Poluição por agrotóxicos: especialista explica perigos de venenos agrícolas para o meio ambiente

Agrotóxicos podem atingir o solo, água e ar, afetando a saúde humana e o meio ambiente

agrotóxicos tomates

Em 2021, o Governo Federal liberou o registro de 500 agrotóxicos no país, configurando um novo recorde da série histórica iniciada em 2000 pelo Ministério da Agricultura. Além dos possíveis malefícios para a saúde, o uso excessivo de agrotóxicos também interfere no meio ambiente, aumentando o nível de poluição e afetando o ecossistema da região.

Isso acontece porque quando os agrotóxicos entram em contato com a terra, podem contaminar o solo e, consequentemente, reduzir o número de nutrientes. Já quando estes produtos atingem os lençóis freáticos, contaminam as águas subterrâneas. Por essa razão se comemora nesta terça-feira (11) o Dia do Combate à Poluição por Agrotóxicos.

“Estes efeitos ocasionam diversos problemas nas cadeias do meio ambiente. Por exemplo, a poluição por agrotóxico pode gerar mortes de insetos polinizadores e os inimigos naturais das pragas. Logo, possibilita o surgimento de novas pragas e, por consequência, a necessidade de utilizar mais agrotóxicos, gerando este efeito dominó”, explica o doutor em meio ambiente e professor da Rede UniFTC, Anderson Alves.

Anderson também explica que, além do solo e das águas, o ar também pode ser impactado com a poluição causada pelos pesticidas. “Veja bem, o que acontece é que esses produtos ficam circulando na atmosfera e podem desencadear uma série de intoxicações nas pessoas e de outros organismos vivos que respiram o ar contaminado”.

Danos invisíveis

Segundo o especialista, uma das coisas que torna o efeito dos agrotóxicos mais preocupante é porque ele causa problemas invisíveis. “Por exemplo: os peixes contaminados por agrotóxicos podem ser consumidos por pessoas, propagando um efeito em cadeia de disseminação do inseticida. O ser humano que consome hortaliças contaminadas também acumula veneno por meio do consumo de alimentos”, pontua.

Congonhas do Campo: barragem “Casa de Pedra” da CSN é outro desastre anunciado?

barragem

Em março de 2019 publiquei uma postagem apresentando uma avaliação técnica feita pelo arquiteto Frederico Lopes Freire acerca do que ele classificou como “padrão Brumadinho” envolvendo uma gigantesca barragem de rejeitos pertencente à CSN em Congonhas do Campo.  Naquela postagem, apresentei a análise realizada por Lopes Freire que indicavam uma série de problemas graves que colocavam em risco a estabilidade da barragem da mina Casa de Pedra, cujo rompimento poderia tomar parte da área urbana de uma cidade que reúne um rico patrimônio arquitetônico.

Eis que quase 3 anos depois da publicação daquela avaliação pelo “Blog do Pedlowski”, encontrei uma notícia publicada pelo jornal “Estado de Minas” informando que a justiça de Minas Gerais determinou o envio de uma equipe da Defesa Civil à mesma barragem Casa de Pedra. Com um detalhe: se a CSN impedisse a entrada dos fiscais, a empresa seria multada em R$ 1 milhão por dia.

A razão dessa decisão da justiça mineira se deu pelo fato de que os habitantes do entorno da barragem estão preocupados com constantes deslizamentos de terras das suas paredes. Esses deslizamentos teriam aumentado em função das fortes chuvas que estão ocorrendo em Congonhas do Campo.

A CSN, por sua vez, emitiu nota em que atesta a estabilidade da sua barragem, informando ainda que está realizando um processo de monitoramento contínuo para verificar a estabilidade das estruturas da Casa de Pedra.

Entretanto, a leitura do relatório técnico feito por Frederico Lopes Freire há quase 3 anos já apontava para um quadro altamente preocupante e que não será resolvido por ações tardias de monitoramento. A verdade é que o “padrão Brumadinho” paira neste momento sobre Congonhas do Campo.

Brasil recebe curso avançado sobre mudanças climáticas no início de 2022

betimEm tempos de mudanças climáticas: depois da Bahia, o estado de Minas Gerais está com centenas de cidades sofrendo com inundações no início de 2022

As cenas de destruição causadas pelas chuvas em diferentes regiões do Brasil podem ser entendidas como uma espécie de curso avançado sobre os efeitos devastadores que irão acompanhar o processo de mudanças climáticas. No nosso caso, o que se vê é uma combinação nefasta de vetores dentro de uma sociedade profundamente desigual, o que gera um componente específico desse curso que é a exposição dos segmentos mais pobres aos piores impactos das chuvas torrenciais, visto que a maioria vive em áreas ecologicamente frágeis que são normalmente relegadas para a ocupação dos que não podem pagar por terrenos em áreas selecionadas pelos incorporadores imobiliários para serem habitadas pelos ricos.

No estado de Minas Gerais, talvez mais do que na Bahia, o atual ciclo de chuvas extremas cria uma módulo especial desse curso, já que há o potencial para a ocorrência de graves incidentes ambientais em função da presença de centenas de barragens de mineração que já se encontram em condição precária em função da opção das mineradoras de priorizar o lucro sobre a segurança das cidades que rodeiam seus empreendimentos minerários.  Aliás, mesmo que as barragens em piores condições suportem o atual ciclo de chuvas, a condição de bombas relógio permanecerá. Como da parte das mineradoras não há qualquer disposição para tratar a situação de risco de suas barragens de forma séria, e em Minas Gerais o aparelho de estado não mostra qualquer disposição para obrigar um comportamento diferentes por parte das empresas. A combinação do descaso de mineradoras e do estado com a ocorrência de novos ciclos de chuvas extremas é uma receita para graves problemas sociais e ambientais.

Um fato que salta aos olhos é que enquanto a ciência brasileira já produziu incontáveis estudos sobre o impacto das mudanças climáticas sobre o comportamento de eventos meteorológicos, o estado brasileiro não tem agido para estabelecer propostas concretas de mitigação para o quadro climático que está posto.  E não falo apenas do governo federal comandado pelo negacionista Jair Bolsonaro e seu dublê de ministro da ciência e astronauta aposentado, Marcos Pontes. No caso do despreparo para enfrentar as mudanças climáticas a situação atinge todos os níveis de governo, incluindo estados e municípios. Nesse caso temos uma espécie de módulo avançado sobre os efeitos políticos e econômicos do negacionismo científico por parte dos governantes cujos compromissos reais estão com os donos do capital ou, ainda, com a sua prosperidade privada.

Mas como escapar desse cenário tão pessimista e com tintas apocalípticas? A saída é ampliar a organização política, especialmente entre os mais pobres. Do contrário, o que teremos de prática será uma sucessão de tragédias que geram situações momentâneas de alarde que são imediatamente sucedida por um modus operandi caracterizado pelo “business as usual” coletivo, onde todos fingem que a vida pode ter um ritmo que possa ser chamado de normal.

Um elemento final deste texto se destina aos leitores que moram no município de Campos dos Goytacazes que hoje acordam esperando pelo quase inevitável transbordamento do Rio Paraíba do Sul. A questão aqui é sobre o papel dos rios como integradores de processos que ocorrem ao longo da sua bacia, incluindo a chegada de água na sua calha.  Como a cidade está posicionada no final do percurso do maior rio da região sudeste do Brasil (e que ainda tem próximo a Campos dos Goytacazes o acréscimo das águas do rio Muriaé), um fato inescapável é que estejamos sobre o impacto direto das grandes chuvas que ocorrem em pontos relativamente distantes dos estados de São Paulo e Minas Gerais. Esse é um fato mais do que conhecido, mas que continua sendo ignorado por seguidas administrações municipais que há décadas, apesar dos bilhões aportados pelos royalties do petróleo, que optaram por não fazer qualquer tipo de reparo, e menos ainda obras de reforço estrutural, nos diques que protegem a malha urbana campista. 

No caso da atual administração municipal, ainda tivemos a extinção da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, fato esse que demonstra a baixa prioridade que os problemas ambientais ocorrendo no Paraíba do Sul tem para o governo de Wladimir Garotinho (que hoje postou uma “selfie” no cais da Lapa para demonstrar uma preocupação tardia com algo que deveria ter prioridade máxima e efetivamente não tem). Aliás, em vez de postar selfies na beira do Rio Paraíba que ameaça transbordar, sugiro ao prefeito de Campos dos Goytacazes a leitura da dissertação do mestre em Políticas Sociais, André Moraes Barcellos Martins Vasconcellos, cujo título é “O Desafio da Gestão Urbana em Campos Dos Goytacazes no Contexto das Mudanças Climáticas: Entre a Construção da Resiliência e a Persistência de Fórmulas Tradicionais de Governar. Quem sabe assim tenhamos uma mudança de direção nas prioridades do governo.

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O prefeito Wladimir Garotinho extinguiu a secretaria municipal de Meio Ambiente, e agora posa na beira do Rio Paraíba do Sul que ameaça transbordar e inundar partes da cidade de Campos dos Goytacazes

Finalmente, a minha expectativa é que, pelo menos no âmbito dos leitores deste blog, a questão da urgência de uma mudança de atitude coletiva sobre o fenômeno das mudanças climáticas ganhe prioridade. As chuvas que hoje causam destruição em uma escala que é apenas preâmbulo do que poderá vir se nada for feito para nos preparar para realizar as mudanças necessárias. O fato, meus caros, é que as mudanças climáticas são reais e estamos vendo a ponta de um longo e gigantesco iceberg.

Muro de contenção da Vale acumula água das chuvas e isola habitantes do Distrito de Macacos em Nova Lima

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Muro de contenção (visto ao fundo na imagem acima) construído pela mineradora Vale causa acumulação das águas das chuvas e isola habitantes do Distrito de Macacos 

Em agosto de 2020 fiz uma postagem dando conta das táticas de isolamento territorial impostos pela mineradora Vale contra os habitantes do Distrito de Macacos em Nova Lima (MG).  Sob a escusa de construir um muro de proteção para conter rejeitos que poderiam escapar das ameaçadas barragens da Mina Mar Azul, a empresa instalou barreiras físicas que impediam a livre circulação dos habitantes de Macacos.

Eis que agora em meio às chuvas intensas que estão ocorrendo em Minas Gerais, os habitantes de Macacos estão sofrendo com o represamento de águas que terminaram por invadir propriedades e causar grande aflição aos moradores da área urbanizada (ver vídeos abaixo).

O pior é que segundo o jornal “Brasil de Fato“, informações vindas de Macacos dão conta que “a única rota de fuga segura, em caso de rompimento de qualquer barragem, a estrada Campos da Costa, está interditada por causa do muro” implicando no isolamento em relação à BR-040, o que evidencia que o drama em que estão imersos os habitantes do distrito tem a Vale como principal causadora.

Como se vê, o início de 2022 está sendo extremamente pedagógico em relação aos prejuízos sócio-ambientais causados pela mineração em Minas Gerais. E olha que não chegamos nem na metade do mês de janeiro.

Capitólio: Vídeos e relatos apontam para negligência generalizada no Lago de Furnas

Já se confirmaram seis mortes. Para morador, turismo predatório causa triste cenário em Capitólio, com despreparo de autoridades, operadores de passeios e de visitantes

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Por Rede Brasil Atual

São Paulo – Relatos e imagens que circulam pelas redes sociais apontam para uma negligência generalizada em torno da tragédia de Capitólio, cidade turística do sul de Minas Gerais, na manhã deste sábado (8). O desabamento de rochas de um cânion no Lago de Furnas atingiu três embarcações que transportavam 34 pessoas. Apesar da confirmação de seis mortes até o momento, o Movimento de Atingidos por Barragens teme que o número ainda possa subir. Segundo o Corpo de Bombeiros há 20 desaparecidos. Não havia nenhuma placa indicando riscos na região.

Nos vídeos abaixo, é possível ver o momento do principal desabamento. E, antes, o desespero de pessoas que viam de longe fragmentos de rochas despencarem antes da queda derradeira. Enquanto turistas gritavam para que os barcos que estavam próximos se afastassem, é possível notar que o maior deles demorou a se dar conta da tragédia iminente.

Desabamento de rochas em um cânion no lago de Furnas em Capitólio (MG) causou mortes e feridos

Os bombeiros desconfiam que o deslizamento teria ocorrido após uma tromba d’água. Na manhã deste sábado, a Defesa Civil do Estado de Minas Gerais emitiu alerta para chuvas intensas na região do desastre. Inclusive justamente com possibilidade da chamada cabeça d’água.

Em nota, a Marinha do Brasil informou que vai instaurar inquérito para apurar as causas do acidente. “A DelFurnas deslocou, imediatamente, equipes de Busca e Salvamento (SAR) para o local, integrantes da Operação Verão ora em andamento, a fim de prestar o apoio necessário às tripulações envolvidas no acidente, no transporte de feridos para a Santa Casa de Capitólio, e no auxílio aos outros órgãos atuando no local”, diz a nota.

É o terceiro ano seguido que o Lago de Furnas, em Capitólio, registra tragédias. No ano passado, as fortes chuvas causaram enchentes e estragos na região. No ano anterior, uma lancha atingiu um jet ski. “Está muito muito triste a situação de Capitólio. Pois a cidade está sendo tomada por um turismo predatório e o despreparo – de autoridades públicas, operadores de passeios e dos próprios visitantes – é generalizado. Ninguém se preocupa, só pensa em ganhar dinheiro”, diz um morador da região que tinha um familiar operando uma embarcação que não foi atingida.

Com informações do Brasil de Fato.

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Este texto foi publicado atualmente pela Rede Brasil Atual [Aqui!].

Instituto Butantan lança dossiê sobre todo conteúdo publicado sobre a eficiência da Coronavac

O material contém mais de 700 páginas e comprova, mais uma vez, que a vacina é segura eficaz e recomendada para todos os públicos

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A partir desta sexta-feira (7), o dossiê digital CoronaVac – O que a ciência comprova, que reúne pesquisas de efetividade e ensaios clínicos publicados nas principais plataformas científicas de todo o mundo, passa a ficar disponível para especialistas em saúde pública, médicos, pesquisadores e sociedade civil.

O material traz temas como a alta resposta imune provocada pela CoronaVac, a capacidade da vacina de combater as variantes do SARS-CoV-2, sua segurança para gestantes, bebês, crianças, adolescentes, idosos, pessoas com comorbidades e imunossuprimidos, além de dados sobre a importância da dose de reforço e os registros de segurança, que mostram a baixa incidência de efeitos adversos do imunizante.

Com mais de 700 páginas e dividido em oito capítulos, o dossiê contempla pesquisas veiculadas em publicações internacionais como The Lancet, Vaccine, Frontiers of Immunology, Future Oncology, entre outras. Cada capítulo possui uma introdução resumida em português e diversas publicações originais em inglês.

Veja os capítulos do dossiê abaixo:

Capítulo 1 – Alta resposta imune 

Em janeiro de 2021, a CoronaVac teve sua eficácia comprovada conforme as exigências da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Nos meses seguintes também foram publicados outros artigos científicos que confirmam a capacidade de proteção e segurança da vacina do Butantan.

Capítulo 2 – Combate às variantes do coronavírus

A efetividade da vacina contra as variantes beta, gama e delta do SARS-CoV-2 foram demonstradas em estudos realizados no Brasil e em outros países.

Capítulo 3 – Segurança para gestantes e para os bebês 

Estudos comprovaram 85% de eficácia da CoronaVac na prevenção de casos graves entre gestantes e puérperas e mostraram que a proteção do imunizante é passada aos bebês pelo leite materno.  

Capítulo 4 – Proteção a indivíduos com comorbidades

A CoronaVac é segura e gera soroconversão em pessoas que têm HIV, hepatite B, câncer, doenças reumáticas, entre outras imunodepressões. 

Capítulo 5 – Eficácia em idosos

A CoronaVac foi o imunizante que iniciou a vacinação contra a Covid-19 no Brasil, protegendo profissionais da saúde e pessoas acima de 60 anos. Em poucos meses, a queda da mortalidade entre idosos já pode ser sentida, comprovando novamente a efetividade da vacina. 

Capítulo 6 – Proteção a crianças e adolescentes 

Estudos de ensaios clínicos com jovens de três a 17 anos mostram que a CoronaVac é segura e gera forte resposta imune nesta população. 

Capítulo 7 – Multiplicação de anticorpos na dose de reforço 

A dose de reforço da CoronaVac eleva a proteção contra a Covid-19 para 80%, segundo números do governo chileno. Além disso, aumenta mais de 12 vezes o nível de anticorpos de quem tomou duas doses. 

Capítulo 8 – Raros efeitos adversos

Entre todas as vacinas aplicadas no Brasil, a CoronaVac é a que causa menos efeitos adversos, e mais leves, de acordo com números de ensaios clínicos e de estudos científicos.

Para acessar o material completo, basta acessar [Aqui!]. 

Mais um incidente envolvendo barragem explicita o alto custo sociombiental da mineração em MG

barragem-rompe-mg-1Rejeitos escapados de barragem de mineração em Nova Lima (MG) criou cenário de destruição na BR-040

Após ser ter sido seu território atingido pelos tsulamas de Mariana e Brumadinho, o estado de Minas Gerais foi palco hoje de novo incidente envolvendo uma barragem de mineração, no caso o da mina de Pau Branco pertencente à Vallourec no município de Nova Lima (ver imagem abaixo).

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Diferentes fontes da mídia corporativa estão dando diferentes versões sobre o que está acontecendo na Mina Pau Branco, com umas falando em rompimento e outras em transbordamento.

O que fato ocorreu na barragem da Vallourec ainda deverá ficar claro nos próximos dias, mas fica mais uma vez patente o alto custo social e ambiental da mineração, pois o mínimo que ocorreu é que uma estrutura de proteção não conseguiu conter o transbordamento de uma quantidade ainda não calculada de rejeitos para áreas externas à estrutura de proteção (ver vídeo abaixo).

A Prefeitura de Nova Lima já informou que irá multar a Vallourec por cometimento de crime ambiental, e que ainda irá “exigir, ao lado do governo estadual, o cumprimento do Plano de Recuperação da Áreas Degradadas, já que o monitoramento, acompanhamento e licenciamento ambiental de mineração são atribuições de competência do Estado”.

Há que se lembrar que uma das prioridades do comando do congresso nacional neste momento é finalizar a aprovação do Projeto de Lei No. 3729/04, o que, entre outras coisas, deverá retirar a mineração a maioria dos  requisitos exigidos atualmente, o que representará uma espécie de passe livre para ampliação das atividades minerárias, com a expectativa de que tenhamos ainda mais casos de transbordamento e de ruptura de barragens de rejeitos. 

Como existem outros setores que estão tendo suas exigências ambientais rebaixadas pelo congresso nacional a pedido do governo Bolsonaro fica evidente que a proteção do meio ambiente deverá um dos principais pontos de qualquer plano de governo que vise impedir a  transformação do Brasil em uma mera colônia de produção de commodities agrícolas e minerais.

O mecanismo do exército de reserva e a questão do trabalho escravo nas áreas rurais da Itália

Traga a população abundante para todo o Mediterrâneo. Sobre a conexão entre o imperialismo na Líbia e o trabalho escravo na agricultura italiana

trabalhadores africanosPessoalmente degradado à condição de uma mercadoria e extremamente explorado. Os migrantes africanos são enviados para a agricultura do sul da Itália para reduzir ainda mais os salários lá. Mas, repetidamente, eles se defendem de suas condições miseráveis ​​de trabalho (protestos na província de Foggia, 8 de agosto de 2018)

Por Lucia Pradella e Rossana Cillo para o “JUngeWelt”

A morte de 16 trabalhadores agrícolas africanos, mortos em acidentes com duas vans de entrega superlotadas, deixou centenas de trabalhadores nas ruas no sul da Itália em agosto de 2018. Na mesma época, imigrantes e refugiados eritreus escaparam dos campos de internamento na Líbia e marcharam sobre Trípoli para protestar contra serem vendidos como “escravos”. Esses dois protestos estão intimamente relacionados: muitos dos migrantes que imigraram para a Itália passaram pela Líbia e, em ambos os casos, os protestos foram dirigidos contra as condições baseadas em um processo de acumulação unificado envolvendo a exploração neocolonial dos recursos líbios e militarização das fronteiras da União Europeia (UE) incentivou a migração de trabalhadores vulneráveis ​​para a Itália.

Muitas vezes, no entanto, esses dois lados de uma história comum não são vistos no contexto. Desde o final da década de 1980, trabalhadores agrícolas imigrantes na Itália têm chamado repetidamente a atenção para sua situação, destacando seu papel como um exército de reserva: sendo um grupo de trabalhadores subempregados e desempregados que permite aos agricultores manter os custos de produção baixos com just-in-time  que combina as necessidades do varejo e do agronegócio.

Um estudo publicado em 2018 pelo observatório Plácido Rizzotto, que leva o nome de um famoso sindicalista e opositor da máfia, identificou cerca de 80 áreas em que está a ser executado o sistema de “caporalato”, ou seja, o recrutamento ilegal sistemático de trabalhadores agrícolas mal pagos , bem como 55 áreas com exploração laboral severa, especialmente no sul da Itália. De acordo com isso, entre 400.000 e 430.000 trabalhadores agrícolas eram empregados de forma irregular. Isso sugere um estado generalizado de trabalho não-livre; H. para o trabalho que é espremido por várias formas de coerção, incluindo forçar os trabalhadores a proibir a “livre” escolha de emprego no mercado de trabalho “normal”.

Competição e desregulamentação

A agricultura italiana passou por um processo de reestruturação e comercialização neoliberal desde o final dos anos 1980. O governo italiano e a UE incentivaram a desregulamentação do setor agrícola e a expansão da agricultura empresarial. Como em outros países, a liberalização comercial, as fusões e aquisições fortaleceram a posição dos varejistas italianos e estrangeiros, especialmente das grandes redes de supermercados. Esses atores agora têm o poder de influenciar onde, como, por quem e a que preço os alimentos são produzidos. A concentração de capital aumentou a diferenciação dos agricultores e aumentou a pressão competitiva sobre as pequenas e médias propriedades. Os efeitos desses processos de concentração no trabalho só podem ser compreendidos se

O forte aumento da produtividade do trabalho nas últimas duas décadas reduziu o número de trabalhadores empregados na agricultura, assim como a demanda por trabalhadores qualificados. Embora o aumento da produtividade do solo proporcionasse a alguns produtores uma vantagem competitiva, também limitava a capacidade dos produtores de conter seus custos fixos. Com isso em mente, uma das estratégias utilizadas pelos agricultores foi reduzir os salários dos trabalhadores agrícolas. O aumento da pressão competitiva sobre os pequenos e médios agricultores, que se concentram no sul do país, acabou sendo um dos principais fatores para a disseminação da mão de obra não livre. Há alguns anos, por exemplo, a associação de agricultores de Coldiretti reclamava que que corporações multinacionais como a Coca-Cola impuseram custos de produção de sete centavos por quilo de laranja aos agricultores nas plantações de citros de mão-de-obra intensiva em Rosarno, Calábria – bem abaixo do custo. Mas os fazendeiros não tiveram outra escolha.

Essa estratégia se insere no contexto da ofensiva capitalista contra o movimento operário que começou na década de 1970, foi reforçada na década de 1990 e fez da Itália um país de imigração em massa. A capacidade do capital de atrair um exército de reserva global por meio da imigração e terceirização é crucial para mudar o equilíbrio de poder a seu favor e impulsionar os salários a ponto de os trabalhadores ficarem privados do controle de seu próprio trabalho. De acordo com dados oficiais, a proporção de trabalhadores migrantes na agricultura italiana aumentou de 0,3% para 48% entre 1991 e 2015. Como em outros países, uma política de imigração restritiva não impediu a migração para a Itália, mas o tornava mais perigoso e caro, e tornava os migrantes mais vulneráveis, estabelecendo fronteiras legais, étnicas e de gênero entre eles e “dividindo-os” coletivamente. A comercialização da agricultura italiana foi acompanhada por um processo de internacionalização, segmentação e precariedade da força de trabalho agrícola, em que as condições de trabalho não livre afetaram particularmente os trabalhadores indocumentados irregularmente empregados.

Após um declínio nas décadas de 1970 e 1980 como resultado das lutas dos trabalhadores agrícolas e de uma agência pública de emprego, o “Caporalato” voltou a ser o sistema mais importante de recrutamento e gestão de trabalhadores na agricultura, tanto no sul como cada vez mais no norte Itália. Os “Caporali” (melhor traduzir como capataz) selecionam os trabalhadores em nome dos empresários agrícolas nas “Mercati delle braccia” (feiras de trabalhadores) em locais públicos, em bares e centros de recepção ou em grupos de WhatsApp e promovem os trabalhadores de acordo com seus precisa dos requisitos dos respectivos ciclos de produção nas diferentes áreas agrícolas. Freqüentemente eles próprios imigrantes, os Caporali assumem uma série de tarefas socialmente necessárias, como transporte e acomodação. O sistema varia de acordo com o contexto territorial e possui diferentes estruturas hierárquicas, com uma minoria de Caporali trabalhando com organizações criminosas. Em alguns casos, os trabalhadores são controlados e subjugados por meios como apreensão de documentos, roubo de salário, abuso sexual e outras formas de violência, incluindo assassinato. Apesar de todas as diferenças, o objetivo principal do sistema é disciplinar os trabalhadores e forçá-los a empregos altamente exploradores. abuso sexual e outras formas de violência, incluindo assassinato. Apesar de todas as diferenças, o objetivo principal do sistema é disciplinar os trabalhadores e forçá-los a empregos altamente exploradores. abuso sexual e outras formas de violência, incluindo assassinato. Apesar de todas as diferenças, o objetivo principal do sistema é disciplinar os trabalhadores e forçá-los a empregos altamente exploradores.

As condições de emprego dependem das especificidades dos sistemas de produção locais. Embora o emprego e as horas de trabalho sejam mais estáveis ​​em áreas com cultivo mecanizado em estufas, a colheita de certos vegetais e frutas concentra-se em algumas semanas ou dias: A jornada de trabalho é geralmente muito longa (oito a doze horas), mas fora do época de colheita, há apenas trabalho de curta duração trabalhado periodicamente. Os trabalhadores intensamente explorados não gozam de direitos contratuais ou sociais e são pagos bem abaixo da tarifa. As formas de remuneração comuns, embora ilegais, são o “salário diário” fixo que permite aos empresários aumentar a jornada de trabalho, bem como o trabalho à peça: Por exemplo, os trabalhadores recebem de três a quatro euros pelo enchimento de uma caixa de 375 quilos, o que os obriga a fazer então, para aumentar seu ritmo e trabalhar mais. Os capatazes retêm parte dos salários, enquanto os empreiteiros descontam os custos de transporte e alojamento.

Um estudo de 2005 da Médicos Sem Fronteiras sobre a saúde dos trabalhadores migrantes descobriu que apenas 5,6% dos migrantes que visitaram as clínicas móveis da organização estavam bem de saúde. O restante sofreu de fatores ambientais, más condições de saúde e higiene, lesões e envenenamento por pesticidas e más condições de trabalho e habitação. A organização Medici per i diritti umani (Medu) relata que dos 180 pacientes que os funcionários da Medu visitaram na Capitanata em Puglia no verão de 2019, cerca de cinco a oito e meio por cento apresentavam sinais de doença mental, tendiam ao abuso de álcool ou sintomas psicossomáticos devido à violência e tortura sofrida durante a viagem.

Essas condições não são características do atraso italiano, mas caracterizam um setor amplamente industrializado e integrado ao mercado mundial. Eles prosperam graças ao alto nível de trabalho não declarado, que o estado italiano tolera, se não promove, por meio de anistia fiscal e cortes nas inspeções do trabalho. A falta de regulamentação abre espaço para as atividades ilegais de organizações criminosas que atuam em todos os segmentos do agronegócio no final da década de 1990 e passaram a investir em áreas altamente lucrativas como logística e marketing, aumentando os custos intermediários e finais.

Embora o processo de reestruturação agrícola dos últimos trinta anos não tenha levado a grandes conflitos entre os agricultores e trabalhadores italianos, a partir do final da década de 1980 o nível de autonomia e sindicalização entre os trabalhadores migrantes aumentou. Suas lutas, que se intensificaram em meados dos anos 2000, destacaram a responsabilidade dos varejistas e das multinacionais, bem como o papel do crime organizado e, principalmente, da política estadual.

Imperialismo da fronteira mediterrânea

Graças ao seu papel diplomático na abertura da Líbia e no levantamento das sanções da UE (2004), a Itália negociou termos particularmente lucrativos para sua principal empresa de petróleo e gás, a ENI (Ente Nazionale Idrocarburi), que firmou uma joint venture com a Líbia National Oil Company. Além disso, Roma concordou em trabalhar com a Líbia no controle da migração. Por meio de pressão e ajuda financeira, a Itália e a UE instaram a Líbia nos anos 2000 a encerrar sua política de portas abertas em relação aos seus vizinhos africanos por meio de leis que criminalizam indiscriminadamente imigrantes e refugiados, bem como centros de detenção por tempo indeterminado. A multiplicação das fronteiras no Sahel e na Líbia movimentos migratórios intra-africanos “ilegalizados”

Em 2009, o terceiro governo de Berlusconi reduziu significativamente as cotas de migração laboral e aprovou uma lei que criminaliza os migrantes sem documentos. Muitos migrantes então solicitaram asilo, mas ao mesmo tempo o governo italiano começou a trazer imigrantes e requerentes de asilo de volta para a Líbia em águas internacionais. Apesar desta cooperação, Muammar Al-Ghaddafi rejeitou as operações »Frontex« e, apesar do aumento do desemprego, promoveu a imigração do resto da África a partir de 2008: Em março de 2011, a Líbia tinha cerca de 2,5 milhões de pessoas com uma população de cerca de 6,5 milhões de milhões de migrantes. Os negros africanos realizavam os trabalhos mais mal pagos e eram cada vez mais atacados à medida que crescia o racismo estatal e da sociedade civil.

A guerra da OTAN de 2011 começou, de acordo com o New York Timesuma “luta pelo acesso à riqueza do petróleo da Líbia” e intensificou as tentativas de empresas e Estados ocidentais rivais de obter os recursos naturais, financeiros e humanos da Líbia sob seu controle. As reformas neoliberais realizadas pelo Conselho Nacional de Transição (CNT) e a imunidade que concedeu às milícias exacerbaram as divisões sociais, estimularam violações dos direitos humanos e geraram uma espiral de retaliações não mais controlada pelo Ocidente. O assassinato do embaixador dos EUA em Benghazi em setembro de 2012 foi um sinal de que as milícias não queriam ser capturadas pelo Ocidente. Eles começaram a competir pelo controle dos recursos, fronteiras e setores-chave da Líbia e foram integrados às instituições do Estado.

Enquanto isso, ENI estava se tornando cada vez mais predatório. No verão de 2014, a empresa italiana de energia parou de fazer pagamentos à Líbia e celebrou contratos com as milícias “Al-Ammu” e “Brigada 48” para proteger seus campos e infraestrutura. Isso garantiu à ENI um abastecimento de gás quase ininterrupto à Itália, apesar da queda na produção de petróleo, o que aumentou a receita e as margens de lucro do oleoduto Greenstream usado para esse fim. Como muitas outras milícias, aqueles que trabalham para a ENI como “empresas de segurança” estão envolvidos na cumplicidade com funcionários do governo de ambas as partes do país no contrabando de petróleo, armas e pessoas da Líbia. Mas a rede de cumplicidade se estende além da Líbia. Como revelou uma investigação do Ministério Público de Catânia sob o título “Óleo Sujo”, os líderes das brigadas Al-Nasr cooperaram com a máfia siciliana e os corretores malteses para contrabandear diesel líbio para a Itália. Essa rede estava conectada a Abd Al-Rahman Al-Milad, comandante da guarda costeira de Zaviya e “líder indiscutível do contrabando de pessoas”, que recebeu dinheiro e treinamento da Itália e da UE. De acordo com a associação italiana de empresas de petróleo, o comércio ilegal de combustíveis representa de cinco a dez por cento do total das vendas na Itália. O Gabinete de Auditoria da Líbia estima que o contrabando de produtos petrolíferos refinados custou ao estado líbio cerca de US $ 20 bilhões entre 2014 e 2017. 

Esse esgotamento neocolonial dos recursos líbios levou ao empobrecimento e à insegurança generalizados e aumentou o exército de reserva de mão-de-obra para o capital italiano e europeu. A situação após a queda e o assassinato de Ghaddafi possibilitou que um grande número de imigrantes e refugiados africanos e, posteriormente, sírios, entrassem na Europa. No entanto, a Líbia não se tornou um »país de trânsito«: de 2012 a imigração para lá continuou novamente. Embora a maioria dos migrantes e refugiados da África Oriental pretenda vir para a Europa, a maioria dos africanos do oeste e centro ainda vêm para a Líbia para trabalhar, o que indica uma longa tradição de migração cíclica. E isso apesar do empobrecimento generalizado (cerca de um terço da população líbia agora vive na linha da pobreza ou abaixo dela), a crescente insegurança, uma perda de 80% do poder de compra devido ao aumento da inflação desde 2014, a falta de serviços públicos básicos e a degradação ambiental. Mas essas condições tiveram um impacto desproporcional sobre os imigrantes e refugiados subsaarianos que vieram para a Itália em grande número entre 2014 e meados de 2017.

Enquanto as milícias continuavam com suas outras atividades de contrabando altamente lucrativas, elas mudaram seu foco do contrabando de pessoas para o florescente negócio de internação e trabalho forçado. O governo italiano da época, composto pelo Movimento Cinco Estrelas e a Lega (junho de 2018 a setembro de 2019) apoiou plenamente esta reorientação: delegou nominalmente a coordenação das medidas de resgate à chamada Guarda Costeira da Líbia, quadruplicou o financeiro apoiaram e tentaram impedir que navios privados transportando migrantes desembarcassem em portos italianos. Se o governo anterior havia endurecido o regime de deportação e abolido os pedidos de asilo de segundo grau, o Ministro do Interior Matteo Salvini aboliu a proteção humanitária por lei e assim privou a maioria dos imigrantes,

Na armadilha da Líbia

Esses desenvolvimentos econômicos e políticos tornaram os migrantes da África Subsaariana uma mercadoria que é capturada, vendida e usada. Desde meados de 2017, o número de pessoas presas em prisões superlotadas, interceptadas e enviadas de volta à Líbia aumentou significativamente, enquanto os tempos de detenção aumentaram. Na sua qualidade de “guarda costeira”, os milicianos realizam alegadas “operações de resgate”, dirigem prisões e organizam barcos para a Europa. Os migrantes relatam que os policiais da milícia espancam-nos depois de serem “resgatados”, prendem-nos e, em particular, abusam sexualmente de mulheres. Um migrante da Costa do Marfim relata: “Eles o trancam em uma gaiola e as mesmas pessoas oferecem a você a oportunidade de sair. Se você for, a Guarda Costeira saberá.

O negócio de internamento é uma crescente fonte de receita. Além das centenas de milhões de euros na UE, as milícias obrigam os detidos a pagar propinas para serem libertados. Detidos indefinidamente sem aconselhamento jurídico, os migrantes enfrentam violência física e psicológica, tortura, estupro e outros maus-tratos, desnutrição, saneamento inadequado, discriminação racial e religiosa e medo constante da morte. Essa violência torna mais fácil para as milícias extorquir dinheiro dos detidos e de suas famílias.

As prisões também cumprem a função de manter prontas reservas de trabalho. As milícias compram e vendem seus prisioneiros, alugam-nos pelo lance mais alto ou os obrigam a trabalhar sem remuneração. Os próprios empresários costumam entrar eles próprios nos campos de prisioneiros à procura de trabalhadores. O entrelaçamento de milícias e instituições do Estado permite que eles recusem seus salários aos trabalhadores sem medo de qualquer punição. Os migrantes denunciam os recrutadores que vão ao mercado de trabalho com suas armas “como se fôssemos escravos”. Os trabalhadores são frequentemente roubados por gangues locais ou presos pela polícia e milícias a caminho de casa.

Embora nem todos os imigrantes desejassem ir para a Europa em primeiro lugar, eles não conseguem encontrar um emprego seguro na Líbia, nem um trânsito seguro para a Europa ou para seus países de origem. Se tentarem voltar para casa por terra, quase certamente serão sequestrados e vendidos como “escravos”. O sistema predominante na Líbia está literalmente empurrando os migrantes para a Europa.

Decote profundo

Muito frequentemente, na Itália, os migrantes preenchem as fileiras da população agrícola excedente. Antes da Grande Depressão, a agricultura italiana era um setor de trânsito para muitos imigrantes que muitas vezes conseguiam passar para os setores industriais ou de serviços no norte da Itália ou em outros países do norte da Europa. No entanto, especialmente nos primeiros anos da crise, os migrantes que perderam seus empregos (e autorizações de residência) no norte voltaram à agricultura no sul. Este fato, bem como o número crescente de migrantes recém-chegados ao Mediterrâneo desde 2011, aumentou o exército de reserva agrícola. Diante da forte redução das cotas de trabalho, muitos migrantes tentaram obter o status de residência regular,

Os empresários aproveitaram-se dessa situação, substituíram os trabalhadores, reduziram os salários e os padrões de trabalho e, assim, frustraram as conquistas das lutas anteriores. De acordo com um sindicalista de Salerno, os requerentes de asilo se tornaram “uma mercadoria muito valiosa”: “Desde que recebem alimentação e hospedagem, os empregadores reduzem seus salários e competem com outros imigrantes.” Em Piana del Sele – a “Califórnia da Itália” «Com uma cultura de estufa altamente mecanizada – os requerentes de asilo, por exemplo, são empregados de forma bastante contínua e com um contrato regular e trabalham em conjunto com uma força de trabalho permanente de italianos e migrantes de longa data do Norte de África e da Roménia. No entanto, recebem salários abaixo da média, em torno de 25 a 30 euros por uma jornada de trabalho de dez a onze horas. Isso levou a conflitos entre trabalhadores subsaarianos e marroquinos que melhoraram seus salários e condições de trabalho por meio de greves em 2006. 

Em áreas com safras sazonais como Latina, os requerentes de asilo da Nigéria, Mali e Senegal que só estão empregados na época da colheita trabalham até doze horas por dia, sete dias por semana, por 2,50 a 3 euros a hora. Eles deslocaram migrantes de Punjab que lutaram por salários mais altos (cinco euros por hora) em 2016. Um activista da zona de Castel Volturno relata que, entre 2008 e 2019, o salário médio caiu de cerca de 35 a 30 euros por uma jornada de trabalho de 8 a 12 horas para cerca de 15 a 20 euros. que melhoraram seus salários e condições de trabalho por meio de greves em 2006. Em áreas com safras sazonais como Latina, os requerentes de asilo da Nigéria, Mali e Senegal que só estão empregados na época da colheita trabalham até doze horas por dia, sete dias por semana, por 2,50 a 3 euros a hora. Um activista da zona de Castel Volturno relata que, entre 2008 e 2019, o salário médio caiu de cerca de 35 a 30 euros por uma jornada de trabalho de 8 a 12 horas para cerca de 15 a 20 euros.

Embora em alguns casos as redes de solidariedade existentes tenham sido capazes de limitar ou mesmo prevenir as piores formas de exploração, o mencionado Decreto Salvini de 2018 garantiu que os requerentes de asilo se tornassem ainda mais vulneráveis, excluindo-os do sistema descentralizado de recepção do estado e transferindo-os para abrigos de emergência frequentemente localizados em áreas remotas. Um sindicalista disse que o decreto criaria um “exército de reserva de migrantes ‘irregulares’ em áreas agrícolas”. Muitos requerentes de asilo cuja autorização de residência já expirou tentam obter uma autorização de trabalho trabalhando de graça em troca de contratos falsos, nos quais são cobrados até 500 a 600 euros.

A julgar pelas experiências traumáticas que tiveram na Líbia e que tiveram um efeito disciplinar, muitos migrantes da África descrevem sua situação na Itália como um alívio. Ao mesmo tempo, porém, muitos enfatizam que desejam usar suas liberdades formais recém-adquiridas para melhorar sua situação como trabalhadores agrícolas explorados – individualmente e sempre coletivamente.

Artigo científico na Geoforum aprofunda a questão do trabalho não livre na agricultura italiana

Lucia Pradella e Rossana Cillo publicaram em novembro de 2021 na revista “Geoforum”, o artigo intitulado “Bordering the surplus population across the Mediterranean: Imperialism and unfree labour in Libya and the Italian countryside” (ou em português “Fazendo fronteira com a população excedente em todo o Mediterrâneo: Imperialismo e trabalho escravo na Líbia e nas áreas rurais italianas”.  Quem desejar ler o artigo basta clicar [Aqui!].

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Este texto foi inicialmente escrito em alemão e publicado pelo jornal “JungeWelt” [Aqui!].

O ano é novo, mas Amazônia segue sendo desmatada em ritmo acelerado

 Números do Deter-B apontam 8.219 kmde alertas de desmatamento na Amazônia

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Vista aérea de um desmatamento na Amazônia para expansão pecuária, em Lábrea, Amazonas. © Victor Moriyama / Amazônia em Chamas

Manaus, 07 de janeiro de 2022 – Dados do sistema Deter-B, do Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE), divulgados nesta sexta-feira (07), mostram que de janeiro a dezembro de 2021 foram registrados 8.219 km² de alertas de desmatamento na Amazônia. É o terceiro ano seguido em que os alertas superam os 8.000 km2, o que não havia ocorrido em nenhum ano anterior ao atual governo. Apesar da pequena queda de 2,3% em relação ao ano passado, a média de desmatamento registrada ao longo dos três anos do governo Bolsonaro (8.604 km²) é 77% maior em comparação aos três anos anteriores (4.844 km²).

“Infelizmente, em relação aos alertas de desmatamento, o novo ano começa como foram os últimos três. A destruição da Amazônia e outros ecossistemas naturais não só não é combatida pelo governo, como é impulsionada por atos, omissões e conluios com os setores mais retrógrados da nossa sociedade que primam o lucro e a economia da destruição, agravando cada vez mais a crise climática que vivemos na atualidade”, afirma Rômulo Batista, porta-voz da campanha de Amazônia do Greenpeace Brasil.

Quando são analisados somente os alertas para mineração, em sua grande parte causada por garimpos ilegais, o número é ainda mais assustador. Pela primeira vez, o sistema registrou uma área de alertas de 121 km² para esta atividade, um aumento de 20% em relação ao ano anterior e o equivalente a 17 mil campos de futebol destruídos – uma média de 47 a cada dia.

“Nesta mesma semana, também foi divulgado pelo INPE um aumento de 7,9% no desmatamento do cerrado, que já teve 50% de sua área devastada, e anunciada a extinção por falta de verba do programa de monitoramento deste que é o segundo maior bioma brasileiro. Esses números são reflexos da política antiambiental do governo Bolsonaro e de suas ações comprovadamente ineficazes em conter a destruição das florestas”, complementa Batista.

Os números também expõem as escolhas de seus aliados no Congresso Nacional, que tentam aprovar Projetos de Leis que ameaçam as florestas e seus povos, como é o caso do PL 2633, conhecido como “PL da Grilagem”, que visa premiar grileiros ao reduzir a margem de proteção de rios em áreas urbanas, e o PL 490, que inviabiliza demarcações de Terras Indígenas e escancara os territórios para atividades econômicas predatórias. Projetos como estes estimulam e intensificam a corrida de madeireiros, grileiros, fazendeiros e garimpeiros pela ocupação ilegal e destruição da Amazônia.

Aquecimento global: 10 recordes nacionais de temperatura foram quebrados ou igualados em 2021, incluindo o mais alto já medido na Terra

Maximiliano Herrera, observador de condições meteorológicas extremas, diz que no ano passado provavelmente estará entre os cinco ou seis mais quentes da história

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Em agosto de 2021, os incêndios florestais se espalharam pelo norte de Atenas, Grécia, quando as temperaturas atingiram 42 ° C (107,6 ° F). Fotografia: Miloš Bičanski / Getty Images

Por Bibi van der Zee para o “The Guardian”

Maximiliano Herrera, observador de condições meteorológicas extremas, diz que no ano passado provavelmente estará entre os cinco ou seis mais quentes da história

Mais de 400 estações meteorológicas em todo o mundo bateram seus recordes de temperatura mais alta de todos os tempos em 2021, de acordo com um climatologista que compila registros meteorológicos há mais de 30 anos.

Maximiliano Herrera acompanha as condições climáticas extremas em todo o mundo e publica uma lista anual de recordes quebrados no ano anterior. Ele e muitos outros climatologistas e meteorologistas que acompanham de perto essas questões esperam que 2021 provavelmente não seja o ano mais quente da história (Noaa e a Nasa publicarão seus resultados nos próximos dias).

Mas é provável que esteja entre os cinco ou seis primeiros, continuando a tendência de alta de longo prazo . Os últimos seis anos foram os seis mais quentes já registrados.

E, como agora é a norma, um monte de novos recordes de calor foi quebrado, de acordo com Herrera. Dez países – Omã, Emirados Árabes Unidos, Canadá, Estados Unidos, Marrocos, Turquia, Taiwan, Itália, Tunísia e Dominica – quebraram ou empataram seu recorde nacional mais alto, 107 países bateram seu recorde mensal de altas temperaturas e cinco bateram seu recorde mensal de baixas temperaturas .

wp-1641559042019Dez recordes nacionais de temperatura foram quebrados ou igualados em 2021, incluindo o mais alto já medido com segurança na Terra

Alguns registros continentais e planetários também caíram: a África teve seus meses de junho e setembro mais quentes de todos os tempos. Agosto trouxe 48,8C (119,8F) em Syracuse , Itália, a temperatura mais alta já registrada na Europa. Julho já havia atingido 54,4 ° C (130 ° F) em Furnace Creek, no Vale da Morte dos Estados Unidos – a temperatura mais alta com segurança registrada na Terra. (A temperatura registrada como 129,9F em 2020 também foi arredondada para 130F.)

Mas houve alguns eventos específicos que se destacaram particularmente para os especialistas. Para a meteorologista Patricia Nying’uro, cofundadora da Climate Without Borders e baseada no Departamento de Meteorologia do Quênia, as duas estações consecutivas de chuvas fracassadas no Quênia foram incomuns e forçaram o governo a se organizar para ajuda alimentar pela primeira vez em muitos anos .

“Você certamente pode ver o efeito da mudança climática em nosso clima no Quênia e globalmente. Estamos apenas juntando os dados para 2021, mas achamos que teremos visto uma temperatura anual 2,1 C mais alta do que o normal para algumas partes do país. As mudanças são muito perceptíveis, de um extremo a outro em um espaço de tempo muito curto. 

Pessoas na praia de Malvarrosa em Valência24C na Espanha, 15C nos Alpes: final estranhamente quente para 2021 em partes da Europa

Esta foi uma das razões pelas quais Nying’uro ajudou a fundar a CWB, um grupo de meteorologistas e apresentadores de clima de todo o mundo que compartilham informações sobre eventos climáticos extremos. Eles também apoiam os apresentadores do clima para fazer conexões com as mudanças climáticas e comunicá-las ao público.

O meteorologista Scott Duncan , que coleta dados sobre o clima mundial, apontou para as ondas de calor do verão europeu, que quebraram recordes em vários países – e foram acompanhadas por incêndios florestais em todo o Mediterrâneo. Eles foram precedidos por um março quente, um choque frio e agudo no início de abril que “foi catastrófico para muitas empresas agrícolas na França” e, em seguida, as enchentes em julho. “Esses eventos realmente se destacaram para mim.”

Ele também destacou o calor no Alasca em dezembro, onde vários recordes foram quebrados por uma grande margem. “Isso foi extraordinário.”

A China viveu o ano mais quente de todos os tempos, de acordo com a Administração Meteorológica da China. Mas foi a chuva que atingiu a província central de Henan que realmente chocou: a região foi atingida por mais chuvas em três dias do que normalmente recebe em um ano inteiro. Centenas morreram, plantações e casas foram destruídas e a limpeza continua. Jia Xiaolong, vice-chefe do Centro Nacional do Clima, disse que a situação no ano passado foi anormal.

“O aquecimento foi o principal tema do clima da China em 2021. No contexto do aquecimento global , eventos climáticos extremos recorrentes se tornaram a norma, o que também é um grande desafio para a prevenção e mitigação de desastres.”

Outros eventos climáticos incomuns importantes no ano passado foram a onda de calor na Sibéria no verão e o congelamento profundo no Texas em fevereiro. Quase 200 pessoas morreram , milhões de casas ficaram sem energia e as consequências levaram a enormes disputas políticas.

Guy Walton, um meteorologista ativista que faz campanha contra a mudança climática desde o final dos anos 1980, disse que “o surto de frio em fevereiro de 2021 que levou ao colapso da rede elétrica no Texas e dezenas de mortes” foi “ironicamente atribuído à mudança climática por muitos” . Ele também destacou “o outono ameno / quente extraordinário que levou ao mês de dezembro mais quente já registrado para os Estados Unidos. Os Centros Nacionais de Informação Ambiental devem oficializar isso nos próximos dias. ”

Mas o evento chave de 2021 para a comunidade meteorológica e climatológica foi a onda de calor extrema que atingiu a costa oeste dos EUA em junho / julho, gerou uma cúpula de calor e quebrou recordes de até 5ºC em alguns lugares. Na época, Geert Jan van Oldenborgh (que morreu em outubro de 2021), do Royal Netherlands Meteorological Institute, chamou-o de “muito além do limite superior” e “surpreendente e abalador”.

“É claro que 2021 foi cheio de eventos extremos”, disse Herrera. “Mas se eu tiver que citar um, vou citar o que atingiu todos os climatologistas e meteorologistas do mundo”. Herrera apelidou o evento de “a mãe de todas as ondas de calor”.

“Eu confesso, eu nunca teria acreditado que isso fosse fisicamente impossível. A magnitude deste evento superou qualquer coisa que eu já vi depois de uma vida de pesquisa de eventos extremos em toda a história climática mundial moderna nos últimos dois séculos. ”

Enquanto isso, 2022 começou com uma série de recordes já quebrados no Reino Unido e nos Estados Unidos nos primeiros dias do ano.

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Este texto foi originalmente escrito em inglês e publicado pelo jornal “The Guardian” [Aqui!].