atletas, a organização Atletas pela Cidadania para a defesa das causas sociais. Na conversa com o ex-jogador, Alexandra e Maria Regina pediram apoio dele para o trabalho que vem sendo desenvolvido pela associação e lembraram que ainda faltam ser encontrados corpos de 4 vítimas da tragédia-crime.

A AVABRUM atua para dar visibilidade à luta por encontro, memória e justiça, mobilizando-se para que sejam punidas a Vale, a empresa alemã Tüv Süd, que atestou a segurança da barragem que se rompeu, e outros réus da ação criminal que tramita na Comarca de Brumadinho. Entretanto, há demora no julgamento desta ação penal que foi aberta em fevereiro de 2020 nesta comarca e que tem, entre os reús, as duas empresas, além de 16 pessoas, como o ex-presidente da Vale Fábio Schvartsman.

A Tüv Süd também é alvo de dois processos judiciais na Alemanha sob acusação de fraude do laudo de estabilidade da barragem. As ações buscam a responsabilização da Tüv Süd, cobrando indenizações pelos danos causados pelo rompimento da barragem a familiares de vítimas, atingidos e sobreviventes. Nesta segunda-feira, 19/09, Alexandra e Maria Regina participaram de uma audiência na Justiça alemã referente a um dos processos.

Queimadas em 2022 na Amazônia já superam todo o ano de 2021

Em apenas oito meses, o bioma registrou 75.592 focos de calor, contra 75.090 no ano anterior

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Sobrevoo em Porto Velho, na região da Amacro (Amazonas, Acre e Rondônia), em uma área com cerca de 8.000 hectares de desmatamento – a maior em 2022 – Foto: Nilmar Lage / Greenpeace Brasil

São Paulo, 19 de setembro No último domingo (18), o número de queimadas na Amazônia, desde o início de 2022, superou os focos registrados no ano anterior. Segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), foram registrados 75.592 focos de incêndio em apenas oito meses, enquanto em 2021 houve 75.090 focos de calor. Pará segue sendo o Estado recordista de queimadas, com 24.304 focos de calor registrados, representando 32,2% do total, seguido por Mato Grosso (17.480), Amazonas (15.772), Rondônia (8.232) e Acre (7.875).

Infelizmente essa escalada destrutiva já era prevista, considerando que no início de setembro, o número de queimadas, em apenas quatro dias, foi o maior do ano, com o Inpe registrando, em um único dia, 3.393 focos de incêndio, superando, inclusive, o Dia do Fogo, ocorrido em 11 de agosto de 2019, em que na ocasião agropecuaristas do Pará combinaram a data para colocar fogo em áreas de pasto e recém-desmatadas, chegando a 2.366 focos.

Em uma época conhecida no Brasil como “verão amazônico”, pelo período seco na região, a Amazônia vem registrando desde 2018 recordes de áreas queimadas entre os meses de agosto a outubro. Para o porta-voz de Amazônia do Greenpeace Brasil, André Freitas, o aumento de queimadas na floresta amazônica está claramente associado com desmatamento e grilagem de terras, tudo reflexo de uma política de destruição com o aval do poder Executivo e de parlamentares: “O fogo é uma tragédia anunciada! E após quase quatro anos de uma clara e objetiva política antiambiental por parte do governo federal, vemos que na iminência de encerramento deste mandato – que está sendo um dos períodos mais sombrios para o meio ambiente brasileiro – grileiros e todos aqueles que têm operado na ilegalidade, viram um cenário perfeito para avançar sobre a floresta.”

Desde o dia 23 de junho deste ano, o Decreto Nº 11.100 proíbe o uso do fogo na Amazônia e Pantanal, entretanto, o que se assiste são recordes alarmantes de queimadas pelo Bioma: “Para conter esse aumento avassalador de queimadas em nossas florestas é necessário uma política que promova um real avanço no combate às queimadas e que defenda os povos da floresta”, finaliza André.

Em palpos de aranha, Uerj terá de entregar dados de folhas secretas de “programas especiais” para o TCE

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Ex-reitor da Uerj Ricardo Lodi e o governador acidental Cláudio Castro: uma proximidade que agora se mostra constrangedora para a Uerj

Uma nova reportagem assinada pela dupla Igor Mello e Ruben Berta que foi publicada nesta 3a. feira pelo portal UOL mostra que o imbróglio das folhas secretas que foi inicialmente detectado na Fundação Ceperj está deixando a reitoria da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), como diriam os antigos, em palpos de aranha. 

É que agora, segundo informam os dois jornalistas do UOL, a reitoria da Uerj terá de enviar para análise do Tribunal de Contas do Estado as folhas de pagamento do programa conhecido como”Observatório Social da Operação Segurança Presente” (OSOSP), visto que os técnicos do órgão de fiscalização avaliaram que há risco de danos aos cofres públicos.

Há que se lembrar que foi graças às reportagens de Igor Mello e Ruben Berta que todo esse imbróglio veio a conhecimento público, inicialmente, como já observei, na Fundação Ceperj. O problema é que está parecendo que o problema é ainda mais grave no caso da Uerj, já que existem pelo menos outros 12 programas “especiais” em execução pela universidade que só em 2022 gastaram sem nenhuma transparência quase R$ 600 milhões.

 Mas por mais que a reitoria da Uerj tente negar a condição embaraçosa em que a instituição se encontra por causa das descobertas ligadas aos chamados “programas especiais”, a coisa parece estar tomando um rumo muito esquisito, na medida em que os técnicos do TCE estão solicitando, entre outras coisas: o  envio de planilha com informações sobre todos os contratados no programa, informando a relação dos locais de atuação do pessoal admitido, informações sobre as atividades desenvolvidas, bem como a carga horária trabalhada; justificativas de porque as contratações foram feitas por RPA (Regime de Pagamento Autônomo), explicações sobre o motivo do aumento de orçamento previsto para 2022 –que deve chegar a R$ 141 milhões, A Uerj deverá ainda revelar o total de pessoas contratadas em cada cargo na equipe técnica, com as respectivas remunerações de cada função.

A reportagem mostra ainda que o TCE está exigindo o envio de diversos documentos obrigatórios não divulgados, como os relatórios de atividade de 2021 e do primeiro semestre deste ano relativo ao programa. 

Em outras palavras, o rolo está armado e a Uerj está claramente enrolada. E eu pergunto: e tudo isso para quê e para atender quais interesse e de quem? Com a palavra, a reitoria da universidade.

Observatório dos Agrotóxicos: com publicação de novo ato, governo Bolsonaro chega a 1.848 agrotóxicos liberados

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Jair Bolsonaro e Tereza Cristina impulsionaram a liberação de agrotóxicos, muitos deles banidos em outras partes do mundo por serem extremamente tóxicos e perigosos para o ambiente e os seres humanos

A partir da publicação do Ato No. 43 de 13 de setembro de 2022,  mais 65 agrotóxicos (todos na forma concentrada do chamado produto técnico) foram liberados hoje (20/09)). Desta forma, o governo Bolsonaro acaba de atingir o incrível número de 1.848 venenos agrícolas liberados em 45 meses.

De quebra, o governo Bolsonaro reforça a influência das empresas chinesas no Brasil pela produção da matéria prima para a produção de agrotóxicos banidos em mercados mais regulados como é o caso da União Europeia e até da China.

Como sempre ocorre, nos próximos dias o Observatório dos Agrotóxicos do Blog do Pedlowski irá liberar duas planilhas Excel, uma contendo os 65 agrotóxicos liberados pelo Ato No. 43 de 13 de setembro, e a outra com as informações todos os 1.848 liberados liberados pelo governo Bolsonaro a partir de 01 de janeiro de 2019.

Uma coisa é certa: o céu é o limite quando se trata de disponibilizar venenos agrícolas para saciar a dependência da agricultura de exportação impulsonada pelo latifundiários que hoje controlam boa parte das decisões no interior do governo Bolsonaro e, por extensão, do congresso nacional. Vivemos um caso explícito de envenenamento em massa em nome da manutenção das taxas de lucros de latifundiários e fabricantes de venenos agrícolas.

Diretoria da Aduenf emite nota em defesa da democracia após censura da justiça eleitoral

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No último sábado, dia 17/09/2022, a 76ª Zona Eleitoral de Campos dos Goytacazes instaurou o processo nº 0600061-66.2022.6.19.0076 (Aqui!) a partir do sistema pardal, enquadrando como propaganda eleitoral a frase de outdoor “Derrotar Bolsonaro nas ruas e nas urnas” e, por este motivo, determinando a retirada imediata do outdoor, antes mesmo da prévia notificação para a Associação de Docentes da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Aduenf) (ver momento da retirada de um dos outdoor abaixo).

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Discordamos do enquadramento do conteúdo como propaganda, principalmente por a legislação, ao conceituar a propaganda eleitoral, mencionar expressamente a indicação de legenda partidária, enquanto o outdoor da Aduenf não trazia qualquer conteúdo partidário, nem mesmo campanha para quaisquer candidatos, mas sim um posicionamento crítico ao atual Governo Federal.

Em paralelo, pode-se verificar que, na cidade de Campos, há outros outdoors fixados com mensagens favoráveis ao atual chefe do Poder Executivo Federal, assinados por entidades representantes de setores econômicos, mas os mesmos até o presente momento não receberam o mesmo tratamento pela Justiça Eleitoral e permanecem fixados (ver imagem abaixo).

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As liberdades de expressão e manifestação de pensamento são direitos humanos fundamentais, razão pela qual a Aduenf apresentará petição no processo instaurado, em defesa dos pilares da democracia, assim como também demandará da Justiça Eleitoral o tratamento isonômico sobre os enquadramentos e diligências realizados na atividade de fiscalização.

É compromisso deste sindicato zelar pelas liberdades democráticas, pelos direitos sociais fundamentais para a classe trabalhadora e lutar com os meios possíveis contra quaisquer governos que ataquem esses princípios.

ADUENF em luta!

DIRETORIA Aduenf-Sesduenf
Gestão Transparência, Respeito e Luta pela Base!
Biênio 2021/2023

Impactos indiretos da mineração aumentam a extensão do desmatamento

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O Brasil responde por 10% da perda direta de florestas tropicais relacionada à mineração (327 km2), causada principalmente pela extração de minério de ferro e ouro. Crédito da imagem: Josue Marinho/Panoramio , sob licença Creative Commons (CC BY 3.0)

Por: Washington Castilhos para  o SciDev

O desmatamento causado pela mineração ocorre muito além dos limites da área de concessão, e a extensão total dos impactos ambientais é subestimada e pouco levada em conta, alerta artigo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

De acordo com o estudo, 3.264 km2 de floresta tropical foram perdidos diretamente devido à mineração industrial, e 80% da perda ocorreu em apenas quatro países, dois deles latino-americanos: Indonésia, Brasil, Gana e Suriname.

A Indonésia sozinha foi responsável por 58% do desmatamento tropical causado diretamente pela atividade (1.901 km2), especialmente devido à mineração de carvão.

O Brasil responde por 10% da perda direta de florestas tropicais relacionadas ao setor (327 km2), causada principalmente pela extração de minério de ferro e ouro. Enquanto isso, a mineração de bauxita e ouro impulsionaram o desmatamento em Gana e Suriname, que ocupam o terceiro e quarto lugar, respectivamente, no novo estudo.

“Embora a mineração industrial não seja o principal fator de desmatamento, deveria fazer parte da equação. Nos próximos 20 anos, muito mais minerais serão necessários para tecnologias de energia renovável, como cobre, lítio e níquel. Se nada for feito, a mineração terá um impacto cada vez maior na perda de florestas.”

Anthony Bebbington, Clark University School of Geography (EUA)

Um dos autores do estudo, o geógrafo Anthony Bebbington, professor de meio ambiente e sociedade da Escola de Geografia da Clark University, diz ao SciDev.Net que, embora o impacto do desmatamento da mineração industrial seja pequeno em comparação com a agricultura , é importante avaliar seus efeitos para aumentar a atenção ao setor.

“Embora a mineração industrial não seja o principal fator de desmatamento, deveria fazer parte da equação. Nos próximos 20 anos, muito mais minerais serão necessários para tecnologias de energia renovável, como cobre, lítio e níquel. Se nada for feito, a mineração terá um impacto cada vez maior na perda florestal”, alerta.

Além da perda florestal direta, que ocorreu dentro da área autorizada para atividade industrial, os pesquisadores também analisaram o desmatamento fora dos locais designados, principalmente induzidos pela infraestrutura de acesso.

Assim, constataram que em 18 dos 26 países investigados há maior desmatamento próximo às minas. Portanto, os especialistas estimam que para cada metro de expansão da mina haverá quilômetros de perda adicional de floresta.

Embora tenham sido mais visíveis no Brasil e na Indonésia, esses efeitos também foram observados com particular intensidade em países como Guiana, Colômbia, Congo, Gabão e Zâmbia.

“Os impactos indiretos variam entre os países. Com este estudo também queremos mostrar que esses impactos são significativos”, acrescenta Bebbington.

Para Luis Enrique Sánchez, professor de engenharia de minas da Universidade de São Paulo (USP), que não participou do estudo, os dados são importantes porque chamam a atenção para os impactos indiretos da mineração como impulsionadores do desmatamento.

“As perdas indiretas não são levadas em consideração na realização dos estudos de impacto ambiental para a concessão de licenças. Assim, os impactos indiretos são pouco reconhecidos e não há medidas mitigadoras”, diz ele ao SciDev.Net .

O estudo relata que as maiores taxas de desmatamento foram observadas entre 2010 e 2014, impulsionadas por fatores como aumento da demanda e má governança . Na Indonésia, por exemplo, o período foi marcado pela duplicação dos volumes de produção de carvão devido ao aumento da demanda da China e da Índia. Desde então, as reformas institucionais frearam o desmatamento.

Também no Brasil, de acordo com o estudo, as perdas florestais devido à mineração diminuíram a partir de 2014, devido à queda dos preços mundiais das matérias-primas e à crise econômica do país. No entanto, as atuais tentativas de relaxar a mineração e a prospecção são motivo de preocupação. O relatório anual do projeto Mapbiomas aponta para um aumento de 20% no desmatamento, principalmente nas áreas de mineração.

“O estudo publicado na PNAS não incluiu a mineração ilegal, então o fator de desmatamento para a mineração industrial foi um pouco menor, pois eles estão olhando apenas para a chamada mineração legal”, explica Sánchez.

No entanto, os autores reconhecem que a mineração artesanal e a prospecção geram danos ambientais que requerem atenção. O estudo destaca a necessidade de medidas mais fortes para proteger as florestas tropicais , como avaliações de licenças que considerem os impactos potenciais fora das áreas reais de mineração. Também sugere a certificação da origem dos produtos minerais, pois muitas vezes o consumidor não sabe se um item mineral vem de uma área desmatada.

Os autores estão otimistas. “Sabemos que é possível conter os impactos ambientais da mineração pela própria experiência do Brasil, que reduziu suas taxas de desmatamento entre 2000 e 2012”, diz Bebbington.

O artigo, no entanto, afirma que “dado o atual contexto político em países como Brasil e Indonésia, é questionável se políticas pró-ambientais serão implementadas em um futuro próximo”.


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Este artigo foi produzido pela edição da América Latina do  SciDev.Net em espanhol e publicado [Aqui!].

Após determinação da Justiça Federal, Ibama inicia processo de reavaliação do “bee killer” Fipronil

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Após determinação da 9a. Vara da Justiça Federal do Rio Grande do Sul, o IBAMA publicou no dia 12 de setembro o Comunicado Nº 13577989, DE 8 DE SETEMBRO DE 2022 dando conta que irá proceder com a reavaliação do famigerado inseticida Fipronil, conhecido mais por sua capacidade de exterminar em escala massiva as populações de abelhas do que qualquer outro benefício mais efetivo.

O Comunicado diz ainda que os produtos à base do ingrediente ativo Fipronil que, na data da publicação do Comunicado, já dispuserem de resultado da avaliação do Potencial de Periculosidade Ambiental (PPA) emitido pelo IBAMA, mas cujo registro não tenha sido expedido pela autoridade competente, serão igualmente reavaliados e estarão sujeitos às mesmas exigências mencionadas no item anterior.

Além disso, o IBAMA reitera, por meio desse comunicado, a vigência das proibições e orientações relativas à aplicação de produtos agrotóxicos à base do neoniconinóide Tiametoxam e do Fipronil dispostas na Instrução Normativa Conjunta SDA/Mapa/Ibama n.°1, de 28 de dezembro de 2012 e Instrução Normativa Conjunta SDA/Mapa/Ibama n.°1, de 31 de dezembro de 2014. 

Finalmente, o IBAMA informou que estão suspensas as tramitações dos pleitos de avaliação para fins de registro e alteração de registro referentes aos incisos I,II,III,V do § 4º do art. 22 do Decreto n.º 4.074, de 04 de janeiro de 2002 dos produtos formulados contendo o ingrediente ativo Fipronil já apresentados a este Instituto e dos que venham a ser protocolados.

O agrotóxico que matou 50 milhões de abelhas em Santa Catarina em um só mês  - BBC News Brasil

Veja aqui a lista completa de produtos baseados (que atinge o incrível número de 158 agrotóxicos) no Fipronil que já se encontram sendo vendidos no território nacional.

Essa reavaliação é uma boa notícia, mas só a intensa participação de organizações da sociedade civil e da própria população neste processo de reavaliação que este perigoso veneno agrícola será banido no Brasil.

Estudo do Imazon mostra grande avanço do desmatamento e da degradação florestal na Amazônia

Apenas em agosto, foram derrubados 1.415 km². Além disso, a degradação florestal causada pela extração de madeira e pelas queimadas cresceu 54 vezes

desmatamento e queimadas

Sobrevoo do Greenpeace em julho mostrou queimada em Rondônia (Foto: Christian Braga/Greenpeace)

Por Imazon

O desmatamento acumulado na Amazônia já chegou a quase 8 mil km² apenas em oito meses, sendo o maior dos últimos 15 anos. Segundo dados do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), somente em agosto foram derrubados 1.415 km² de floresta, uma área quatro vezes maior do que Belo Horizonte.

Outro problema foi a degradação florestal causada pela extração de madeira e pelas queimadas, que cresceu 54 vezes na região em relação ao mesmo mês do ano passado. A área degradada passou de 18 km² em agosto de 2021 para 976 km² em agosto de 2022, uma alta de 5.322%.

Além de ameaçar diretamente a vida de povos e comunidades tradicionais e causar perdas na biodiversidade, esse aumento na destruição também afeta a camada de ozônio e contribui para o aquecimento global em um momento de emergência climática. Por isso, neste Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozônio, é importante olhar para a floresta em pé como uma das soluções para proteger as populações das consequências desse desequilíbrio do clima, entre elas a maior frequência e intensidade de eventos extremos como secas e tempestades.

“Já passamos da metade do ano e o que vem acontecendo são recorrentes recordes negativos de devastação da Amazônia, com o aumento no desmatamento e na degradação florestal. E infelizmente temos visto ações insuficientes para combater esse problema”, lamenta a pesquisadora Bianca Santos, do Imazon.

SITE SAD JAN AGO 2008 2022 - Desmatamento na Amazônia chega a quase 8 mil km² em 2022, pior acumulado em 15 anos

Monitoramento da degradação pode ajudar no combate ao desmatamento

O instituto classifica como desmatamento quando a vegetação foi totalmente removida, o chamado “corte raso”, e como degradação florestal quando parte da mata foi retirada por causa da extração de madeira ou afetada pelo fogo. Por isso, é comum que uma área classificada como degradada seja posteriormente desmatada.

“Em muitos casos de áreas que sofrem degradação florestal por exploração madeireira, após a retirada total das espécies de valor comercial, é feita a remoção completa das árvores para destinar aquela área a outros tipos de uso, como por exemplo a agropecuária ou até para a especulação imobiliária, no caso da grilagem”, explica Bianca.

É por isso que monitorar também a degradação, e não apenas o desmatamento, é muito importante para a Amazônia. “Se os órgãos ambientais agirem para proteger as áreas degradadas recentemente, podem evitar que elas sejam desmatadas nos meses seguintes”, completa a pesquisadora.

Pará lidera no desmatamento e Mato Grosso na degradação

Apesar da área destruída na Amazônia em agosto deste ano ter sido 12% menor do que no mesmo mês de 2021, quando foram desmatados 1.606 km², Bianca alerta que é extremamente cedo para comemorar. Isso porque a devastação de 2022 foi a terceira pior para o mês de agosto desde 2008, quando o instituto implantou seu Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD). O segundo pior ano foi 2020, quando 1.499 km² de floresta foram postos abaixo.

SITE SAD AGO 2008 2022 - Desmatamento na Amazônia chega a quase 8 mil km² em 2022, pior acumulado em 15 anos

Os estados que mais desmataram em agosto foram Pará (647 km²), Amazonas (289 km²) e Acre (173 km²), que registraram respectivamente 46%, 20% e 12% de toda a derrubada na Amazônia.

“Nesses três estados, assim como nos outros que compõem a região, estamos identificando o avanço do desmatamento nas florestas públicas não destinadas. São áreas pertencentes aos governos dos estados ou federal que ainda não tiveram um uso definido, cuja prioridade estabelecida em lei é para a criação de novas áreas protegidas, como terras indígenas ou quilombolas e unidades de conservação. Porém, por essa falta de destinação, essas terras acabam sendo as preferidas dos grileiros, que as invadem com a expectativa de obter a posse”, afirma a pesquisadora.

Já o estado que teve a maior área de floresta degradada em agosto foi Mato Grosso (657 km²), o que representa 67% do registrado em toda a Amazônia. Pará (240 km²) e Acre (28 km²) ficaram em segundo e em terceiro, com respectivamente 25% e 3% das áreas degradadas na região.

Clique aqui para ver todos os dados de agosto
Saiba mais sobre o SAD aqui


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Este texto foi inicialmente publicado pelo Imazon [Aqui!].

Ao colocar selo de “Cabritzel” em Cláudio Castro durante debate, o editor-chefe do SBT-Rio prestou grande serviço aos eleitores do Rio de Janeiro

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O jornalista Humberto Nascimento, editor-chefe do SBT-Rio, pôs o selo de “Cabritzel” na testa do governador acidental Cláudio Castro

Apesar de não ter assistido a todo o ontem realizado ontem com os candidatos a governador do estado do Rio de Janeiro, considero que um grande trabalho foi prestado à população fluminense pelo editor-chefe do SBT-Rio, o competente jornalista Humberto Nascimento, que fez uma pergunta a Cláudio Castro que na verdade equivale a um daqueles selos inescapáveis que políticos em campanha se arriscam a ter colocados em suas testes (ver vídeo abaixo).

A verdade é que Humberto Nascimento ao não se restringir a apontar para todas as circunstâncias questionáveis que cercam ações, comandados e aliados do governador acidental Cláudio Castro, mas também oferecer uma síntese disso tudo em um selo, o “Cabritzel”, o editor-chefe do SBT-Rio colocou o mandatário-candidato em uma situação inescapável, pois nada que lhe foi apontado é mentira ou verdade em apuração.

Em fun dessa ação corajosa de Humberto Nascimento é que o selo de “Cabritzel” deverá marcar o resto da campanha eleitoral para governador do estado do Rio de Janeiro.  E o mais revigorante disso tudo é poder verificar que ainda existem jornalistas dispostos a fazer as perguntas difíceis a políticos poderosos. Essa sem dúvida é a principal notícia que saiu do debate de ontem.

Um salve para Humberto Nascimento!

A lei eleitoral vale para todos ou sua aplicação é seletiva?

Como servidor público estadual estou impedido de adesivar o meu único veículo para apoiar qualquer candidato nas eleições sob pena de incorrer em violação da resolução que disciplina as atuais eleições, já que estaciono o mesmo no interior do campus Leonel em Campos dos Goytacazes. Considero isso uma violação da minha liberdade de expressão e também não entendo como isso é tolerado por aqueles que dizem ter interesse de que todos possam manifestar a sua opinião. 

Mas o curioso é que também está vedada a propaganda eleitoral em outdoor, incorrendo até em multa de de multa no valor de R$5.000,00 (cinco mil reais) a R$15.000,00 (quinze mil reais), nos termos do art. 39, § 8º, da Lei nº 9.504/1997.  Entretanto, um leitor do blog que trafegou hoje pela chamada Rodovia dos Ceramistas em Campos dos Goytacazes me enviou a imagem abaixo que mostra, de forma inequívoca, o uso de outdoor para apoiar a candidatura de Jair Bolsonaro por parte de um grupo que se autodenominou “Ceramistas de Campos dos Goytacazes/RJ” e que teria sido colocada pela empresa campista Outside.

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Aí é que eu pergunto: este outdoor está, de alguma forma, autorizado pela justiça eleitoral? Se não estiver, me parece que a mesma vedação que me impede de adesivar o meu carro deveria impedir que este outdoor continue colocado onde está? Ou não?